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5 lugares para se conhecer na Vila Buarque (ou Santa Cecília)

Quando eu tinha 20 e poucos anos, morava em Santo André e  nenhum lugar que eu gostava de frequentar ou queria conhecer ficava a menos de uma hora da minha casa, eu circulava muito mais pelas regiões e bairros de São Paulo do que agora, que moro no miolo da Vila Madalena.

A lógica é simples: tenho (quase) tudo que me interessa por perto. Não existe a necessidade de entrar no carro (ou ônibus), pegar trânsito e pagar estacionamento caro (ou encontrar vaga na rua) para ver lojinhas bacanas, arte de rua, beber uma cerveja boa com os amigos, jantar bem num lugar bonito e cosmopolita. Isso sem falar que ficar altinha ou bebum e ir embora a pé é um luxo.

Mas quem é movido apenas pela necessidade na hora do lazer? Gosto de curtir outras atmosferas, ver outros rostos, experimentar novos lugares. Existe vida e pluralidade fora do circuito Vila Madalena /Pinheiros e eu quero aproveitá-las. Não simplesmente escolher outros bairros para explorar, mas pinçar, aqui ou ali, uma iniciativa cultural alternativa, um evento criativo, um café local, um restaurante genuíno.

 

Beluga
Minimalismo O décor escandinavo do Café Beluga nos atraiu antes mesmo da inauguração, há menos de um ano

 

E nesse exercício, de sair da minha vilinha, montei um roteiro de coisas interessantes que encontrei pelo caminho – por acaso, todas próximas, no espaço entre a Consolação e o Minhocão.

1. Café Beluga

Lugar pequenino, tocado pelos donos, no estilo de design que eu mais gosto, o escandinavo. O café ali é levado a sério, são microlotes selecionadíssimos. O pão de azeite é muito bom e há uma seleção de doces no balcão e de fanzines na prateleira. Quanto mais cedo você chega, mais frescos encontra os quitutes. À noite, o café dá lugar a cervejas especiais. O A+V adora.

 

Café Beluga
Doce, salgado e zine O Café Beluga leva o café, os quitutes e as cervejas a sério, mas com descontração

 

2. Holy Burger

Também pequeno, com decoração que lembra o visual hipster industrial de Williamsburg, no Brooklyn novaiorquino: cimento, aço, cobre e ferro aparentes,  iluminados por lâmpadas penduradas por cordas. O sanduíche é saboroso, principalmente por conta do molho de tomate que vai na receita do cheeseburguer.

 

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De comer rezando O Original Burger, do Holy, leva cheddar, cebola caramelizada, bacon e maionese da casa no pão preto

 

3. Banca Tatuí

Um grupo de editoras de livros independentes, encabeçado pela Lote 42, se juntou e montou uma banca de rua que vende livros, fanzines e jornais. No diminuto espaço, cabe até mesmo um balanço e pôsteres de ilustradores editados pela turma.  De vez em quanto, acontecem eventos de lançamento e shows de músicas no teto da banca. No geral, as publicações são inovadoras e bem cuidadas na forma. O conteúdo, porém, ainda é irregular.

 

Banca Tatuí
Balanço das letras Na Banca Tatuí, não tem Veja nem Caras, só livros de autores e editores independentes

 

4. Conceição Discos & Comes

Um balcão, algumas poltronas e mesinhas, uma vitrola, muitos vinis. Moderno, o Conceição é um bar/restaurante/café que tem uma estética criativa e menu, idem. Os pratos do dia, por exemplo, são sempre à base de arroz: de costelinha, de polvo, de sururu, e assim vai. O pão de queijo recheado de pernil a cavalo já fez gente cruzar a cidade para provar. O veredicto do A+V é que falta uma unidade no sabor, os ingredientes se destacam individualmente e não como um todo. Mas pretendemos provar novamente. :-)

5. Sotero

Restaurante simpático e de bom preço que, apesar do nome, não fica só na culinária baiana. Eles declaram fazer uma cozinha original. O bobó tinha camarões graúdos e o picadinho de carne leva canela na receita.

