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Polignano a Mare

Um grande segredo italiano: a Puglia

Eu adoro planejar viagens. Mas as melhores viagens da minha vida foram as menos planejadas. É o paradoxo desta viajante. 😉

A falta de expectativa faz tudo ser surpreendente. Quando se espera muito de um lugar, de uma experiência, a realidade dificilmente supera o sonho.

A mais recente prova de que isso é a minha verdade foram os dias que passei na região da Puglia, na Itália.

 

Centro histórico de Polignano a Mare
Acima do Adriático O centro histórico de Polignano a Mare é charmoso e fica sobre as falésias que descem perpendiculares ao oceano

 

A Puglia fica no calcanhar da Bota, sua principal cidade e porta de entrada é a portuária Bari. A região faz algum sucesso com os europeus, mas os brasileiros que vão para lá, em geral, são sempre os descendentes de imigrantes pugliesi.

Fui parar em Polignano a Mare, um pequeno balneário a menos de uma hora de Bari, porque meu marido queria encontrar amigos do perfil imigrante/descendente. Não pesquisei muito. Era o fim de um planejadíssimo roteiro (Londres e sul da Croácia), durante o alto verão europeu, e o que conhecêssemos ali seria lucro da xepa das férias.

Mas foi I-N-C-R-Í-V-E-L. Abaixo, conto tudo que amei na Puglia.

Para onde ir

Polignano a Mare é bonita de um jeito despojado e autêntico. Como o turismo em massa – nos moldes de Veneza, Roma e Florença – ainda não chegou por lá, a cidadezinha não tem nada de fake, de pegadinha, de abusivo $$$.

Em julho, a praia fica cheia (principalmente de italianos), os restaurantes e o centro histórico, agitados, mas tudo na medida certa.
O cartão-postal de tirar o fôlego é a enseada que fica aos pés do centro histórico. A cor do mar é de um degradê verde-azulado, e compõe com as falésias douradas e as construções acima delas uma vista que acaricia os olhos e a alma. Eu ficava feliz e revigorada só de olhar para aquela paisagem diariamente.

 

Covo dei Saraceni
Buongiorno! Que tal acordar com essa vista? É da janela do hotel Covo Dei Saraceni

 

 

A pequena praia ali se chama Lama Monachile. Nós, brasileiros, temos referências muito específicas quando o assunto é praia. Mas nem é preciso fazer um esforço de desprendimento para achar uma lindeza a prainha de pedras de Polignano.

 

Onde ficar
A experiência toda em Polignano ficou ainda mais deliciosa porque nos hospedamos no hotel Covo dei Saraceni, que tem a localização como principal atrativo: encarapitado no precipício para a tal enseada de mar e pedra. E também é muito confortável e decorado com um charme que combina com o cenário ao redor.
Seu restaurante, Il Bastione, recebe também quem não é hóspede. Nos ofereceram prosecco assim que nos sentamos, mas logo em seguida nos levantamos para escolher o nosso peixe em uma bancada onde havia frutos do mar tirados naquele dia mesmo do Adriático, que se estendia à nossa frente. Comemos muito bem, com o ventinho leve que vinha do oceano e a lua cheia no céu.

 

Peixe (quase) vivo Os pescados saem do mar pouco tempo antes de serem servidos no restaurante Il Bastione
Peixe (quase) vivo Os pescados saem do mar pouco tempo antes de serem servidos no restaurante Il Bastione

 

O que fazer

1. Praias
Para quem fica no Covo dei Saraceni, a praia mais próxima é Lama Monachile. Você pega uma descida de paralelepípedos que, dizem, foi a estrada usada pelos soldados romanos rumo à Sicília, e chegou. Se sentar-se em pedras quentes não lhe agrada, garanta uma espreguiçadeira no platô gramado do bar Fly – Sun, Food, Drink. Quando a fome bater, se mude para uma das mesinhas de madeira no terraço acima e peça o cavatelli (massa típica da Puglia) com vôngole. Foi um sabor que ficou na minha memória.

O banho de mar ali é especial. O mar costuma ser calmo como piscina. Você entra pisando com cautela nas pedras e logo perde o chão, mas não se preocupe. A água, de alta salinidade, não deixa o corpo afundar. Nem precisa bater braços e pernas. Você fica ali, mirando o horizonte à sua frente, e agradecendo ao cosmos pela oportunidade de estar lá.

