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Café da manhã

O que dar para as crianças comerem em Londres?

Em Londres come-se muito pior que na Itália, onde moro e estou acostumada a comer bem.

E sempre fui muito preocupada com a alimentação da minha filha. Gosto que ela coma coisas saudáveis nos horários certos. Depois que ela fez 2 anos, libero um chocolatinho de vez em quando, ou sorvete. Mas fritura e porcarias industrializadas não têm vez em casa. Na nossa viagem à Inglaterra (confira o relato aqui), tive que respirar fundo. Ela, um dia, almoçou batata frita. E comeu batata chips no avião, porque o voo atrasou. E, no geral, achei que pagamos muito caro nos restaurantes para comermos mal.

 

Não recomendo

 

Serpentine Bar & Kitchen
Só bonito O Serpentine fica no Hyde Park e, claro, é bem turístico. A comida não fica a altura do cenário

 

O restaurante Serpentine Bar & Kitchen, super descolado, lindo, com uma vista incrível- porque fica bem no meio do Hyde Park -deixou a desejar. A conta veio alta (quase 50 libras em dois pratos simples) para comer um hambúrguer seco. Valeu pela paisagem. Voltaria na próxima vez para tomar um suco e não para uma refeição completa.

Recomendo

Paramos em vários restaurantes até percebemos que o que funcionava para a Alice era a rede Pret a Manger, que você encontra em qualquer lugar. Eles têm sanduíches, massas, saladas e sopas que vêm em copo. Inclusive com ingredientes orgânicos. E várias opções de sucos de fruta.

O que não chegamos a experimentar – porque cansamos de restaurantes e Alice também -, mas poderia ter funcionado foi um indiano, para comer arroz com frango.

 

 

Rainforest Cafe
Estilo americano A lojinha temática precede o restaurante Rainforest Cafe, onde até chuva cai para divertir a turma

 

Um lugar que foi escolhido especialmente para a Alice foi o restaurante Rainforest Cafeem Piccadilly Circus. É inspirado em florestas tropicais. Simplesmente chove dentro do restaurante. As crianças ficam loucas.

A entrada é por uma loja de brinquedos com centenas de bichinhos de pelúcia tropicais, como cobras e sapos – tudo lindo. No canto, um jacaré mecânico nada numa piscina. Uma árvore no centro do salão conversa com as crianças. Para descer na “floresta”, há uma escadaria toda iluminada. E antes da “chuva”, muitas trovoadas (que até assustam).

Qualquer criança (ou adulto) pode comemorar o aniversário sem reservar antes, é só avisar na entrada e pedir uma sobremesa. Os garçons convocam todos para cantar “Happy Birthday”. Era o meu aniversário e cantaram para mim. O menu é bem variado, agrada crianças e adultos.

Dica de lanchinho

Leve na bolsa sempre aquelas super barras de cereais que são vendidas em qualquer supermercado e em muitas lanchonetes. São feitas geralmente de cereal e mel. Se você está no meio de uma atividade muito divertida e não tem como achar lugar pra almoçar, a barrona de cereal dá energia e segura as pontas.

Refeição para valorizar

É fácil encontrar lugares que servem o café da manhã inglês. O completo pode ser muito pesado pras crianças (porque tem feijão, tomate, carne temperada). Mas você tem a opção de pedir ovos mexidos, leite, cereal – a aveia com frutas vermelhas é um clássico inglês (foto no alto).

Reforçando o café da manhã e levando uma barra de cereal na bolsa, você consegue aproveitar mais tempo até fazer um almoço/lanche mais tarde.

 

Imagens: Juliana Lopes, Karen Bryan/Creative Commons e Photo Dollar Club.

 

Micaela_cuscuz de galinha_Gladstone Campos01

A+V adora: restaurante Micaela

Em um sobrado de esquina, em um pedaço menos badalado dos Jardins, fica o Micaela, que bem podia estar em Tiradentes, Ouro Preto ou em alguma cidadezinha do vale do Paraíba, porque tem aquele jeitinho mineiro ou do interior paulista, tão brasileiro, tão acolhedor. Um detalhe na parede dá o clima: uma imagem de São Francisco de Assis encaixada entre os tijolos aparentes do interior da casa.

O chef Fabio Vieira é o proprietário. Já o conhecia do seu antigo endereço, a Casa de Maria Madalena, onde fomos atendidos de forma tão carinhosa, que não nos esquecemos.  Em uma ocasião, ao perceber minha filha, ainda bebê, no carrinho, ele veio até a mesa especialmente para perguntar se gostaríamos que preparasse uma papinha para ela. Nunca aconteceu em nenhum outro restaurante!

Alguns pratos desenvolvidos na cozinha anterior continuam com nova apresentação, como a reconfortante canjiquinha de camarão e linguiça (R$ 40) e os pintxos (massa) de tapioca com shimeji, queijo manteiga e rúcula selvagem (R$ 24) – descendente de espanhóis e com passagem por Barcelona, o chef mistura toques hispânicos em suas criações. Não espere o tradicional, os ingredientes familiares estão a serviço da inventividade e técnica do chef.