 

Imagens: Divulgação/Holy Burger, Facebook/Beluga, Evelin Fomin e Marina Monzillo

 

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Os filmes da Mostra que falam de viagens

É tempo de Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, dias mágicos em que as pessoas fazem filas que viram a esquina da Paulista e da Augusta para ver filmes turcos, ucranianos, japoneses e de tantas outras nacionalidades.

É um privilégio que todo paulistano deveria reverenciar: há 38 anos – número de edições do evento –temos acesso a essa variedade de produções cinematográficas, antigas e contemporâneas. Ao assistí-las, entramos em contato com diferentes culturas, tradições, sonoridades, pensamentos, cenários. E não é exatamente o que uma viagem faz? O A+V alimenta pelo cinema a mesma paixão que tem pela estrada.

Fizemos uma seleção de filmes exibidos na Mostra deste ano em que viagens fazem parte dos enredos. Para conferir datas, horários e locais, entre aqui.

10.000 Noites em Lugar Nenhum
Dir. Rámon Salazar, Espanha (2014)

A história de um filho que tem medo de tudo e que, oprimido por sua vida entediante, decide fugir. Ele começa então uma jornada para lugar nenhum, vivendo outras vidas. E descobre que, se um dia você decide não crescer, não é algo tão ruim assim. Você apenas tem que aprender a voar, a voar para bem longe.

 

10.000 Noites em Lugar Nenhum

Algum Lugar Belo
Dir. Albert Kodagolian, EUA/Argentina (2014)

Dois triângulos amorosos colidem quando Elena acompanha seu marido fotógrafo numa viagem de trabalho, apaixonando-se pela beleza da Patagônia e pelo homem que os guia em sua viagem.

Algum Lugar Belo

 

Amigos da França
Dir. Anne Weil e Philippe Kotlarsk, França/Alemanha/Rússia/Canadá (2013)

Em 1979, Carole e Jérôme tem 20 anos e viajam com uma excursão organizada para Odessa, além dos limites da Cortina de Ferro. Eles são primos, mas fingem que estão noivos. Durante o dia, visitam monumentos e museus como qualquer outro turista. À noite, eles se afastam do grupo para encontrar em segredo os “refuseniks”, judeus perseguidos pelo regime soviético por quererem deixar o país.

Amigos da França

 

Anoitece na Índia
Dir. Chema Rodríguez, Espanha/Romênia/ Suécia (2014)

Ricardo, um homem de meia idade divertido de tão mal-humorado, decide viajar por terra para a Índia, como fazia nos anos 60. Só que ele hoje vive numa cadeira de rodas, sofrendo de uma doença degenerativa em seu estágio final.

Anoitece na Índia
Livre
Dir. Jean-Marc Vallée, EUA (2014)

Após a trágica morte de sua mãe com câncer, Cheryl Strayed, de 21 anos, começa a levar uma vida destrutiva, arruinando seu casamento e viciando-se em drogas. Anos depois, querendo deixar seu passado para trás, ela embarca numa caminhada de 1.770 quilômetros pela Pacific Crest Trail que mudará sua vida.

Livre

 

Sob o Céu Estrelado
Dir. Dyana Gaye, França/Senegal (2013)

Sophie tem 24 anos e deixa Dacar para encontrar seu marido, Abdoulaye, em Turim. Mas ao chegar lá, descobre que ele partiu para Nova York. Enquanto isso, o jovem Thierno faz sua primeira viagem pela África. O destino dos três se cruza após algumas desilusões e encontros decisivos.

Sob o Céu Estrelado

 

O Último Trago
Dir. Jack Zagha Kababie, México (2014)

Três homens de oitenta anos viajam juntos de carro para realizar o último desejo de um velho amigo. Apesar de as famílias não aprovarem a decisão e das limitações da idade, eles se envolvem numa série de desventuras cômicas, conhecendo vários personagens divertidos.