Quem não estiver no modo mergulho emotivo-espiritual 😉 pode se aventurar pelas pequenas grutas que permeiam os paredões. Só precisa tomar cuidado, encostar nas pedras, mesmo que de leve, significa sair sangrando do mar!
Não muito longe dali, fica outra famosa – e bonita – praia do pedaço, Cala Paura. Se eu tivesse tido mais um dia em Polignano, era pra lá que teria ido.

 

Verão europeu Quem se habilita a pular das pedras? Muitos jovens italianos!
Verão europeu Quem se habilita a pular das pedras? Muitos jovens italianos!

 

2. Centro Histórico
O centro histórico é o destino dos fins da tarde e das noites quentes de verão. As ruas ao redor são fechadas para os carros e a Piazza Giuseppe Verdi vira ponto de encontro. Jantamos em uma pizzaria da praça, minha filha deu uma volta no carrossel e depois fomos andando para a sorveteria Bella Blu. Achava que o gelato de pistache da Stuzzi, em São Paulo, seria sempre o melhor da minha vida. Mas o de lá me deixou bem na dúvida quanto a isso.

Arredores de Polignano a Mare

Um dia é suficiente para conhecer três lugares bem bacanas nos arredores de Polignano: Alberobello, Locorotondo e Grotta della Castellana. Mas é bem provável se apaixonar por eles e querer voltar nos dias subsequentes.

 

Mapa Puglia
Tudo pertinho Em apenas um dia, dá para conhecer Locorotondo, Alberobello e Gruta Della Castellana

 

 

1. Alberobello
É a cidade dos trulli, casinhas feitas de pedra, no formato cônico, características dessa região da Puglia. Elas se enfileiram colina acima até a igreja feita nos mesmos moldes. Por sua arquitetura única, Alberobello é Patrimônio Cultural da Humanidade.

 

Trulli de Alberobello
Fui morar numa casinha Essas construções trulli, com telhado cônico em pedra, são únicas no mundo

 

2. Locorotondo
O guia Lonely Planet diz que o centro histórico de Locorotondo é o mais bonito da Puglia. De fato, é lindo. Edifícios e casas pintados de tons bem clarinhos contrastam com o céu azul, as flores coloridas nas janelas e, as frutas nos cestos nas fachadas do comércio. Passamos uma manhã lá e usamos muita memória da máquina fotográfica.

 

Locorotondo
Flores e frutas Locorotondo é perfeita para uma gastar uma manhã de sol

 

3. Gruta della Castellana
Para ecoturistas experientes, talvez esta seja apenas mais uma gruta. Para nós, foi uma experiência maravilhosa entrar e observar as formações de pedra em diferentes galerias subterrâneas, sem perigo algum – há pavimento, corrimão e iluminação. Vale muito a visita. Existe um circuito curto, de uma hora, e um longo, de duas.

 

No subterrâneo As fotos não fazem jus às luzes, cores e formas da gruta
No subterrâneo As fotos não fazem jus às luzes, cores e formas da gruta

 

4.Conversano
Conversano é a cidade com mais estrutura próxima a Polignano. É onde as crianças locais vão à escola, por exemplo. Para nós, turistas, é um local de bons restaurantes, como o +39. Recomendo esquecer dos primi e secondi piatti. Fique apenas nos antepasti. Peça uma variedade e se envolva na difícil tarefa de eleger o melhor, eu aposto no empanado de fiori de zucca (flor de abóbora).

Imagens: Marina Monzillo e Luis Eduardo Maino

The Breakers

Resort perfeito existe?

Resorts nunca me atraíram. Viagens em que o hotel é a principal atração iam contra o meu conceito de viajante, que sempre foi conhecer paisagens, culturas, pessoas diferentes, ter experiências que me tirem da minha bolha, do meu universo particular.

Mas esse pensamento suavizou quando embarquei na vida adulta para valer. Quando você passa o ano todo dormindo menos do que precisa ou gostaria, tem pouquíssimo tempo para si mesma e muitos itens na agenda para se preocupar, lembrar e executar, intercalar uma ida à Macchu Picchu e outra à Praga com uma escapada sem mapa, sem roteiro, só cuca fresca e alguns mimos, começa a soar interessante – muito interessante.

