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A primeira vez da pequena Alice em Londres

Escolhi Londres para viajar porque é uma das cidades que mais adoro na Europa. Moro na Itália com meu marido e Alice, minha filha de 2 anos. Para nós, o voo durou pouco: uma hora e meia.

Toda a trabalheira para chegar até o aeroporto foi o que mais cansou e durou muitas horas. Mas o que merece ser contado dessa nossa aventura é o modo completamente novo que vivi a cidade – que já tinha visitado quatro vezes até então. Ir para o mesmíssimo lugar com uma criança é completamente diferente. E assim foi.

 

Londres com criança
Quarteirão infinito Por mais que a capital inglesa seja plana, longas caminhadas não dão certo com crianças pequenas

 

Já percebemos, nas tantas jornadas que fizemos com nossa pequena, que o mundo deles tem dimensão menor. Fazer longas caminhadas não tem sentido. Passar muito tempo em meios de transporte, pior ainda.  Alice pára para ver as pedrinhas no chão, os telefones vermelhos, as lojas diferentes. Cada quarteirão fica infinito.

Pensando assim, reservei um hotel bem do lado do Hyde Park, que foi nosso ponto central da viagem. Íamos a pé pra lá. E de lá para outros lugares do centro era muito rápido. Evitamos metrô (não dá pra ver nada!). Nos ônibus, no andar de cima, você tem visão panorâmica do passeio. Deixávamos o carrinho dela embaixo, travado, e subíamos.

Hyde Park

 

O principal parque londrino é maravilhoso e, se o tempo está bom, merece uma tarde inteira lá. Para brincar perto do lago, dos patos. Para ver esquilos de perto. E muitas crianças (principalmente no fim de semana). A atmosfera é uma delícia. Fomos na primavera. Mas eu já tinha ido em pleno inverno com minha mãe para a Hyde Park Winter Wonderland e foi a festa de Natal mais esplendorosa que vi na minha vida, cheia de barraquinhas iluminadas com comidas divinas, enfeites, bichinhos de pelúcia. Seja no calor ou no frio, vale a pena visitar e se hospedar perto para se conectar com o centro da cidade.

Natural History Museum

Alice adorou porque se interessou pelas luzinhas, os barulhos e o piso do museu, que achou que parecia o da nossa cozinha.

Mas nem ligou pro esqueleto de dinossauro gigantesco que fica no meio do edifício (acho que não conseguiu visualizar). Imagino que uma criança de 4 ou 5 anos entenderia melhor. O museu é gratuito e tem uma lanchonete ótima dentro dele. Alice dormiu a soneca da tarde ali mesmo. Depois acordou e comeu macarrão. Muitos pais estavam dando bolos para os filhos (todo lugar tem bolo!).

Big Ben + London Eye

 

 

A dobradinha foi o ponto alto da nossa viagem. Não subimos na London Eye (a roda gigante que é mesmo gigante) porque não achamos interessante pra Alice ficar fechada num lugar vendo paisagem. Mas ela ficou fascinada em ver a London Eye de longe. Esses objetos enormes causam uma impressão forte nos pequenos.

E a grande paixão da viagem foi, para a Alice, o Big Ben. Ela perguntava o tempo todo do “relógio com sino” e ficava falando: “Ben Ben Ben”. E pediu para voltar (meu marido a levou novamente, enquanto eu fui sozinha ao Victoria & Albert Museum). Jamais imaginaria. Acreditava que ela iria ficar louca pelos esquilos (um deles quase subiu no carrinho dela), mas é imprevisível saber de antemão o que vai divertir mais as crianças.

 

 

 

Oxford Street

Caminhar  pelas ruas de comércio do centro foi divertido pra todos. Principalmente poder comer um muffin com leite gelado na rede de cafés Costa. Essa também, como a Pret a Manger, tem em todos os lugares, é tipo uma Starbucks. Não tem nada de especial e característico, mas eu já tinha gostado do cappuccino de lá, os bolos são ótimos e tem espaço para carrinho. Prático.

Aliás, estávamos sempre com o carrinho dela. Servia para deixar ela “presa” em lugares de muita multidão e também para dormir a soneca da tarde. A cidade é plana e há um espaço reservado para colocar carrinho no ônibus.

Onde ficar

Londres tem muitas opções de hospedagem em residências no site Airbnb. Acho que vale a pena se for no centro e para grandes famílias. Do contrário, com criança, nada melhor do que alguém que limpe seu quarto todos os dias e troque as toalhas. Também é importante ter uma portaria para alguma necessidade, ou mesmo para pedir dicas. Sugiro a região em torno do Hyde Park. Já me hospedei no Corus Hyde Park e no Royal Eagle Hotel. São hotéis funcionais, para chegar e dormir: quartos limpos, simples, chuveiro bom. E nada demais. Voltaria no Corus. O Royal tem quarto muito pequeno.