O Último Trago

 

Imagens: Divulgação

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A+V adora: restaurante Micaela

Em um sobrado de esquina, em um pedaço menos badalado dos Jardins, fica o Micaela, que bem podia estar em Tiradentes, Ouro Preto ou em alguma cidadezinha do vale do Paraíba, porque tem aquele jeitinho mineiro ou do interior paulista, tão brasileiro, tão acolhedor. Um detalhe na parede dá o clima: uma imagem de São Francisco de Assis encaixada entre os tijolos aparentes do interior da casa.

O chef Fabio Vieira é o proprietário. Já o conhecia do seu antigo endereço, a Casa de Maria Madalena, onde fomos atendidos de forma tão carinhosa, que não nos esquecemos.  Em uma ocasião, ao perceber minha filha, ainda bebê, no carrinho, ele veio até a mesa especialmente para perguntar se gostaríamos que preparasse uma papinha para ela. Nunca aconteceu em nenhum outro restaurante!

Alguns pratos desenvolvidos na cozinha anterior continuam com nova apresentação, como a reconfortante canjiquinha de camarão e linguiça (R$ 40) e os pintxos (massa) de tapioca com shimeji, queijo manteiga e rúcula selvagem (R$ 24) – descendente de espanhóis e com passagem por Barcelona, o chef mistura toques hispânicos em suas criações. Não espere o tradicional, os ingredientes familiares estão a serviço da inventividade e técnica do chef.

Eis a canjiquinha de camarão e linguiça
Eis a canjiquinha de camarão e linguiça

 

Desta vez conheci o biscoitão mineiro (R$ 25), com polvilho e carne de sol, que coloca os pães de queijo comuns no chinelo. E o cuscuz de galinha (R$ 29) que leva um toque de cachaça e fica molhadinho. Para acompanhar tudo isso, cachaças como a Claudionor, Vale Verde e Lua Nova.

Se você acha difícil encontrar algo mais delicioso que pão de queijo é porque ainda não conhece este biscoitão mineiro
Se você acha difícil encontrar algo mais delicioso que pão de queijo é porque ainda não conhece este biscoitão mineiro

 

Enquanto preparávamos este texto, Fabio Vieira ganhou o prêmio de chef revelação da edição 2014 da Veja São Paulo Comer & Beber. Merecido.

Micaela R. José Maria Lisboa, 228 , 11 3473-6849. Seg. à sex., 12h-15h30; 19h-23h. Sáb., 12h-16h30; 19h-23h.

Fotos: Divulgação/Gladstone Campos

Scarpin tricolor

5 lojas de rua na Vila Madalena

A Madalena é estilosa. Se fosse uma mulher, vestiria saias estampadas, acessórios coloridos, prezaria o conforto. Compraria arte de gente talentosa, mas alternativa, daria presentes criativos aos amigos.  Se a Madalena fosse mulher. Mas a Madalena é bairro, é a Vila e tem uma gama de lojas cheias de personalidade.

Encarar o sobe e desce das ladeiras da Harmonia, Fidalga e Aspicuelta fazendo compras, antes ou depois de um almoço no Jacaré Grill ou no Genésio, é um programa-delícia de sábado.

Confira uma seleção das minhas lojas de rua preferidas na Vila.

Cas
Vestidos de poá, blusas soltinhas e calças de alfaiataria  – tudo de bom gosto e para quem gosta de praticidade . Mas o carro-chefe são os sapatos, geralmente de bico quadrado e bi ou tricolores. A cara da Vila Madalena. Recentemente a Cas ganhou uma irmã, a Cas Nouvelle,  que tem um espaço maior, sapatos mais confortáveis e um café nos fundos.

Uma
Minimalismo monocromático nas araras dessa loja espaçosa que é conhecida além dos limites do bairro. Tenho um par de sapatos estilo masculino preto, feito de camurça e pelica, que é minha paixão e não sai dos meus pés no inverno.

