Mulheres na Política com Luiza Coppieters

Mulheres na política com Luiza Coppieters

#VoteEmMulher (feminista!) é uma campanha da série Mulheres na Política. Porque é simples: precisamos ocupar os espaços do poder público e ter a representatividade da maioria da população brasileira. Precisamos de mulheres na política! Em 2016, teremos a chance de eleger mulheres feministas nas eleições municipais para o cargo na Prefeitura e na Câmara dos Vereadores. A segunda entrevistada da série é a candidata Luiza Coppieters (PSOL-SP).

Uma mulher de fala segura, apesar de mansa e carinhosa, com uma voz de trovão quando abre a boca para falar de um dos assuntos que mais ama: filosofia política. Conversar com ela é como uma aula, do tipo em que o repartir conhecimento dá a tônica a todo o momento. Não é que Luiza tem uma resposta para tudo, ou sabe de tudo. Mas o que sabe, fala com propriedade, e se assume por completo: “Sou filósofa, sou professora, sou uma mulher trans, sou comunista, sou ateia, sou lésbica”.

Fazer política é coisa de mulher

Assumir-se assim é para poucos, bem poucos. Especialmente na cena política a que estamos acostumadas, com fisiologismo (práticas que beneficiam interesses pessoais em vez do bem comum), hipocrisia (que todo mundo sabe muito bem o que é)  e moralismo (ah, esse ingrediente que só atrapalha a sociedade e a felicidade das pessoas…). Luiza não diz o que você quer ouvir, ela diz o que acredita que falta à cidade de São Paulo, sobretudo para o bem da população LGBT e, em especial, o T.

Sim, Luiza é uma mulher trans. Começou seu processo de transição quando ainda era professora de filosofia em uma grande rede particular de ensino, quando ainda era conhecida pelo apelido de Luizão. À época, já militava pelas minorias e era ferrenha defensora do feminismo, quando o assunto se limitava a grupos fora dos holofotes do feminismo midiático. Quando Luizão decidiu assumir-se, uma perseguição velada e estruturada resultou em sua demissão, caso que ganhou algumas manchetes em veículos de comunicação.

É hoje um dos principais nomes dentre as mulheres feministas de esquerda na lista de candidatas a vereadora. Na entrevista para a série Mulheres na Política, pedimos que ela destacasse uma única proposta para a cidade: “Quero mudar o horário de entrada para a sala de aula, indo para as 8h da manhã, porque é uma barbárie para professores e para alunos em questão de aprendizado, acho que até as primeiras aulas deveriam ser de esporte. Se você parar pra pensar, o horário de entrada escolar é da época em que não tinha luz! E mais do que isso, é uma coisa que precariza o uso da cidade. Se você deslocasse o horário de funcionamento de algumas instituições importantes, você poderia aproveitar o dia muito melhor e diminuiria o trânsito com isso também. E também eu gostaria de introduzir filosofia e sociologia no Ensino Fundamental”.

Inscreva-se no canal do SomosTodosFeministas no YouTube. ;)

{Por Evelin Fomin}