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Polignano a Mare

Um grande segredo italiano: a Puglia

Eu adoro planejar viagens. Mas as melhores viagens da minha vida foram as menos planejadas. É o paradoxo desta viajante. 😉

A falta de expectativa faz tudo ser surpreendente. Quando se espera muito de um lugar, de uma experiência, a realidade dificilmente supera o sonho.

A mais recente prova de que isso é a minha verdade foram os dias que passei na região da Puglia, na Itália.

 

Centro histórico de Polignano a Mare
Acima do Adriático O centro histórico de Polignano a Mare é charmoso e fica sobre as falésias que descem perpendiculares ao oceano

 

A Puglia fica no calcanhar da Bota, sua principal cidade e porta de entrada é a portuária Bari. A região faz algum sucesso com os europeus, mas os brasileiros que vão para lá, em geral, são sempre os descendentes de imigrantes pugliesi.

Fui parar em Polignano a Mare, um pequeno balneário a menos de uma hora de Bari, porque meu marido queria encontrar amigos do perfil imigrante/descendente. Não pesquisei muito. Era o fim de um planejadíssimo roteiro (Londres e sul da Croácia), durante o alto verão europeu, e o que conhecêssemos ali seria lucro da xepa das férias.

Mas foi I-N-C-R-Í-V-E-L. Abaixo, conto tudo que amei na Puglia.

Para onde ir

Polignano a Mare é bonita de um jeito despojado e autêntico. Como o turismo em massa – nos moldes de Veneza, Roma e Florença – ainda não chegou por lá, a cidadezinha não tem nada de fake, de pegadinha, de abusivo $$$.

Em julho, a praia fica cheia (principalmente de italianos), os restaurantes e o centro histórico, agitados, mas tudo na medida certa.
O cartão-postal de tirar o fôlego é a enseada que fica aos pés do centro histórico. A cor do mar é de um degradê verde-azulado, e compõe com as falésias douradas e as construções acima delas uma vista que acaricia os olhos e a alma. Eu ficava feliz e revigorada só de olhar para aquela paisagem diariamente.

 

Covo dei Saraceni
Buongiorno! Que tal acordar com essa vista? É da janela do hotel Covo Dei Saraceni

 

 

A pequena praia ali se chama Lama Monachile. Nós, brasileiros, temos referências muito específicas quando o assunto é praia. Mas nem é preciso fazer um esforço de desprendimento para achar uma lindeza a prainha de pedras de Polignano.

 

Onde ficar
A experiência toda em Polignano ficou ainda mais deliciosa porque nos hospedamos no hotel Covo dei Saraceni, que tem a localização como principal atrativo: encarapitado no precipício para a tal enseada de mar e pedra. E também é muito confortável e decorado com um charme que combina com o cenário ao redor.
Seu restaurante, Il Bastione, recebe também quem não é hóspede. Nos ofereceram prosecco assim que nos sentamos, mas logo em seguida nos levantamos para escolher o nosso peixe em uma bancada onde havia frutos do mar tirados naquele dia mesmo do Adriático, que se estendia à nossa frente. Comemos muito bem, com o ventinho leve que vinha do oceano e a lua cheia no céu.

 

Peixe (quase) vivo Os pescados saem do mar pouco tempo antes de serem servidos no restaurante Il Bastione
Peixe (quase) vivo Os pescados saem do mar pouco tempo antes de serem servidos no restaurante Il Bastione

 

O que fazer

1. Praias
Para quem fica no Covo dei Saraceni, a praia mais próxima é Lama Monachile. Você pega uma descida de paralelepípedos que, dizem, foi a estrada usada pelos soldados romanos rumo à Sicília, e chegou. Se sentar-se em pedras quentes não lhe agrada, garanta uma espreguiçadeira no platô gramado do bar Fly – Sun, Food, Drink. Quando a fome bater, se mude para uma das mesinhas de madeira no terraço acima e peça o cavatelli (massa típica da Puglia) com vôngole. Foi um sabor que ficou na minha memória.

