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Polignano a Mare

Um grande segredo italiano: a Puglia

Eu adoro planejar viagens. Mas as melhores viagens da minha vida foram as menos planejadas. É o paradoxo desta viajante. 😉

A falta de expectativa faz tudo ser surpreendente. Quando se espera muito de um lugar, de uma experiência, a realidade dificilmente supera o sonho.

A mais recente prova de que isso é a minha verdade foram os dias que passei na região da Puglia, na Itália.

 

Centro histórico de Polignano a Mare
Acima do Adriático O centro histórico de Polignano a Mare é charmoso e fica sobre as falésias que descem perpendiculares ao oceano

 

A Puglia fica no calcanhar da Bota, sua principal cidade e porta de entrada é a portuária Bari. A região faz algum sucesso com os europeus, mas os brasileiros que vão para lá, em geral, são sempre os descendentes de imigrantes pugliesi.

Fui parar em Polignano a Mare, um pequeno balneário a menos de uma hora de Bari, porque meu marido queria encontrar amigos do perfil imigrante/descendente. Não pesquisei muito. Era o fim de um planejadíssimo roteiro (Londres e sul da Croácia), durante o alto verão europeu, e o que conhecêssemos ali seria lucro da xepa das férias.

Mas foi I-N-C-R-Í-V-E-L. Abaixo, conto tudo que amei na Puglia.

Para onde ir

Polignano a Mare é bonita de um jeito despojado e autêntico. Como o turismo em massa – nos moldes de Veneza, Roma e Florença – ainda não chegou por lá, a cidadezinha não tem nada de fake, de pegadinha, de abusivo $$$.

Em julho, a praia fica cheia (principalmente de italianos), os restaurantes e o centro histórico, agitados, mas tudo na medida certa.
O cartão-postal de tirar o fôlego é a enseada que fica aos pés do centro histórico. A cor do mar é de um degradê verde-azulado, e compõe com as falésias douradas e as construções acima delas uma vista que acaricia os olhos e a alma. Eu ficava feliz e revigorada só de olhar para aquela paisagem diariamente.

 

Covo dei Saraceni
Buongiorno! Que tal acordar com essa vista? É da janela do hotel Covo Dei Saraceni

 

 

A pequena praia ali se chama Lama Monachile. Nós, brasileiros, temos referências muito específicas quando o assunto é praia. Mas nem é preciso fazer um esforço de desprendimento para achar uma lindeza a prainha de pedras de Polignano.

 

Onde ficar
A experiência toda em Polignano ficou ainda mais deliciosa porque nos hospedamos no hotel Covo dei Saraceni, que tem a localização como principal atrativo: encarapitado no precipício para a tal enseada de mar e pedra. E também é muito confortável e decorado com um charme que combina com o cenário ao redor.
Seu restaurante, Il Bastione, recebe também quem não é hóspede. Nos ofereceram prosecco assim que nos sentamos, mas logo em seguida nos levantamos para escolher o nosso peixe em uma bancada onde havia frutos do mar tirados naquele dia mesmo do Adriático, que se estendia à nossa frente. Comemos muito bem, com o ventinho leve que vinha do oceano e a lua cheia no céu.

 

Peixe (quase) vivo Os pescados saem do mar pouco tempo antes de serem servidos no restaurante Il Bastione
Peixe (quase) vivo Os pescados saem do mar pouco tempo antes de serem servidos no restaurante Il Bastione

 

O que fazer

1. Praias
Para quem fica no Covo dei Saraceni, a praia mais próxima é Lama Monachile. Você pega uma descida de paralelepípedos que, dizem, foi a estrada usada pelos soldados romanos rumo à Sicília, e chegou. Se sentar-se em pedras quentes não lhe agrada, garanta uma espreguiçadeira no platô gramado do bar Fly – Sun, Food, Drink. Quando a fome bater, se mude para uma das mesinhas de madeira no terraço acima e peça o cavatelli (massa típica da Puglia) com vôngole. Foi um sabor que ficou na minha memória.