Juliana Bicudo
Os sapatos criados pela designer (na foto) custam caro, mas são obras de arte confeccionadas à mão. Os modelos são feitos em pequenas quantidades, então, existe uma quase exclusividade a seus pés. Tem para mulheres e meninas (a partir o número 23).

Japonique
O meu lugar preferido para comprar presentes para meninos e meninas de todas as idades. Há pequenas xícaras e moringas pintadas a mão, toy art, quimono para crianças, guarda-chuvas coloridíssimos e vários outras coisinhas orientais . É a Liberdade com curadoria.

Lascivité
Os astros aqui são os vestidinhos com cara de anos 50 e 60, perfeito para mocinhas românticas.  No site da loja, diz que as roupas têm “perfume retrô”.

Deixei a sua loja preferida na Vila Madalena de fora? Conte aí embaixo.

Imagem: Divulgação

Cartão-postal da cidade, O Banespão faz parte do roteiro arquitetônico

São Paulo para quem ama arquitetura

Adoro um dia cinza. Desperta em mim uma vontade de aconchego, e a melancolia associada à falta de sol tem uma carga poética, que favorece o devaneio.

Mas nesta quarta-feira de cinzas que fez jus ao nome, resolvi deixar o sofá e a reflexão de lado e encarar o tom monocromático do dia e dos prédios paulistanos.

Fui testar um dos roteiros temáticos que o site oficial do turismo da cidade de São Paulo propõe. São 9 no total e o meu eleito foi Arquitetura pelo Centro Histórico. Mas também pretendo fazer os dedicados à Arte Urbana e ao Café em breve.

O serviço do site é bem-feito. Há o mapa indicando o caminho a ser percorrido a pé e um guia com explicação de cada ponto de parada. Tudo em português e inglês. Dá para imprimir ou acompanhar pelo celular.

O percurso começa no Mosteiro de São Bento (metrô São Bento). Recomendamos chegar pela manhã e recarregar as energias no Café Girondino, que fica em frente ao mosteiro e tem um clima de São Paulo antiga. Se quiser fazer um lanchinho mais rápido, um pouco mais à frente, na Rua Líbero Badaró, há o Café Martinelli-Midi, também com ares de anos 20.

Mesmo satisfeito, vai ser difícil sair sem uma sacolinha da padaria que fica dentro do Mosteiro. São bolos, pães e biscoitos fresquinhos feitos a partir de receitas criadas pelos monges. Adorei o pão São Bento, feito de mandioquinha, e o bolo Laetare, de amêndoas, limão e canela.

O roteiro segue por edifícios como o Martinelli e o Altino Arantes (o do Banespa) – que permitem visitação – e o Guinle, considerado o primeiro arranha-céu da cidade, entre outros. Também passa pelo Pateo do Collegio, marco-zero de São Paulo que tem museu, jardim e café.

Não deixe de entrar na Caixa Cultural, já ao lado da Catedral da Sé. Com aquele visual austero e pomposo das antigas agências bancárias, o espaço sempre tem exposições interessantíssimas. Quando passei por lá, vi Miró, fotografias antigas de São Paulo e grafite!

Escultura "O Beijo Eterno", que fica em frente à Faculdade de Direito do Largo São Francisco
Escultura “O Beijo Eterno”, que fica em frente à Faculdade de Direito do Largo São Francisco

 

Se o cansaço bater e você quiser encurtar o caminho, sugiro não contornar a Sé e ir direto para o Largo São Francisco, conferir o prédio da Faculdade de Direito e a célebre escultura “O Beijo Eterno”, que mostra um europeu beijando uma índia.

O tour termina depois de se atravessar o Viaduto do Chá, no Teatro Municipal.

Aprovei!

Mais alguém já fez ou indicou os roteiros do site da SPTuris? O que achou?

 Imagens: Marina Monzillo