O banho de mar ali é especial. O mar costuma ser calmo como piscina. Você entra pisando com cautela nas pedras e logo perde o chão, mas não se preocupe. A água, de alta salinidade, não deixa o corpo afundar. Nem precisa bater braços e pernas. Você fica ali, mirando o horizonte à sua frente, e agradecendo ao cosmos pela oportunidade de estar lá.

Quem não estiver no modo mergulho emotivo-espiritual 😉 pode se aventurar pelas pequenas grutas que permeiam os paredões. Só precisa tomar cuidado, encostar nas pedras, mesmo que de leve, significa sair sangrando do mar!
Não muito longe dali, fica outra famosa – e bonita – praia do pedaço, Cala Paura. Se eu tivesse tido mais um dia em Polignano, era pra lá que teria ido.

 

Verão europeu Quem se habilita a pular das pedras? Muitos jovens italianos!
Verão europeu Quem se habilita a pular das pedras? Muitos jovens italianos!

 

2. Centro Histórico
O centro histórico é o destino dos fins da tarde e das noites quentes de verão. As ruas ao redor são fechadas para os carros e a Piazza Giuseppe Verdi vira ponto de encontro. Jantamos em uma pizzaria da praça, minha filha deu uma volta no carrossel e depois fomos andando para a sorveteria Bella Blu. Achava que o gelato de pistache da Stuzzi, em São Paulo, seria sempre o melhor da minha vida. Mas o de lá me deixou bem na dúvida quanto a isso.

Arredores de Polignano a Mare

Um dia é suficiente para conhecer três lugares bem bacanas nos arredores de Polignano: Alberobello, Locorotondo e Grotta della Castellana. Mas é bem provável se apaixonar por eles e querer voltar nos dias subsequentes.

 

Mapa Puglia
Tudo pertinho Em apenas um dia, dá para conhecer Locorotondo, Alberobello e Gruta Della Castellana

 

 

1. Alberobello
É a cidade dos trulli, casinhas feitas de pedra, no formato cônico, características dessa região da Puglia. Elas se enfileiram colina acima até a igreja feita nos mesmos moldes. Por sua arquitetura única, Alberobello é Patrimônio Cultural da Humanidade.

 

Trulli de Alberobello
Fui morar numa casinha Essas construções trulli, com telhado cônico em pedra, são únicas no mundo

 

2. Locorotondo
O guia Lonely Planet diz que o centro histórico de Locorotondo é o mais bonito da Puglia. De fato, é lindo. Edifícios e casas pintados de tons bem clarinhos contrastam com o céu azul, as flores coloridas nas janelas e, as frutas nos cestos nas fachadas do comércio. Passamos uma manhã lá e usamos muita memória da máquina fotográfica.

 

Locorotondo
Flores e frutas Locorotondo é perfeita para uma gastar uma manhã de sol

 

3. Gruta della Castellana
Para ecoturistas experientes, talvez esta seja apenas mais uma gruta. Para nós, foi uma experiência maravilhosa entrar e observar as formações de pedra em diferentes galerias subterrâneas, sem perigo algum – há pavimento, corrimão e iluminação. Vale muito a visita. Existe um circuito curto, de uma hora, e um longo, de duas.

 

No subterrâneo As fotos não fazem jus às luzes, cores e formas da gruta
No subterrâneo As fotos não fazem jus às luzes, cores e formas da gruta

 

4.Conversano
Conversano é a cidade com mais estrutura próxima a Polignano. É onde as crianças locais vão à escola, por exemplo. Para nós, turistas, é um local de bons restaurantes, como o +39. Recomendo esquecer dos primi e secondi piatti. Fique apenas nos antepasti. Peça uma variedade e se envolva na difícil tarefa de eleger o melhor, eu aposto no empanado de fiori de zucca (flor de abóbora).

Imagens: Marina Monzillo e Luis Eduardo Maino

Café da manhã

O que dar para as crianças comerem em Londres?

Em Londres come-se muito pior que na Itália, onde moro e estou acostumada a comer bem.