O banho de mar ali é especial. O mar costuma ser calmo como piscina. Você entra pisando com cautela nas pedras e logo perde o chão, mas não se preocupe. A água, de alta salinidade, não deixa o corpo afundar. Nem precisa bater braços e pernas. Você fica ali, mirando o horizonte à sua frente, e agradecendo ao cosmos pela oportunidade de estar lá.

Quem não estiver no modo mergulho emotivo-espiritual 😉 pode se aventurar pelas pequenas grutas que permeiam os paredões. Só precisa tomar cuidado, encostar nas pedras, mesmo que de leve, significa sair sangrando do mar!
Não muito longe dali, fica outra famosa – e bonita – praia do pedaço, Cala Paura. Se eu tivesse tido mais um dia em Polignano, era pra lá que teria ido.

 

Verão europeu Quem se habilita a pular das pedras? Muitos jovens italianos!
Verão europeu Quem se habilita a pular das pedras? Muitos jovens italianos!

 

2. Centro Histórico
O centro histórico é o destino dos fins da tarde e das noites quentes de verão. As ruas ao redor são fechadas para os carros e a Piazza Giuseppe Verdi vira ponto de encontro. Jantamos em uma pizzaria da praça, minha filha deu uma volta no carrossel e depois fomos andando para a sorveteria Bella Blu. Achava que o gelato de pistache da Stuzzi, em São Paulo, seria sempre o melhor da minha vida. Mas o de lá me deixou bem na dúvida quanto a isso.

Arredores de Polignano a Mare

Um dia é suficiente para conhecer três lugares bem bacanas nos arredores de Polignano: Alberobello, Locorotondo e Grotta della Castellana. Mas é bem provável se apaixonar por eles e querer voltar nos dias subsequentes.

 

Mapa Puglia
Tudo pertinho Em apenas um dia, dá para conhecer Locorotondo, Alberobello e Gruta Della Castellana

 

 

1. Alberobello
É a cidade dos trulli, casinhas feitas de pedra, no formato cônico, características dessa região da Puglia. Elas se enfileiram colina acima até a igreja feita nos mesmos moldes. Por sua arquitetura única, Alberobello é Patrimônio Cultural da Humanidade.

 

Trulli de Alberobello
Fui morar numa casinha Essas construções trulli, com telhado cônico em pedra, são únicas no mundo

 

2. Locorotondo
O guia Lonely Planet diz que o centro histórico de Locorotondo é o mais bonito da Puglia. De fato, é lindo. Edifícios e casas pintados de tons bem clarinhos contrastam com o céu azul, as flores coloridas nas janelas e, as frutas nos cestos nas fachadas do comércio. Passamos uma manhã lá e usamos muita memória da máquina fotográfica.

 

Locorotondo
Flores e frutas Locorotondo é perfeita para uma gastar uma manhã de sol

 

3. Gruta della Castellana
Para ecoturistas experientes, talvez esta seja apenas mais uma gruta. Para nós, foi uma experiência maravilhosa entrar e observar as formações de pedra em diferentes galerias subterrâneas, sem perigo algum – há pavimento, corrimão e iluminação. Vale muito a visita. Existe um circuito curto, de uma hora, e um longo, de duas.

 

No subterrâneo As fotos não fazem jus às luzes, cores e formas da gruta
No subterrâneo As fotos não fazem jus às luzes, cores e formas da gruta

 

4.Conversano
Conversano é a cidade com mais estrutura próxima a Polignano. É onde as crianças locais vão à escola, por exemplo. Para nós, turistas, é um local de bons restaurantes, como o +39. Recomendo esquecer dos primi e secondi piatti. Fique apenas nos antepasti. Peça uma variedade e se envolva na difícil tarefa de eleger o melhor, eu aposto no empanado de fiori de zucca (flor de abóbora).