E quando você tem crianças, então, aí é quase impossível fugir dos resorts. Entretê-las o dia todo durante todo o período de férias é cansativo. Ter a ajuda de uma ou mais piscinas, sala de jogos, quadra, playground e equipe de recreadores, entre outras atrações, é tudo que você deseja.

 

Vista aérea de Palm Beach
Vista aérea Precisei virar mãe para me render – apenas na teoria, por enquanto – aos encantos de um beach resort

 

Então, é isso. Eu já não torço o nariz para resorts e, na verdade, até sonho com um feriado prolongado em uma espreguiçadeira diante de uma piscina gigante com serviço de bar.

E aí você me pergunta, para quantos resorts você já foi? Respondo: nenhum. Sabe porquê? Já que a hospedagem vai ser o motivo único da viagem, eu quero ir para o resort perfeito – pelo menos, perfeito para mim. Isso significa:

  1. Tô fora de all inclusive
    Assistir a uma turma exagerando na cerveja e no uísque e passando mal dentro da piscina não é o meu ideal de férias. E eu sou mais da qualidade do que da quantidade em muitas questões, mas, principalmente, na bebida e na comida.
  1. Recreação para adultos, nem pensar
    Monitor me puxando para a aula de lambaeróbica também não está nos meus planos.
  1. Não pode ser totalmente voltado para crianças
    Desculpe a arrogância, mas se eu quisesse tomar café da manhã com personagens, iria para a Disney. As férias também são minhas!
  1. Não custar mais caro que uma viagem à Disney
    Encontrar bom gosto, boas instalações, bom serviço, boa comida, e ainda achar um preço justo é, talvez, o maior desafio nessa lista.
 Será que eu encontrei?

Recentemente, eu fiquei com vontade de conhecer um resort que parece se encaixar nos meus requisitos: o The Breakers, em Palm Beach, na Flórida. Por que esse hotel a pouco mais de uma hora de Miami me parece promissor:

  1.  Hóspedes interessados em descanso e atividades outdoors
    O The Breakers atrai famílias com crianças e casais (há área para realização de casamentos dentro do hotel). Tive a impressão que o público ali, em geral,  é menos interessado em compras e mais em atividades como mergulho, pesca, ioga, golfe, stand-up paddle etc.

 

Playground
Cada um na sua Os hóspedes mirins têm espaços especiais para eles no The Breakers

 

  1. É uma propriedade histórica
    A imponente construção é de 1896 e pertencia à família aristocrática Flagler. Ali eles hospedavam os amigos que escapavam do inverno do norte dos EUA para as temperaturas amenas da Flórida.  Durante a 2a Guerra Mundial, o The Breakers, já um hotel, foi temporariamente transformado em hospital. Há um Museu Flagler em Palm Beach para quem quiser ter uma aulinha de história para variar.

 

O restaurante HMF
Lendário O restaurante HMF homenageia o antigo proprietário do The Breakers, o magnata Henry Morrison Flagler

 

  1. Focado nas crianças e nos adultos
    O resort parece pensar em tudo para agradar desde recém-casados até crianças– passando pelos pais exaustos. Aproveitando o enorme terreno que ocupa, o The Breakers criou áreas específicas para cada perfil. São quatro piscinas, por exemplo. Enquanto uma não tem degraus e vai afundando suavemente, como uma praia, consequentemente mais segura para os pequenos, tem outra em que celulares não são permitidos. Deu para entender a proposta? O mesmo acontece com os restaurantes – são oito no total. Um deles, italiano, é separado do Kids Club por uma grande parede de vidro. Perfeito para pais jantarem tranquilos enquanto os filhos não querem parar de brincar. Por outro lado, o HMF é para jantares mais sofisticados e crianças só são bem vindas até determinado horário.

 

  1. E por falar em crianças…
    A lista de serviços e instalações para famílias é bem completa: existem suítes conectadas, um prédio inteiro com salas de atividades infantis (separadas por idade) e serviço de baby-sitter. Na hora da reserva, você informa a idade dos seus filhos e, se tiver bebês, o quarto é preparado para eles. Isso significa que somem sacolas plásticas e tomadas são protegidas, assim como as quinas dos móveis. Você pode solicitar aquecedores de mamadeiras, banheiras, berços e trocadores. Para os maiorzinhos, há banquinhos para alcançar a pia.