E sempre fui muito preocupada com a alimentação da minha filha. Gosto que ela coma coisas saudáveis nos horários certos. Depois que ela fez 2 anos, libero um chocolatinho de vez em quando, ou sorvete. Mas fritura e porcarias industrializadas não têm vez em casa. Na nossa viagem à Inglaterra (confira o relato aqui), tive que respirar fundo. Ela, um dia, almoçou batata frita. E comeu batata chips no avião, porque o voo atrasou. E, no geral, achei que pagamos muito caro nos restaurantes para comermos mal.

 

Não recomendo

 

Serpentine Bar & Kitchen
Só bonito O Serpentine fica no Hyde Park e, claro, é bem turístico. A comida não fica a altura do cenário

 

O restaurante Serpentine Bar & Kitchen, super descolado, lindo, com uma vista incrível- porque fica bem no meio do Hyde Park -deixou a desejar. A conta veio alta (quase 50 libras em dois pratos simples) para comer um hambúrguer seco. Valeu pela paisagem. Voltaria na próxima vez para tomar um suco e não para uma refeição completa.

Recomendo

Paramos em vários restaurantes até percebemos que o que funcionava para a Alice era a rede Pret a Manger, que você encontra em qualquer lugar. Eles têm sanduíches, massas, saladas e sopas que vêm em copo. Inclusive com ingredientes orgânicos. E várias opções de sucos de fruta.

O que não chegamos a experimentar – porque cansamos de restaurantes e Alice também -, mas poderia ter funcionado foi um indiano, para comer arroz com frango.

 

 

Rainforest Cafe
Estilo americano A lojinha temática precede o restaurante Rainforest Cafe, onde até chuva cai para divertir a turma

 

Um lugar que foi escolhido especialmente para a Alice foi o restaurante Rainforest Cafeem Piccadilly Circus. É inspirado em florestas tropicais. Simplesmente chove dentro do restaurante. As crianças ficam loucas.

A entrada é por uma loja de brinquedos com centenas de bichinhos de pelúcia tropicais, como cobras e sapos – tudo lindo. No canto, um jacaré mecânico nada numa piscina. Uma árvore no centro do salão conversa com as crianças. Para descer na “floresta”, há uma escadaria toda iluminada. E antes da “chuva”, muitas trovoadas (que até assustam).

Qualquer criança (ou adulto) pode comemorar o aniversário sem reservar antes, é só avisar na entrada e pedir uma sobremesa. Os garçons convocam todos para cantar “Happy Birthday”. Era o meu aniversário e cantaram para mim. O menu é bem variado, agrada crianças e adultos.

Dica de lanchinho

Leve na bolsa sempre aquelas super barras de cereais que são vendidas em qualquer supermercado e em muitas lanchonetes. São feitas geralmente de cereal e mel. Se você está no meio de uma atividade muito divertida e não tem como achar lugar pra almoçar, a barrona de cereal dá energia e segura as pontas.

Refeição para valorizar

É fácil encontrar lugares que servem o café da manhã inglês. O completo pode ser muito pesado pras crianças (porque tem feijão, tomate, carne temperada). Mas você tem a opção de pedir ovos mexidos, leite, cereal – a aveia com frutas vermelhas é um clássico inglês (foto no alto).

Reforçando o café da manhã e levando uma barra de cereal na bolsa, você consegue aproveitar mais tempo até fazer um almoço/lanche mais tarde.

 

Imagens: Juliana Lopes, Karen Bryan/Creative Commons e Photo Dollar Club.

 

Bran castle

Especial Halloween: os passeios mal assombrados do mundo

Há alguns anos, o Halloween virou festa brasileira também, “trick or treat” se tornou “gostosuras e travessuras” e as fantasias de bruxa, fantasma e vampiro tomam as escolas no 31 de outubro. Mas a cultura Halloween no Hemisfério Norte, principalmente nos Estados Unidos e no Reino Unido, é bem mais rica. Existem as abóboras escavadas com velas dentro (as chamadas Jack-o’-lanterns), brincadeiras como tirar maçãs de uma bacia de água sem usar as mãos, e exibições sing-along do musical “Rocky Horror Picture Show”, entre várias outras tradições.