 

Hyde Park
Vizinhas dos patinhos Escolher uma hospedagem ao lado de um belo parque londrino é a pedida

 

 

Onde comer em Londres com crianças? Confira a continuação das dicas desta viagem aqui

Imagens: Juliana Lopes e Getty Images

Café da manhã

O que dar para as crianças comerem em Londres?

Em Londres come-se muito pior que na Itália, onde moro e estou acostumada a comer bem.

E sempre fui muito preocupada com a alimentação da minha filha. Gosto que ela coma coisas saudáveis nos horários certos. Depois que ela fez 2 anos, libero um chocolatinho de vez em quando, ou sorvete. Mas fritura e porcarias industrializadas não têm vez em casa. Na nossa viagem à Inglaterra (confira o relato aqui), tive que respirar fundo. Ela, um dia, almoçou batata frita. E comeu batata chips no avião, porque o voo atrasou. E, no geral, achei que pagamos muito caro nos restaurantes para comermos mal.

 

Não recomendo

 

Serpentine Bar & Kitchen
Só bonito O Serpentine fica no Hyde Park e, claro, é bem turístico. A comida não fica a altura do cenário

 

O restaurante Serpentine Bar & Kitchen, super descolado, lindo, com uma vista incrível- porque fica bem no meio do Hyde Park -deixou a desejar. A conta veio alta (quase 50 libras em dois pratos simples) para comer um hambúrguer seco. Valeu pela paisagem. Voltaria na próxima vez para tomar um suco e não para uma refeição completa.

Recomendo

Paramos em vários restaurantes até percebemos que o que funcionava para a Alice era a rede Pret a Manger, que você encontra em qualquer lugar. Eles têm sanduíches, massas, saladas e sopas que vêm em copo. Inclusive com ingredientes orgânicos. E várias opções de sucos de fruta.

O que não chegamos a experimentar – porque cansamos de restaurantes e Alice também -, mas poderia ter funcionado foi um indiano, para comer arroz com frango.

 

 

Rainforest Cafe
Estilo americano A lojinha temática precede o restaurante Rainforest Cafe, onde até chuva cai para divertir a turma

 

Um lugar que foi escolhido especialmente para a Alice foi o restaurante Rainforest Cafeem Piccadilly Circus. É inspirado em florestas tropicais. Simplesmente chove dentro do restaurante. As crianças ficam loucas.

A entrada é por uma loja de brinquedos com centenas de bichinhos de pelúcia tropicais, como cobras e sapos – tudo lindo. No canto, um jacaré mecânico nada numa piscina. Uma árvore no centro do salão conversa com as crianças. Para descer na “floresta”, há uma escadaria toda iluminada. E antes da “chuva”, muitas trovoadas (que até assustam).

Qualquer criança (ou adulto) pode comemorar o aniversário sem reservar antes, é só avisar na entrada e pedir uma sobremesa. Os garçons convocam todos para cantar “Happy Birthday”. Era o meu aniversário e cantaram para mim. O menu é bem variado, agrada crianças e adultos.

Dica de lanchinho

Leve na bolsa sempre aquelas super barras de cereais que são vendidas em qualquer supermercado e em muitas lanchonetes. São feitas geralmente de cereal e mel. Se você está no meio de uma atividade muito divertida e não tem como achar lugar pra almoçar, a barrona de cereal dá energia e segura as pontas.

Refeição para valorizar

É fácil encontrar lugares que servem o café da manhã inglês. O completo pode ser muito pesado pras crianças (porque tem feijão, tomate, carne temperada). Mas você tem a opção de pedir ovos mexidos, leite, cereal – a aveia com frutas vermelhas é um clássico inglês (foto no alto).

Reforçando o café da manhã e levando uma barra de cereal na bolsa, você consegue aproveitar mais tempo até fazer um almoço/lanche mais tarde.

 

Imagens: Juliana Lopes, Karen Bryan/Creative Commons e Photo Dollar Club.

 

Vai um biscoito Globo aí?

Três dias de uma garotinha no Rio de Janeiro

“Eu vou ver o Blu!” Foi assim que minha filha avisou a todos que iria passar alguns dias no Rio de Janeiro. O personagem dos filmes de animação “Rio” e “Rio 2” foi sua associação imediata quando eu lhe contei o nosso destino.