 

Active Pool, do The Breakers
Mergulho suave A Active Pool, piscina destinada às famílias, não tem degraus para entrar

 

 

  1. Vai encarar?
    É um hotel para poucos, principalmente entre dezembro e fevereiro, quando a diária chega a US$ 9.000!  Mas, em julho, quando os americanos acham a Flórida quente demais para o gosto deles, as tarifas caem vertiginosamente. Podem chegar a US$ 429, com a vantagem de que crianças abaixo de 12 anos têm refeições gratuitas nos restaurantes do hotel.

 Imagens: Divulgação/The Breakers

Vai um biscoito Globo aí?

Três dias de uma garotinha no Rio de Janeiro

“Eu vou ver o Blu!” Foi assim que minha filha avisou a todos que iria passar alguns dias no Rio de Janeiro. O personagem dos filmes de animação “Rio” e “Rio 2” foi sua associação imediata quando eu lhe contei o nosso destino.

Chegando lá, porém, havia tanto o que fazer, que a caça à fictícia arara azul ficou praticamente esquecida. Um lugar que tem praia, bondinho, Cristo Redentor e Maracanã já exerce encantamento natural nos paulistinhas, mas o que fazer com uma garotinha de 3 anos no verão carioca?

1. Lagoa Rodrigo de Freitas

BICICLETA – A Lagoa me parecia um dos lugares mais óbvios para entreter crianças e, de fato, é. Perto do quiosque Palaphita Kitch, existem pedalinhos e bicicletas para alugar. Como éramos dois adultos e uma criança, optamos por um quadriciclo que parece uma espécie de carruagem. São duas bicicletas paralelas e um banquinho para a criança ir à frente (30 minutos por R$ 15).

 

Quadriciclo na Lagoa
Penélopes Charmosas O quadriciclo familiar cor-de-rosa e os pedalinhos da Lagoa ao fundo

 

PIQUENIQUE – Fiquei encantada de ver grupos fazendo piqueniques no fim de tarde, principalmente pela superprodução dos convescotes – sério, mereciam esse nome pomposo! Mesinhas feitas com caixotes de feira, enfeitadas com toalhas coloridas de chita, vasinhos de flores e lanternas japonesas. Se já não bastasse a linda vista. Existem empresas que estão fazendo o maior sucesso organizando esses eventos, como a Vem pro Piquenique. Adorei.

2. Flamengo

PARQUE – Eu sempre passei pelo Aterro do Flamengo. Vindo do aeroporto, a caminho das praias ou em direção à Lapa. E invariavelmente perdia o fôlego com a beleza exótica dos jardins projetados por Burle Marx, com as curvas e barcos da Marina da Glória, com a vista da Urca e do Pão de Açúcar. Mas eu nunca tinha aproveitado o Flamengo. Desta vez, fui caminhar pelo Aterro. Minha filha se cansou um pouco – me arrependi de não ter levado o carrinho (seeempre se deve levar carrinho em viagens) – mas foi bacana, encontramos alguns músicos, muitos corredores de fim de semana e uma quantidade ainda maior de crianças.

 

Aterro de Flamengo
Palmeiras O paisagismo do Aterro do Flamengo foi feito por Burle Marx, mas o que vale mesmo pras crianças e o enorme espaço para correr e andar de bike

 

PARQUINHO – Na praça Cuauhtamoque, há dois parquinhos, com brinquedos de madeira para diferentes idades. Cercados e muito bem conservados, do tipo difícil de encontrar em espaços públicos.

 

Parquinho no Flamengo
Sou Flamengo! Difícil tirar a pequena do playground bem conservado e cheio de carioquinhas simpáticos

 

 3. Leblon

PRAIA – Fomos pegar praia em um domingo ensolarado e achei que encontraríamos as areias insuportavelmente abarrotadas, como nos feriados. Mas facilmente conquistamos um lugar ao sol, ou melhor, ao guarda-sol. A grande sacada foi levar uma piscininha inflável para a pequena se refrescar, porque o mar estava agitadíssimo, com ondas enormes, quase ninguém se arriscava a se molhar além das canelas.