Para os turistas que curtem esse clima, algumas cidades antigas e cheias de história costumam ter atrações que combinam com o astral creepy durante o ano todo. São tours, em geral feitos a pé, por lugares onde eventos estranhos ou assustadores aconteceram no passado, ou que simplesmente têm fama de assombrados. Confira.

 

INGLATERRA

Com as vielas escuras das partes mais antigas da City e East London, o tradicional fog e o imaginário de mistério criado na era vitoriana, a capital inglesa está cheia de oportunidades para se arrepiar. O Haunted London, por exemplo, é um walking tour em que o guia abusa do tom sombrio para contar, entre outras, histórias ligadas à grande praga do século 17 — como a que diz que os corpos da época foram espalhados pelas ruas, e encontrados anos depois nas escavações da construção do metrô.

Diariamente, 19h30, metrô Monument (saída Fish Street Hill). Preço: 9 libras

Ele não foi bruxo nem fantasma, mas tem personagem mais perfeito para o Halloween do que Jack, o Estripador? Donald Rumbelow, um dos maiores especialistas da história do serial killer, conduz um passeio que recria o cenário dos crimes ocorridos em 1888, passando pelas ruas onde ocorreram os assassinatos. Confira aqui o site do passeio.

Dois dos lugares onde, provavelmente, Jack não brincou em serviço
Dois dos lugares onde, provavelmente, Jack não brincou em serviço

 

Diariamente, 19h30, Metrô Tower Hill. Preço: 9 libras.

Pela capital inglesa, ainda é possível participar do Ghost Bus Tour, um passeio que leva os visitantes a todos os pontos da cidade com características assustadoras, a bordo de um ônibus pintado de preto e recheado de pegadinhas que assustam os participantes.

O Ghost Bus, devidamente equipado com histórias e pegadinhas para te assustar
O Ghost Bus, devidamente equipado com histórias e pegadinhas para te assustar

 

Diariamente, 19h30 e 21h, Northumberland Avenue, ao lado da Trafalgar Square. Preço: 21 libras para adultos e 16 para crianças

 

ESCÓCIA

Edimburgo, a capital da Escócia, coleciona uma série de histórias tenebrosas, herança da idade média. Quando estiver por lá, tome coragem e não deixe de fazer um dos tours oferecidos. A maioria dos passeios leva para dar uma voltinha na parte velha e medieval da cidade. Edimburgo tem tanta – má – fama que existem até passeios noturnos que não são indicados para crianças.

Se você já considerava as catacumbas de Edimburgo sombrias, espere até conhecer a real história delas
Se você já considerava as catacumbas de Edimburgo sombrias, espere até conhecer a real história delas

 

Os tours são realizados pelas empresas Mercat Tours, Auld Reekie e Black Hart. Preços e saídas podem ser encontrados nos respectivos sites. No verão (julho e agosto) recomendamos fazer reserva.

Os participantes aprendem sobre o passado obscuro e assustador de Edimburgo
Os participantes aprendem sobre o passado obscuro e assustador de Edimburgo

 

ESTADOS UNIDOS

Você já ouviu falar das Bruxas de Salem? A famosa condenação coletiva por bruxaria, retratada no filme de 1996 “As Bruxas de Salem”, aconteceu há séculos atrás, mas a cidade localizada em Massachusetts, Estados Unidos, respira este evento até hoje. Você enxerga bruxaria em todos os cantos de Salem, das ruas até as inúmeras lojinhas que vendem absolutamente tudo o que as bruxas possam querer, como chapéus, vassouras e ingredientes para poções.

Além de museus espalhados pela cidade, costumam acontecer por lá algumas encenações dos julgamentos que ocorreram entre 1692 e 1693. Nesta paranoia de bruxaria, 200 pessoas foram executadas e hoje existe um memorial composto de 20 bancadas de granito chamado Witch Trials Memorial. Por lá, você confere os nomes das vítimas, data e forma da morte. Se quiser mais, experimente uma visitinha ao Peabody Essex Museum, onde estão armazenados os documentos das execuções.