Chegando lá, porém, havia tanto o que fazer, que a caça à fictícia arara azul ficou praticamente esquecida. Um lugar que tem praia, bondinho, Cristo Redentor e Maracanã já exerce encantamento natural nos paulistinhas, mas o que fazer com uma garotinha de 3 anos no verão carioca?

1. Lagoa Rodrigo de Freitas

BICICLETA – A Lagoa me parecia um dos lugares mais óbvios para entreter crianças e, de fato, é. Perto do quiosque Palaphita Kitch, existem pedalinhos e bicicletas para alugar. Como éramos dois adultos e uma criança, optamos por um quadriciclo que parece uma espécie de carruagem. São duas bicicletas paralelas e um banquinho para a criança ir à frente (30 minutos por R$ 15).

 

Quadriciclo na Lagoa
Penélopes Charmosas O quadriciclo familiar cor-de-rosa e os pedalinhos da Lagoa ao fundo

 

PIQUENIQUE – Fiquei encantada de ver grupos fazendo piqueniques no fim de tarde, principalmente pela superprodução dos convescotes – sério, mereciam esse nome pomposo! Mesinhas feitas com caixotes de feira, enfeitadas com toalhas coloridas de chita, vasinhos de flores e lanternas japonesas. Se já não bastasse a linda vista. Existem empresas que estão fazendo o maior sucesso organizando esses eventos, como a Vem pro Piquenique. Adorei.

2. Flamengo

PARQUE – Eu sempre passei pelo Aterro do Flamengo. Vindo do aeroporto, a caminho das praias ou em direção à Lapa. E invariavelmente perdia o fôlego com a beleza exótica dos jardins projetados por Burle Marx, com as curvas e barcos da Marina da Glória, com a vista da Urca e do Pão de Açúcar. Mas eu nunca tinha aproveitado o Flamengo. Desta vez, fui caminhar pelo Aterro. Minha filha se cansou um pouco – me arrependi de não ter levado o carrinho (seeempre se deve levar carrinho em viagens) – mas foi bacana, encontramos alguns músicos, muitos corredores de fim de semana e uma quantidade ainda maior de crianças.

 

Aterro de Flamengo
Palmeiras O paisagismo do Aterro do Flamengo foi feito por Burle Marx, mas o que vale mesmo pras crianças e o enorme espaço para correr e andar de bike

 

PARQUINHO – Na praça Cuauhtamoque, há dois parquinhos, com brinquedos de madeira para diferentes idades. Cercados e muito bem conservados, do tipo difícil de encontrar em espaços públicos.

 

Parquinho no Flamengo
Sou Flamengo! Difícil tirar a pequena do playground bem conservado e cheio de carioquinhas simpáticos

 

 3. Leblon

PRAIA – Fomos pegar praia em um domingo ensolarado e achei que encontraríamos as areias insuportavelmente abarrotadas, como nos feriados. Mas facilmente conquistamos um lugar ao sol, ou melhor, ao guarda-sol. A grande sacada foi levar uma piscininha inflável para a pequena se refrescar, porque o mar estava agitadíssimo, com ondas enormes, quase ninguém se arriscava a se molhar além das canelas.

 

Praia do Leblon
Água salgada Em dia de mar revolto, a piscininha inflável refresca e diverte

 

COMIDINHA DE PRAIA – E ela também se esbaldou com a oferta de comidinhas. Tomou água de coco, comeu esfiha de queijo, milho da espiga (ela só conhecia no copinho) e muito, muito biscoito Globo (preferiu o salgado ao doce).
QUIOSQUE KIDS FRIENDLY – O fim de tarde foi tudo aquilo pelo qual uma paulista suspira: sentei no calçadão da orla, papeando com uma amiga, enquanto minha filha fazia suas próprias amizades cariocas no Baixo Bebê. Apesar do nome, o quiosque é perfeito mesmo para crianças a partir de dois anos porque tem um parquinho na areia, com escorregador, casinha de bonecas e afins, tudo de plástico, tudo cercado.

 

Baixo Bebê
Desce pra praia Em vez de tanque de areia, o parquinho do baixo Bebê tem a própria areia do Leblon à disposição da garotada

 

VISTA – Quando o sol se escondeu atrás do morro Dois Irmãos, mostrei para a pequena o luminoso do Hotel Marina – ela achou um barato aquelas letras vermelhas no alto do prédio significarem o nome da mãe dela. Apontei também a luz intermitente do farol à frente, e cantei a música da Marina Lima. Ela pediu bis. :-)

Imagens: Marina Monzillo e Simone Bessa/Creative Commons