 

Praia do Leblon
Água salgada Em dia de mar revolto, a piscininha inflável refresca e diverte

 

COMIDINHA DE PRAIA – E ela também se esbaldou com a oferta de comidinhas. Tomou água de coco, comeu esfiha de queijo, milho da espiga (ela só conhecia no copinho) e muito, muito biscoito Globo (preferiu o salgado ao doce).
QUIOSQUE KIDS FRIENDLY – O fim de tarde foi tudo aquilo pelo qual uma paulista suspira: sentei no calçadão da orla, papeando com uma amiga, enquanto minha filha fazia suas próprias amizades cariocas no Baixo Bebê. Apesar do nome, o quiosque é perfeito mesmo para crianças a partir de dois anos porque tem um parquinho na areia, com escorregador, casinha de bonecas e afins, tudo de plástico, tudo cercado.

 

Baixo Bebê
Desce pra praia Em vez de tanque de areia, o parquinho do baixo Bebê tem a própria areia do Leblon à disposição da garotada

 

VISTA – Quando o sol se escondeu atrás do morro Dois Irmãos, mostrei para a pequena o luminoso do Hotel Marina – ela achou um barato aquelas letras vermelhas no alto do prédio significarem o nome da mãe dela. Apontei também a luz intermitente do farol à frente, e cantei a música da Marina Lima. Ela pediu bis. :-)

Imagens: Marina Monzillo e Simone Bessa/Creative Commons

abre paraty

Paraty e para crianças

Venho por meio deste (texto) rechaçar um mito: o de que Paraty não é destino para crianças pequenas.

Dá para entender o que faz as famílias com babies e toddlers pensarem na cidade litorânea como complicada. Preferida dos jovens casais paulistanos (e alguns cariocas, afinal, pertence ao Estado do Rio de Janeiro e fica mais próxima da capital fluminense do que da paulista), Paraty não faz o estilo pé-na-areia, tem a vida noturna como grande atrativo – são cada vez mais numerosos os bares e restaurantes com música ao vivo, quase sempre no estilo banquinho/MPB no violão – e o Centro Histórico tem aquele calçamento de pedras lindo, mas que impossibilita carrinhos de bebê e passinhos (ainda) hesitantes.

paraty
Pedra sobre pedra: o calçamento do Centro Histórico agrada aos adultos, mas atrapalha quem ainda dá passinhos hesitantes

 

De fato, curtir o charmoso Centro Histórico e seu comércio não foi o foco da minha quarta e mais recente ida à Paraty, a primeira com a pequena. Ela se cansava rápido de andar sobre as pedras e pedia colo. Mas isso não significa que aproveitamos menos. A seguir, meu roteiro de Paraty com uma criança de 3 anos:

1. Vá no verão

Paraty é incrível o ano inteiro, tem Festa Literária (FLIP), Festa do Divino, festival de fotografia (Paraty em Foco). Mas com criança, o melhor é ir mesmo durante o verão, curtir a natureza. Em algumas ilhas, dá para ver lagartos e micos. Catamos conchinhas aos montes e pegamos bolachas-do-mar na mão (e depois devolvemos!). E aproveitamos diariamente os sorvetes da Pistache ou do Finlandês – ambos no Centro Histórico.

2. Não fazer passeio de barco é perder o melhor de lá

Existem três opções: escuna, barco particular e lancha. Os preços são proporcionais ao conforto. Escunas levam grupos grandes, com duração, roteiro e trilha sonora (axé) pré-definidos. Os barcos de “pescador” dão mais liberdade porque levam apenas um ou dois grupos. Nós optamos pela lancha, que tem a mesma possibilidade de customização, mas é rápida, dá para ver mais em menos tempo. Valeu a pena.

 

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Parada para encher a barrigota: passear de lancha em Paraty é poder chegar na Ilha do Algodão

 

O ponto alto foi conhecer o Saco do Mamanguá, uma espécie de fiorde tropical, paredões verdes em uma baía linda. Na volta, paramos na Ilha do Algodão, para um almoço maravilhoso no restaurante do Hiltinho. Ao fim de cinco horas de passeio, minha filha já mergulhava da lateral da lancha no mar sem receio. A embarcação leva até 9 pessoas, e o preço varia de R$ 150 a R$ 200 a hora, na alta temporada.

3. Praias acessíveis de carro

Mas o melhor para crianças, sem dúvida, são algumas praias de mar calmo, quase piscina, que ficam no máximo a 15 quilômetros do centro.

– Barra do Corumbé

Pequena, com barquinhos de pescador, acesso pelo km 565 da Rio-Santos.

