Arquivos da categoria: São Paulo + Outras Metrópoles

A cidade vista de um jeito diferente e viagens preciosas pelo Brasil e o mundo

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5 lugares para se conhecer na Vila Buarque (ou Santa Cecília)

Quando eu tinha 20 e poucos anos, morava em Santo André e  nenhum lugar que eu gostava de frequentar ou queria conhecer ficava a menos de uma hora da minha casa, eu circulava muito mais pelas regiões e bairros de São Paulo do que agora, que moro no miolo da Vila Madalena.

A lógica é simples: tenho (quase) tudo que me interessa por perto. Não existe a necessidade de entrar no carro (ou ônibus), pegar trânsito e pagar estacionamento caro (ou encontrar vaga na rua) para ver lojinhas bacanas, arte de rua, beber uma cerveja boa com os amigos, jantar bem num lugar bonito e cosmopolita. Isso sem falar que ficar altinha ou bebum e ir embora a pé é um luxo.

Mas quem é movido apenas pela necessidade na hora do lazer? Gosto de curtir outras atmosferas, ver outros rostos, experimentar novos lugares. Existe vida e pluralidade fora do circuito Vila Madalena /Pinheiros e eu quero aproveitá-las. Não simplesmente escolher outros bairros para explorar, mas pinçar, aqui ou ali, uma iniciativa cultural alternativa, um evento criativo, um café local, um restaurante genuíno.

 

Beluga
Minimalismo O décor escandinavo do Café Beluga nos atraiu antes mesmo da inauguração, há menos de um ano

 

E nesse exercício, de sair da minha vilinha, montei um roteiro de coisas interessantes que encontrei pelo caminho – por acaso, todas próximas, no espaço entre a Consolação e o Minhocão.

1. Café Beluga

Lugar pequenino, tocado pelos donos, no estilo de design que eu mais gosto, o escandinavo. O café ali é levado a sério, são microlotes selecionadíssimos. O pão de azeite é muito bom e há uma seleção de doces no balcão e de fanzines na prateleira. Quanto mais cedo você chega, mais frescos encontra os quitutes. À noite, o café dá lugar a cervejas especiais. O A+V adora.

 

Café Beluga
Doce, salgado e zine O Café Beluga leva o café, os quitutes e as cervejas a sério, mas com descontração

 

2. Holy Burger

Também pequeno, com decoração que lembra o visual hipster industrial de Williamsburg, no Brooklyn novaiorquino: cimento, aço, cobre e ferro aparentes,  iluminados por lâmpadas penduradas por cordas. O sanduíche é saboroso, principalmente por conta do molho de tomate que vai na receita do cheeseburguer.

 

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De comer rezando O Original Burger, do Holy, leva cheddar, cebola caramelizada, bacon e maionese da casa no pão preto

 

3. Banca Tatuí

Um grupo de editoras de livros independentes, encabeçado pela Lote 42, se juntou e montou uma banca de rua que vende livros, fanzines e jornais. No diminuto espaço, cabe até mesmo um balanço e pôsteres de ilustradores editados pela turma.  De vez em quanto, acontecem eventos de lançamento e shows de músicas no teto da banca. No geral, as publicações são inovadoras e bem cuidadas na forma. O conteúdo, porém, ainda é irregular.

 

Banca Tatuí
Balanço das letras Na Banca Tatuí, não tem Veja nem Caras, só livros de autores e editores independentes

 

4. Conceição Discos & Comes

Um balcão, algumas poltronas e mesinhas, uma vitrola, muitos vinis. Moderno, o Conceição é um bar/restaurante/café que tem uma estética criativa e menu, idem. Os pratos do dia, por exemplo, são sempre à base de arroz: de costelinha, de polvo, de sururu, e assim vai. O pão de queijo recheado de pernil a cavalo já fez gente cruzar a cidade para provar. O veredicto do A+V é que falta uma unidade no sabor, os ingredientes se destacam individualmente e não como um todo. Mas pretendemos provar novamente. :-)

5. Sotero

Restaurante simpático e de bom preço que, apesar do nome, não fica só na culinária baiana. Eles declaram fazer uma cozinha original. O bobó tinha camarões graúdos e o picadinho de carne leva canela na receita.

 

Imagens: Divulgação/Holy Burger, Facebook/Beluga, Evelin Fomin e Marina Monzillo

 

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A primeira vez da pequena Alice em Londres

Escolhi Londres para viajar porque é uma das cidades que mais adoro na Europa. Moro na Itália com meu marido e Alice, minha filha de 2 anos. Para nós, o voo durou pouco: uma hora e meia.

Toda a trabalheira para chegar até o aeroporto foi o que mais cansou e durou muitas horas. Mas o que merece ser contado dessa nossa aventura é o modo completamente novo que vivi a cidade – que já tinha visitado quatro vezes até então. Ir para o mesmíssimo lugar com uma criança é completamente diferente. E assim foi.

 

Londres com criança
Quarteirão infinito Por mais que a capital inglesa seja plana, longas caminhadas não dão certo com crianças pequenas

 

Já percebemos, nas tantas jornadas que fizemos com nossa pequena, que o mundo deles tem dimensão menor. Fazer longas caminhadas não tem sentido. Passar muito tempo em meios de transporte, pior ainda.  Alice pára para ver as pedrinhas no chão, os telefones vermelhos, as lojas diferentes. Cada quarteirão fica infinito.

Pensando assim, reservei um hotel bem do lado do Hyde Park, que foi nosso ponto central da viagem. Íamos a pé pra lá. E de lá para outros lugares do centro era muito rápido. Evitamos metrô (não dá pra ver nada!). Nos ônibus, no andar de cima, você tem visão panorâmica do passeio. Deixávamos o carrinho dela embaixo, travado, e subíamos.