Eis a canjiquinha de camarão e linguiça
Eis a canjiquinha de camarão e linguiça

 

Desta vez conheci o biscoitão mineiro (R$ 25), com polvilho e carne de sol, que coloca os pães de queijo comuns no chinelo. E o cuscuz de galinha (R$ 29) que leva um toque de cachaça e fica molhadinho. Para acompanhar tudo isso, cachaças como a Claudionor, Vale Verde e Lua Nova.

Se você acha difícil encontrar algo mais delicioso que pão de queijo é porque ainda não conhece este biscoitão mineiro
Se você acha difícil encontrar algo mais delicioso que pão de queijo é porque ainda não conhece este biscoitão mineiro

 

Enquanto preparávamos este texto, Fabio Vieira ganhou o prêmio de chef revelação da edição 2014 da Veja São Paulo Comer & Beber. Merecido.

Micaela R. José Maria Lisboa, 228 , 11 3473-6849. Seg. à sex., 12h-15h30; 19h-23h. Sáb., 12h-16h30; 19h-23h.

Fotos: Divulgação/Gladstone Campos

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Para comer bem na Costa Rica

Nem só de açaí na tigela vive um surfista. Pelo menos, não no nosso caso. Em nossas viagens para pegar onda, eu a minha mulher adoramos sair famintos do mar e encontrar um lugarzinho despojado e amistoso, mas que sirva uma comida caprichada, que valha como uma experiência gastronômica e que, de preferência, valorize ingredientes locais. Em nossa última incursão pela Costa Rica passamos pela península de Puntarenas, na costa do oceano Pacífico, e conhecemos dois restaurantes que valeram a pena. Aqui vão as dicas:


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Arigato, na Playa Jaco

A Playa Jaco fica a cerca de uma hora de carro da capital San Jose. O vilarejo tem menos de 3 km de extensão, pouco mais de 10 mil habitantes, mas é a praia que mais recebe turistas da Costa Rica. Com várias opções de hotéis e pousadas e boa variedade de restaurantes, tem ainda boas ondas o ano todo e serve de base para quem quer surfar em praias próximas como Hermosa, Esterillos e Boca Barranca.

Um dos melhores restaurantes de Jaco chama-se Arigato. O dono e chef, Rudy Aizawa, é um japonês que deixou sua cidade natal, Yokohama, 13 anos atrás para morar na Califórnia em busca de boas ondas. Porém, cansado das águas frias da Califa, procurou um lugar com mar quente e bom para o surfe o ano todo, e foi parar na Costa Rica. Lá, começou primeiro com um serviço de catering e, há 3 anos, abriu o Arigato, na parte mais movimentada da principal rua de Jaco.

O restaurante funciona apenas no jantar, para que o dono e todos seus funcionários possam surfar de manhã. Isso faz parte da filosofia de Rudy, que faz questão de ter funcionários felizes e motivados e ajuda a criar a ótima vibe do local.

A filosofia de trabalho do Arigato dá um toque especial ao serviço, ao ambiente e à comida
A filosofia de trabalho do Arigato dá um toque especial ao serviço, ao ambiente e à comida

 

Dentre o vasto cardápio, a melhor pedida foi o Jaco Roll, criado pelo próprio Rudy, misturando sabores da cozinha japonesa com ingredientes locais da Costa Rica. Leva salmão, abacate, banana-da-terra madura, cream cheese e pepino. Para acompanhar, vai muito bem uma gelada cerveja Saporo, japonesa – ou mesmo a ótima Imperial, produção 100% costa-riquenha.

O Jaco Roll, a especialidade da casa, é uma mistura de ingredientes costa-riquenhos e japoneses
O Jaco Roll, a especialidade da casa, é uma mistura de ingredientes costa-riquenhos e japoneses

 

Bakery Pastry Bistro, na Playa Carmen

A região de Mal Pais e Santa Teresa é uma das mais remotas e também mais bonitas da Costa Rica. Uma viagem de cinco horas, sendo uma delas em um ferry boat, atravessam a Península de Puntarenas até chegar no ponto mais a oeste do país.

De acordo com a revista Forbes, Mal Pais está entre as 10 praias mais bonitas do mundo e celebridades como Gisele Bündchen tem casa por lá. Com areias e águas claras , praia deserta e muita natureza, a região lembra o Nordeste do Brasil também pela quantidade de estrangeiros que se mudaram para o local.

Desses, três belgas e três israelenses se juntaram há 6 anos para abrir o Bakery Pastry Bistro (na foto ao alto). Essa pequena e charmosa casa serve, do café da manhã ao jantar, pratos muito bem elaborados e deliciosos. Com receitas delicadas que os três sócios de Israel buscam em constantes viagens e cursos ao próprio país natal e à Europa, fica difícil escolher entre tantas opções no cardápio. O ideal é fazer várias visitas ao bistrô durante a estadia por lá.

O Bakery Pastry Bistro tem uma grande variedade de pratos que valem várias visitas ao local
O Bakery Pastry Bistro tem uma grande variedade de pratos que valem várias visitas ao local

 

O destaque é o café da manhã, em especial as panquecas recheadas com fruta, ou o waffle crocante e leve, também guarnecido de salada de frutas. Outras especialidades são os croissants e o cheesecake de maracujá. Mas ali, até o simples café com leite também é maravilhoso.