As encenações que acontecem na cidade. O museu das bruxas. O monumento aos enforcados. A venda de todos os produtos que as bruxas possam precisar
As encenações que acontecem na cidade. O museu das bruxas. O monumento aos enforcados. A venda de todos os produtos que as bruxas possam precisar

 

Se optar por um tour, vários são disponibilizados na cidade. Você pode conferir quais são e o que oferecem nesse site.

Dica A+V: Se você não quiser se hospedar em Salem, Boston fica a apenas 30 km.

 

ROMÊNIA

Ir para a terra de Drácula e não visitar seu castelo é como ir a Roma e não ver o Papa. O personagem do livro de Bram Stoker, escrito em 1897, foi inspirado em um homem chamado Vlad Tepes, que governou a Romênia há mais de 400 anos. Se não bastasse o legado que deixou, ainda é possível visitar o castelo onde viveu, localizado na comuna de Bran, fronteira entre a Transilvânia e a Valáquia, a 188 Km da capital romena, Bucareste. Passear por lá significa entrar nos cômodos, ver toda a mobília e aprender mais sobre a atmosfera desta história tão famosa.

Detalhes do humilde castelo do dentuço
Detalhes do humilde castelo do dentuço

 

Neste site você confere os horários de visitação e preços dos ingressos.

Se desejar mais da Romênia, experimente uma visitinha à floresta Hoia-Baciu, no condado de Cluj, famosa por atividades paranormais, assassinatos de camponeses e aparições de extraterrestres. Fica a 449 km da capital.

Hoia-Baciu, famosa por fenômenos paranormais e assassinatos
Hoia-Baciu, famosa por fenômenos paranormais e assassinatos

 

BRASIL

Centro, Avenida Paulista, 25 de Março é para os fracos. Imagine, quando em São Paulo, fazer uma visitinha ao cemitério da Consolação ou ao edifício Joelma, célebre pelo incêndio que matou mais de 180 pessoas em 1974. Experimente o tour “SP Além dos túmulos” que leva aos pontos mal assombrados de São Paulo a bordo de um ônibus devidamente decorado com teias de aranhas e cortinas escuras.

Você sabia que no bairro da Bela Vista existe uma casa onde, dizem, vaga o espírito de uma senhora que tinha problemas mentais? E que o Teatro Municipal tem seu próprio fantasma da ópera, que causou a demissão de vários funcionários amedrontados? Essas, e mais informações macabras da cidade, você aprende neste tour, que passa também pelo edifício Martinelli, castelo da Rua Apa, palco da misteriosa morte de três pessoas de uma família da aristocracia paulistana, e pelo Beco dos Aflitos, primeiro cemitério construído na cidade para enterrar pobres e condenados pela justiça. O passeio termina no cemitério da Consolação, onde estão enterradas personalidades como Monteiro Lobato e Tarsila do Amaral.

Alguns dos pontos visitados no tour: Cemitério da Consolação, Castelo da rua Apa, Beco dos Aflitos e edifício Joelma
Alguns dos pontos visitados no tour: Cemitério da Consolação, Castelo da rua Apa, Beco dos Aflitos e edifício Joelma

 

O tour é feito pela empresa Grafitt e custa aproximadamente R$ 35.

Imagens: Berit Watkin, Rudi, Fábio Lopes, Camila Santana, Renata Miyagusku, Hélio Jr. Bertolucci/Creative Commons, Jared Charney, Big Baz Signs, Roger Conant, Jasmine Gordon, Mercat Tours, Romanian National Tourist Office, Hoia Baciu Forest/Divulgação

 

 

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Conheça Chueca, o bairro gay de Madri

Andar pelas ruas de Madri é não se preocupar se quem está de mãos dadas são dois homens, duas mulheres ou um casal heterossexual. A capital da Espanha representa com orgulho o movimento LGBT.
 