O melhor: o quiosque Cheiro de Camarão: arrumadinho, com deliciosos sucos, porções de frutos do mar generosas e bem feitas. A sombrinha do sapé é perfeita para a turminha brincar, enquanto os pais relaxam.

O lado ruim: a água do mar é turva por conta de folhas e algas, mas nada que impeça o banho.

 

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Sombra e calmaria: Barra do Corumbé nem tem o melhor banho de mar, mas tem o melhor quiosque!

 

– Paraty-Mirim

Acesso pelo km 593 da Rio-Santos, e mais 7 Km de estrada de terra. Me lembrou a Guarda do Embaú (SC) por conta do vento incessante e do encontro do mar com o rio.
O melhor: a praia é linda, o mar é límpido e calmíssimo. Difícil ter vontade de sair da água e impossível tirar a criançada de lá.
O lado ruim: A estrutura. O melhor dos mundos seria um quiosque como o Cheiro de Camarão em Paraty-Mirim.

 

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Mar rasinho toda a vida: é assim a praia de Paraty-Mirim, cercada por um banco de areia

 

Fotos: Marina Monzillo e Otávio Nogueira/Creative Commons

resort

Barreira de Corais e Outback: a Austrália em dois resorts de luxo

Se você, como eu, tem filhos adolescentes ou pré-adolescentes, férias são sempre precedidas por extensas negociações a respeito de onde ir, quanto tempo ficar, que tipo de programa fazer. Este ano não foi exceção e, depois de muito debate, minha mulher e eu fomos convencidos a passar 21 horas em trânsito (a partir de Nova York) a caminho da Austrália. E, claro, outro dia quase inteiro pra voltar! A overdose de avião costuma desanimar muita gente quando se fala em Oceania, mas vou contar como para nós, valeu a pena. Para a coisa ficar mais equilibrada, nós, adultos, impusemos algumas condições: bons hotéis, bons restaurantes (significando refeições em família), algumas atividades intercaladas com dias de descanso. Chamam-se “férias”, afinal de contas! Então, aqui vai o nosso roteiro, que passou por um pouco de tudo que o país oferece: cidade, praia, e montanha. Com direito a muitos cangurus e dois resorts de luxo espetaculares.

Sydney

Cidade grande, cosmopolita, fácil de andar e com muitas opções para passear. Ficamos em um hotel próximo à área chamada The Rocks, onde fica o famoso prédio da Ópera de Sydney, projetado pelo arquiteto dinamarquês Jørn Utzon no final dos anos 1950 e aberto ao público em 1973. Em frente à baía, e cheia de bares, restaurantes e lojinhas, além do Sydney Aquarium e do Museum of Contemporary Art (a entrada é grátis), a região é parada obrigatória para turistas e locais, com um sistema de balsas para ir de um lado da baía para outro.

Na baía de Sydney estão localizados bons bares, restaurantes e hotéis, além de um dos cartões-postais da Austrália, a Ópera da cidade
Na baía de Sydney estão localizados bons bares, restaurantes e hotéis, além de um dos cartões-postais da Austrália, a Ópera da cidade

 

Tomando uma destas balsas, depois de 20 minutos você chega ao Taronga Zoo, um zoológico com todo tipo de animal (incluindo fofíssimos coalas) e vistas imbatíveis da cidade. A área é muito bem organizada e fácil de circular, com pavilhões fechados e partes abertas em sucessão. Vale o passeio. Claro que Sydney tem inúmeras atrações, mas, com poucos dias na cidade e em um grupo heterogêneo, optamos por focar na região em que estávamos hospedados. Um passeio que pode ser feito em cerca de duas ou três horas e é bem bacana é uma caminhada pelo Jardim Botânico (aberto ao público), seguida de uma visita ao The Barracks (Hyde Park Barracks Museum), um museu que conta a história do país, que foi colonizado por condenados vindos da Inglaterra (e que passavam por este prédio para triagem), e terminando na monumental St. Mary’s Cathedral.

Whitsundays/Hayman Island

Depois desse monte de atrações turísticas, chegou a hora de descansar. Pegamos um voo (2h30) de Sydney até Hamilton, que é uma ilha no arquipélago de Whitsunday Islands, na parte nordeste da Austrália. De lá iríamos de barco até o nosso destino final, Hayman Island (na foto abaixo). Estas ilhas todas ficam próximas à famosa Grande Barreira de Coral (Great Barrier Reef), que aparece no filme Procurando Nemo, e é um oásis da fauna marinha do Oceano Pacífico.