Os pratos do Bakery Pastri Bistro são frutos de pesquisas feitas pelos 3 donos em Israel e na Europa
Os pratos do Bakery Pastry Bistro são frutos de pesquisas feitas pelos 3 donos em Israel e na Europa

 Colaborou: Flávia Monzillo
Imagens: Mario Manzoli

Quer mais dicas da Costa Rica? Pergunte para a gente!

 

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5 lugares imperdíveis para comer em Buenos Aires

Carne, tango e doce de leite. Se essas fossem as únicas palavras para uma charada de destino de viagem, aposto que você diria “Buenos Aires, óbvio!”. Exatamente. “Óbvio”, bem óbvio. Nas sugestões a seguir, não pense que a proposta é fugir dessas delícias portenhas. A ideia é seguir para cantinhos que fogem do circuito turistão e explorar uma gastronomia tão local quanto saborosa.

1. Desnível
Se você não se programar para ir até o Desnível quando estiver passeando pela região de San Telmo, vai por mim: ele vai passar despercebido. A não ser que você tenha o olhar além do alcance e perceba que, por trás da fachada poluída existe uma das carnes mais macias e suculentas que você poderá experimentar na vida. O que era um lugar para almoço somente dos locais, com porções muito bem servidas e no ponto certo para o gosto dos argentinos, já há algum tempo se tornou um ponto disputado e bastante lotado. Se você é do tipo engomadinho, deixe a frescura de lado e entregue-se para o charme desse restaurante pé-sujo de preços amigáveis. E se você for do tipo de turista que não quer topar com turista, chegou tarde, o lugar acabou sendo ‘descoberto’. Não implica, vai. Dica: muitos pratos são bem servidos e, se a fome não for de leão, divida!

2. Dadá Bistrô
Um casal de amigos muito queridos – e exigentes – foi quem me soprou esse lugar. “O Dadá fica em uma ruela estreita do centro comercial, a poucas quadras da praça San Martin. Tem decoração de inspiração francesa e dadaísta. É bem descolado, mas pequeno, por isso, é legal reservar antes.” E foi com essa descrição que passei uma noite de ventinho frio de agosto na companhia de duas amigas, além de algumas garrafas de vinho e o ‘lomo Dadá’ (um medalhão com gratin de batatas). Algum tempo depois, descobri que esse lugar é citado regularmente como um dos preferidos dos portenhos. Faz todo o sentido.

3. Il Ballo del Mattone
Essa trattoria conseguiu um feito: unir em um único espaço o aconchego da nonna sem espantar jovens modernos. Em outras palavras, o Il Ballo conseguiu fazer de uma cantina um espaço em que o kitsch e a cafonice se transformassem em sinônimos para pop e cool. Tudo isso sem deixar cair a bola, em nenhum momento, da boa comida italiana de pegada caseira. Ok, mas você pode estar pensando: “Estou farto de hipsters e não estou nem aí para ambientes moderninhos. Quero apenas ir a um lugar tranquilo comer uma bela macarronada ou uma pizza bem-feita”. Pronto. É por isso que eu gostei tanto dessa cantina, porque, não se esqueça, em coração de mamma italiana cabe todo tipo de gente (e bolso!). Vai lá.

Il Ballo del Mattone é uma animada cantina italiana
Il Ballo del Mattone é uma animada cantina italiana

 

4. Milion
Não vou me esquecer jamais da noite em que passamos sentadas no balcão do bar, provando tantas e diversas invenções do bartender – algumas por conta da casa. O antigo casarão transformado em bar e restaurante é desses lugares que estimulam os sentidos, sobretudo, a visão e o paladar. O casarão lindo-de-morrer tem muitos ângulos para fotos incríveis – tente fazer uma do caracol (bem, o formato é mais quadrangular) da escada, uma selfie no bar com o quadro emblemático ao fundo ou ainda uma da escadaria de mármore que dá para o quintal, onde fica o fumódromo ao ar livre. Para todo o lado, o que se vê é beleza arquitetônica do passado e um ar de luxúria aos sortudos que estão ali. No primeiro andar, desfrute de uma cozinha internacional argentina, especialmente quando você já estiver cansado dos cortes de carne da cidade; e, no segundo, delicie-se com seja lá o que o bartender da ocasião sugerir. Você não vai se arrepender.

5. Oui Oui
Palermo é um dos meus bairros favoritos e tem um aspecto familiar para mim quando penso em lugares como Vila Madalena, em São Paulo, ou Marais, em Paris. Tomar um café da manhã ou um brunch no começo da tarde são boas opções para se ter essa experiência portenha nesse café meio boulangerie de inspiração francesa (na foto), seja na companhia de amigos ou de um livro. As omeletes com saladas são deliciosas, sem contar as sobremesas e pães de todos os tipos. Eu acho inspirador, charmoso e um desses lugares em que dá até para você ficar trabalhando no computador, tomando um suco ou um café. Experimente.

Seguiu o roteiro? Conte-nos o que achou!

 Imagens: Divulgação