Enquanto em São Paulo existem as ruas Frei Caneca e Augusta, Madri tem Chueca, um bairro em homenagem à bandeira colorida. Logo ao descer do metrô homônimo, você já reconhece que ali a diversidade pauta o comércio, os prédios residenciais, as calçadas. Não é raro encontrar uma faixa gigante pendurada em um dos prédios do bairro com os dizeres “orgulho gay”.
Perto do metrô estão concentrados os melhores teatros e musicais, além de bons bares e restaurantes
A bandeira do orgulho gay está espalhada em vários pontos do bairro, como nas janelas das casas e entrada de baladas

Nessa região que estão concentradas as baladas, bares e shows tanto para o público LGBT, mas também para quem é hétero, já que o bairro é boêmio e tem vocação gastronômica. Há, por exemplo um conceituado bar de jazz, o Bogui Jazz, que costuma trazer feras da música por um preço amigável, cerca de 10 euros.

O Mercado de San Antón é imperdível. Experimente tapas (petiscos) a 1 euro, canapés, hamburguesas (é hambúrguer mesmo), doces, peixes, carnes e até comidas estrangeiras, como japonesa e italiana. No terceiro piso, há um terraço aberto para quem quiser desfrutar de coquetéis, batidas ou cervejas.

O mercado de San Antón é o tipo de passeio ideal para quem quer provar diversos tipos de comida e bebida
O mercado de San Antón é o tipo de passeio ideal para quem quer provar diversos tipos de comida e bebida

Para quem preferir uma refeição mais completa (ou “contundente”, como costumam dizer os “madrileños”), a tradicional paella o espera a dois quarteirões, em uma bela praça arborizada. Como esses restaurantes lotam rapidamente, se você der aquela enrolada ao parar de comer, pode ser expulso por alguns garçons nada simpáticos. Esse é um dos pontos negativos. O serviço em bares e restaurantes é muito ruim em praticamente toda a capital espanhola.

A Gran Vía, uma das avenidas mais eletrizantes de Madri, está a cinco minutos a pé do metrô Chueca. É onde estão concentrados os principais teatros e musicais da cidade, além de mais uma diversidade de bares e restaurantes com comidas típicas ou internacionais.

Perto do metrô estão concentrados os melhores musicais, teatros, restaurantes e baladas
Perto do metrô estão concentrados os melhores musicais, teatros, restaurantes e baladas

Mas o mais impressionante é que todo o colorido não está só em Chueca, mas em toda parte. Um dos locais em que mais avistei casais gays foi na Plaza de España, ao lado do metrô de mesmo nome.

Até um turista de primeira viagem fica confortável em Madri. A rede metroviária é excelente e leva o viajante para todos os pontos turísticos mais importantes. Há placas por todos os lados para orientá-lo a ir nos locais mais importantes da cidade, dentre eles os museus do Prado e o Reina Sofia, o Templo de Debod e o Parque do Retiro.

Madri é excelente para qualquer casal ou solteiro. Ela é como toda a cidade deveria ser: livre, segura e apaixonante.

Fotos: Amanda C., Doug e Roberto García Fadón/Creative Commons

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Por que ir a Lucca?

Entre tantos vilarejos, campos de girassóis, vinícolas e obras-primas da Renascença e da arquitetura medieval que existem na Toscana, por que escolher Lucca como destino? A cidade de cerca de 90 mil habitantes fica a 1h10 de trem de Florença e é perfeita para um bate-e-volta a partir de lá. Quer mais alguns incentivos para conhecê-la? Eu te dou três:

 

Muralha = parque
Entre as principais atrações de algumas cidades tipicamente medievais estão as muralhas. Em Lucca, o muro alto e espesso – que data do ano 200 a.C e foi crescendo com o tempo até abraçar todo o território- tem cerca de quatro quilômetros de extensão e hoje é percorrível a pé ou em bicicleta. Virou um parque nas alturas, que contorna todo o centro e é o ponto de encontro dos moradores no domingo à tarde. A vista de lá é maravilhosa e pode-se avistar o belo Duomo San Martino (na foto ao alto).