Imagens: Marina Monzillo e Luis Eduardo Maino

Hortênsias no Horto Florestal

Campos do Jordão rima com verão, dã!

Detesta muvuca, já passou da fase das baladas e odeia show-off, por consequência, não suporta Campos do Jordão. Esta sou eu e sei que não sou a única. 

Mas veja bem, nós não queremos Campos do Jordão entre maio e agosto, na “alta”, quando marcas e mais marcas fazem ações de marketing por qualquer lado que você olhe, o trânsito entope Capivari e todo aquele clima “Floradas na Serra” vai pra cucuia.

Resolvemos dar uma chance para Campos no verão. Apesar do friozinho que faz parte do charme da cidade só dar as caras em algumas noites, e mesmo assim de forma amena (a temperatura mínima no nosso fim de semana foi 15oC), as atividades outdoors fazem o passeio valer muito à pena. Fora os preços dos hotéis, bem mais em conta.

Fomos a família toda – três crianças inclusive – passar um fim de semana de janeiro na serra e não faltou o que fazer!

Horto Florestal

É dos passeios mais clássicos para quem está na cidade a fim de curtir a natureza. Tem trilhas de todos os níveis – até para quem não gosta de trilha. As crianças amaram as pontes-pênsil sobre os riachos que cortam o parque.

Tirolesa e Arvorismo

Parece até uma certa praga. Onde quer que você vá que haja duas árvores fortes o suficiente para aguentar um cabo de aço, há uma tirolesa em Campos do Jordão. São muitos também os circuitos de arvorismo. E ainda tem arco-e-flecha, cavalo, quadriciclo, etc. O lugar clássico para esse tipo de prática é o Tarundu. Mas recomendo muito a tirolesa que fica quase no Pico do Itapeva, à beira da estrada. Sobrevoando um belo lago, você tem uma vista incrível.

Borboletário Flores que Voam

O nome poético e a ideia de entrar em uma estufa onde se caminha por entre dezenas e dezenas de borboletas coloridas nos atraiu imediatamente. O preço é salgado, as borboletas eram pouco variadas e de tamanho pequeno, mas ainda assim foi legal vê-las tão de perto.

Hotel Toriba

Mesmo que você esteja hospedado em outro lugar – a rede hoteleira da cidade não para de crescer e há lugares bem charmosos – passar um fim de tarde no tradicional Hotel Toriba é um programão. A vista do por do sol entre as araucárias é imperdível, mas tem mais: o chá da tarde no terraço, uma massagem relaxante – ou revigorante – no spa L´Occitane – e, para os pequenos, o quase histórico escorregador de madeira que liga o térreo ao subsolo do hotel. Para ter uma ideia, meu marido e meu cunhado – quarentões – brincaram nele na infância. Encerre o dia com o fondue do Toribinha, restaurante anexo ao hotel. Pode não estar geando do lado de fora, mas a decoração transporta a gente para uma cabana nos Alpes. O serviço é atencioso e o fondue de queijo é dos melhores que comi na vida, feito com os queijos gruyère e emmenthal, uma dose de kirsch e uma boa pitada de noz moscada.

Maria-fumaça

O trem turístico liga os bairros de Abernéssia e Capivari. A Estrada de Ferro de Campos do Jordão tem 100 anos, foi criada pelos sanitaristas Emilio Ribas e Victor Godinho com o objetivo inicial de transportar os doentes que iam tratar os males respiratórios na Serra da Mantiqueira. Há também passeios para as vizinhas Santo Antonio do Pinhal e Pindamonhangaba.

Quem tem mais dicas de atividades em Campos do Jordão no verão? Conseguir uma mesa no Baden Baden é fácil? Como é o parque Amantikir? E a Quinta da Baroneza, o Museu da Xilogravura? O Palácio do Governo é uma boa pedida nessa época? Deixe sua dica aí abaixo.