 

O traslado, de cerca de 45 minutos, leva você até a doca exclusiva do único hotel da ilha, o One&Only (na foto ao alto). O O&O Hayman Island faz parte de uma rede de hotéis superluxuosos dos mesmos donos do famoso Atlantis, nas Bahamas, que inclui propriedades em Cidade do Cabo, Dubai e Ilhas Maldivas. Depois de uma reforma de US$ 80 milhões, o hotel reabriu as portas em julho de 2014, e ficou realmente sensacional.

O resort passou recentemente por uma reforma, ficando ainda mais bonito. A natureza, é claro, ajuda bastante
O resort passou recentemente por uma reforma, ficando ainda mais bonito. A natureza, é claro, ajuda bastante

 

A decoração é de muito bom gosto e superclean, o serviço excelente, e o hotel oferece uma série de atividades bacanas: mergulho de snorkel, passeio de jet-ski, scuba diving, e por aí vai. À noite, você pode escolher entre um restaurante italiano mais casual, um especializado em frutos do mar e sushi, ou uma experiência de alta gastronomia. Ou então simplesmente pedir room service e comer na sua sacada (todos os quartos são suítes com terraço, de frente para a praia ou para a piscina).

O serviço do One&Only e a paisagem deslumbrante da ilha fazem valer a pena a viagem de avião de Sydney e o translado de barco de Hamilton
O serviço do One&Only e a paisagem deslumbrante da ilha fazem valer a pena a viagem de avião de Sydney e o translado de barco de Hamilton

 

Wolgan Valley

Após alguns dias de sol à beira-mar, voltamos para Sydney e de lá fomos para o outback, a região mais para o interior, onde vê-se toda a fauna e flora tipicamente australianas. Durante a viagem, de cerca de três horas de carro, paramos nas fabulosas Blue Mountains, uma cordilheira que lembraria o Grand Canyon se não fosse…bem, azul-esverdeada ou verde-azulada — você escolhe. Na nossa parada, bem no meio da reserva que encampa as montanhas, pegamos um teleférico que nos levou até o vale que fica lá embaixo e volta. Um lugar incrível!

A região de Outback é ideal para quem quer curtir e observar a natureza
A região de Outback é ideal para quem quer curtir e observar a natureza

 

Nosso destino final foi novamente um hotel de primeira, o Wolgan Valley Resort, que é propriedade da companhia aérea Emirates, baseada em Dubai. Assim como a linha aérea, o resort está voltado para uma experiência única e inesquecível, com o benefício adicional de ter uma filosofia ecológica: fica no meio de uma gigantesca reserva natural de 4000 ha (40 km2), e foi o primeiro resort do mundo a obter a certificação de “emissão neutra de carbono”. Ter os mais diversos mimos a sua disposição em meio a natureza selvagem, não é algo que se experimenta todo dia!

O resort está localizado dentro de uma reserva natural de 40 quilômetros de extensão e as paisagens deixam o local ainda mais bonito e aconchegante
O resort está localizado dentro de uma reserva natural de 40 quilômetros de extensão e as paisagens deixam o local ainda mais bonito e aconchegante

 

Aqui os programas envolvem mais exercício. Passeios a cavalo, trilhas de mountain bike, safáris diurnos e noturnos para observar animais no seu habitat natural. De volta ao resort no final da tarde, à sua espera estão um spa maravilhoso, comida e vinhos de primeira (tanto australianos como neozelandeses), e uma bela suíte com piscina particular. Para ser bem tratado mesmo!

Para os apaixonados por vinhos, o resort dispõe de bons rótulos australianos e também neozelandeses
Para os apaixonados por vinhos, o resort dispõe de bons rótulos australianos e também neozelandeses

 

Quer fazer uma viagem de luxo pela Austrália? Temos mais dicas, é só pedir!