Os muros contornam toda a cidade de Lucca e são ponto de encontro dos moradores da região
Os muros contornam toda a cidade de Lucca e são ponto de encontro dos moradores da região

 

 

Berço de óperas
Outra atração local é a casa do compositor Giacomo Puccini. Nesse endereço, que, é claro, virou museu, o compositor nasceu em 1858, passou a infância e criou obras como Turandot e La Bohème. Entrada: 7 euros.
Lucca também é palco de um festival permanente, Puccini e la sua Lucca. Todos os dias há uma programação de óperas diferentes. O evento acontece às 19 horas na Chiesa di San Giovanni, Via del Duomo. Ingresso: de 16 a 20 euros (venda no local).

 

Jardim Botânico
O Orto Botanico da cidade, fundado em 1820, pela duquesa de Lucca, Maria Luisa di Borbone, tem como destaque sua variedade de camélias e um pequeno lago com ninféias (as plantas aquáticas tão pintadas por Monet). Sobre ele, é possível caminhar em uma estreita passarela de madeira. A tranquilidade do local é perfeita pare piqueniques. Ingresso: 3 euros.

Para quem gosta de curtir a natureza, o Orto Botanico é uma boa opção de passeio
Para quem gosta de curtir a natureza, o Orto Botanico é uma boa opção de passeio

 

ONDE FICAR

Tondone

Bed & breakfast de gestão familiar, oferece aluguel de bicicleta, porque está a 2 km do centro histórico. Para quem está de carro, é perfeito, porque tem estacionamento grátis. O lugar é tranquilo, o café da manhã é servido no terraço com vista para o jardim e há wi-fi gratuito em todas as dependências do hotel. Diária: R$ 201 a R$ 258.

Hotel llaria

Hotel localizado próximo das muralhas de Lucca, bom para quem estiver viajando sem carro, pois é possível ir andando até o centro histórico da cidade. Tem quartos limpos e confortáveis, bicicletas disponíveis aos hóspedes sem custo adicional e um bom café da manhã com bônus: chá da tarde. Outros serviços são, translado, wi-fi e, para quem viaja acompanhado de bichinhos de estimação, o hotel aceita os hóspedes de quatro patas. Diária: R$ 391 a R$ 1.178.

Albergo Villa Casanova

O prédio rodeado pela paisagem típica da Toscana data do século 18, e a sofisticação se estende da natureza aos quartos, grandes e luxuosos. Os banheiros são enormes e possuem banheira de mármore com vista para o vale. Tem capela, piscina, serviço de quarto 24 horas, salão de cabeleireiro e internet Wi-Fi. Diária: R$ 1.199 a R$ 1.981.

 

ONDE COMER

Bastian Contrario

Fica logo na entrada da porta Santa Anna, na parte interna das muralhas. O restaurante é um antigo negócio de família aberto desde 1946, bastante elogiado e indicado pelos moradores da região. Serve pratos tradicionais italianos, além de queijos e carnes típicos de Lucca. As porções são bem servidas e o preço é honesto. Serve café da manhã, almoço e jantar em um ambiente aconchegante e bom para famílias com ou sem crianças. Experimente as bruschettas e os pratos com toques de trufas.

La Tana del Boia 

Localizado no centro histórico de Lucca, com vista para a Piazza San Michele, o local oferece bons sanduíches, bolos e cervejas locais. Todos os ingredientes que compõe os lanches vêm da região da Toscana. Experimente os paninis e as tábuas de frios acompanhados de bons vinhos.  O ambiente é charmoso, bem decorado com mesas feitas a partir de antigas máquinas de costura. Para quem quer comer sem enfrentar filas nos restaurantes, vale a visita.

Le Bonta

Para os amantes de doces vale a pena se afastar um pouco das muralhas e visitar o Le Bonta, que oferece os tradicionais gelatos e outros doces típicos como chocolates, tortas e biscoitos por bons preços. E, se você não resistir e decidir levar o sabor italiano para casa, o local oferece boas embalagens para viagem.

Ristorante La Norma 

Este é para aqueles que desejam uma experiência mais gourmet, sem pesar muito no bolso. O local oferece menu degustação por 30 euros com entrada como a sopa fria de tomates com queijo mozzarela, e prato principal à escolha do cliente. O ambiente é aconchegante e tranquilo.

Colaborou: Larissa Palmer
Fotos: Emma Ivarsson (Visit Tuscany), Elvin e divulgação