Imagens: Divulgação One&Only, Mauricio Morato e Getty Images

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Para comer bem na Costa Rica

Nem só de açaí na tigela vive um surfista. Pelo menos, não no nosso caso. Em nossas viagens para pegar onda, eu a minha mulher adoramos sair famintos do mar e encontrar um lugarzinho despojado e amistoso, mas que sirva uma comida caprichada, que valha como uma experiência gastronômica e que, de preferência, valorize ingredientes locais. Em nossa última incursão pela Costa Rica passamos pela península de Puntarenas, na costa do oceano Pacífico, e conhecemos dois restaurantes que valeram a pena. Aqui vão as dicas:


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Arigato, na Playa Jaco

A Playa Jaco fica a cerca de uma hora de carro da capital San Jose. O vilarejo tem menos de 3 km de extensão, pouco mais de 10 mil habitantes, mas é a praia que mais recebe turistas da Costa Rica. Com várias opções de hotéis e pousadas e boa variedade de restaurantes, tem ainda boas ondas o ano todo e serve de base para quem quer surfar em praias próximas como Hermosa, Esterillos e Boca Barranca.

Um dos melhores restaurantes de Jaco chama-se Arigato. O dono e chef, Rudy Aizawa, é um japonês que deixou sua cidade natal, Yokohama, 13 anos atrás para morar na Califórnia em busca de boas ondas. Porém, cansado das águas frias da Califa, procurou um lugar com mar quente e bom para o surfe o ano todo, e foi parar na Costa Rica. Lá, começou primeiro com um serviço de catering e, há 3 anos, abriu o Arigato, na parte mais movimentada da principal rua de Jaco.

O restaurante funciona apenas no jantar, para que o dono e todos seus funcionários possam surfar de manhã. Isso faz parte da filosofia de Rudy, que faz questão de ter funcionários felizes e motivados e ajuda a criar a ótima vibe do local.

A filosofia de trabalho do Arigato dá um toque especial ao serviço, ao ambiente e à comida
A filosofia de trabalho do Arigato dá um toque especial ao serviço, ao ambiente e à comida

 

Dentre o vasto cardápio, a melhor pedida foi o Jaco Roll, criado pelo próprio Rudy, misturando sabores da cozinha japonesa com ingredientes locais da Costa Rica. Leva salmão, abacate, banana-da-terra madura, cream cheese e pepino. Para acompanhar, vai muito bem uma gelada cerveja Saporo, japonesa – ou mesmo a ótima Imperial, produção 100% costa-riquenha.

O Jaco Roll, a especialidade da casa, é uma mistura de ingredientes costa-riquenhos e japoneses
O Jaco Roll, a especialidade da casa, é uma mistura de ingredientes costa-riquenhos e japoneses

 

Bakery Pastry Bistro, na Playa Carmen

A região de Mal Pais e Santa Teresa é uma das mais remotas e também mais bonitas da Costa Rica. Uma viagem de cinco horas, sendo uma delas em um ferry boat, atravessam a Península de Puntarenas até chegar no ponto mais a oeste do país.

De acordo com a revista Forbes, Mal Pais está entre as 10 praias mais bonitas do mundo e celebridades como Gisele Bündchen tem casa por lá. Com areias e águas claras , praia deserta e muita natureza, a região lembra o Nordeste do Brasil também pela quantidade de estrangeiros que se mudaram para o local.

Desses, três belgas e três israelenses se juntaram há 6 anos para abrir o Bakery Pastry Bistro (na foto ao alto). Essa pequena e charmosa casa serve, do café da manhã ao jantar, pratos muito bem elaborados e deliciosos. Com receitas delicadas que os três sócios de Israel buscam em constantes viagens e cursos ao próprio país natal e à Europa, fica difícil escolher entre tantas opções no cardápio. O ideal é fazer várias visitas ao bistrô durante a estadia por lá.

O Bakery Pastry Bistro tem uma grande variedade de pratos que valem várias visitas ao local
O Bakery Pastry Bistro tem uma grande variedade de pratos que valem várias visitas ao local

 

O destaque é o café da manhã, em especial as panquecas recheadas com fruta, ou o waffle crocante e leve, também guarnecido de salada de frutas. Outras especialidades são os croissants e o cheesecake de maracujá. Mas ali, até o simples café com leite também é maravilhoso.

Os pratos do Bakery Pastri Bistro são frutos de pesquisas feitas pelos 3 donos em Israel e na Europa
Os pratos do Bakery Pastry Bistro são frutos de pesquisas feitas pelos 3 donos em Israel e na Europa

 Colaborou: Flávia Monzillo
Imagens: Mario Manzoli

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