Hyde Park

 

O principal parque londrino é maravilhoso e, se o tempo está bom, merece uma tarde inteira lá. Para brincar perto do lago, dos patos. Para ver esquilos de perto. E muitas crianças (principalmente no fim de semana). A atmosfera é uma delícia. Fomos na primavera. Mas eu já tinha ido em pleno inverno com minha mãe para a Hyde Park Winter Wonderland e foi a festa de Natal mais esplendorosa que vi na minha vida, cheia de barraquinhas iluminadas com comidas divinas, enfeites, bichinhos de pelúcia. Seja no calor ou no frio, vale a pena visitar e se hospedar perto para se conectar com o centro da cidade.

Natural History Museum

Alice adorou porque se interessou pelas luzinhas, os barulhos e o piso do museu, que achou que parecia o da nossa cozinha.

Mas nem ligou pro esqueleto de dinossauro gigantesco que fica no meio do edifício (acho que não conseguiu visualizar). Imagino que uma criança de 4 ou 5 anos entenderia melhor. O museu é gratuito e tem uma lanchonete ótima dentro dele. Alice dormiu a soneca da tarde ali mesmo. Depois acordou e comeu macarrão. Muitos pais estavam dando bolos para os filhos (todo lugar tem bolo!).

Big Ben + London Eye

 

 

A dobradinha foi o ponto alto da nossa viagem. Não subimos na London Eye (a roda gigante que é mesmo gigante) porque não achamos interessante pra Alice ficar fechada num lugar vendo paisagem. Mas ela ficou fascinada em ver a London Eye de longe. Esses objetos enormes causam uma impressão forte nos pequenos.

E a grande paixão da viagem foi, para a Alice, o Big Ben. Ela perguntava o tempo todo do “relógio com sino” e ficava falando: “Ben Ben Ben”. E pediu para voltar (meu marido a levou novamente, enquanto eu fui sozinha ao Victoria & Albert Museum). Jamais imaginaria. Acreditava que ela iria ficar louca pelos esquilos (um deles quase subiu no carrinho dela), mas é imprevisível saber de antemão o que vai divertir mais as crianças.

 

 

 

Oxford Street

Caminhar  pelas ruas de comércio do centro foi divertido pra todos. Principalmente poder comer um muffin com leite gelado na rede de cafés Costa. Essa também, como a Pret a Manger, tem em todos os lugares, é tipo uma Starbucks. Não tem nada de especial e característico, mas eu já tinha gostado do cappuccino de lá, os bolos são ótimos e tem espaço para carrinho. Prático.

Aliás, estávamos sempre com o carrinho dela. Servia para deixar ela “presa” em lugares de muita multidão e também para dormir a soneca da tarde. A cidade é plana e há um espaço reservado para colocar carrinho no ônibus.

Onde ficar

Londres tem muitas opções de hospedagem em residências no site Airbnb. Acho que vale a pena se for no centro e para grandes famílias. Do contrário, com criança, nada melhor do que alguém que limpe seu quarto todos os dias e troque as toalhas. Também é importante ter uma portaria para alguma necessidade, ou mesmo para pedir dicas. Sugiro a região em torno do Hyde Park. Já me hospedei no Corus Hyde Park e no Royal Eagle Hotel. São hotéis funcionais, para chegar e dormir: quartos limpos, simples, chuveiro bom. E nada demais. Voltaria no Corus. O Royal tem quarto muito pequeno.

 

Hyde Park
Vizinhas dos patinhos Escolher uma hospedagem ao lado de um belo parque londrino é a pedida

 

 

Onde comer em Londres com crianças? Confira a continuação das dicas desta viagem aqui

Imagens: Juliana Lopes e Getty Images

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7 feiras imperdíveis de Londres

Uma das coisas que eu mais amo em Londres – que se tornou um segundo lar para mim – é o quanto ela é viva. E as feiras que ocupam ruas, vielas e galpões nos mais variados bairros, principalmente aos fins de semana, são as vitrines dessa atmosfera vibrante, miscigenada e democrática da cidade.

A seguir, uma lista dos London markets preferidos do A+V. Cada um tem sua especialidade – comida, objetos de decoração, roupas, flores etc. – e seu público. Antes de escolher o que mais combina com o seu estilo, tente conhecer todos, dessa maneira, você entenderá a multifacetada personalidade londrina.

1. Portobello Road Market (aos sábados)

 

Todos amam Notting Hill: aos sábados, a Portobello Road fica assim
Todos amam Notting Hill: aos sábados, a Portobello Road fica assim


Provavelmente a mais famosa das feiras de Londres e, por isso, concorridíssima. Fica no coração do famoso bairro de Notting Hill – é o mercado que aparece em Um Lugar Chamado Notting Hill(1999), na cena em que o ator Hugh Grant caminha enquanto as estações do ano vão mudando.

A Rua Portobello e sua feira também são cantadas no musical Se Minha Cama Voasse (1971), da Disney – o legal nesse filme é ver como eram no passado, quando as antiguidades funcionavam como o principal chamariz para a clientela. Hoje, tem de tudo um pouco, roupas, souvenirs turísticos, objetos de decoração e muita, muita gente. Se quiser conhecer o bairro – que é fofo, com flores e casinhas coloridas – prefira ir durante a semana. Nas adjacências, estão lojas como a The Spice Shop (para comprar temperos) e a Notting Hill Bookshop (antes chamada The Travel Bookshop, que inspirou a livraria em que Hugh Grant era proprietário no adorado filme).

 

A feira de Portobello tem de tudo um pouco: roupas, comida, antiguidades, souvenirs, idosos, crianças e muitos turistas
A feira de Portobello tem de tudo um pouco: roupas, comida, antiguidades, souvenirs, idosos, crianças e muitos turistas

 

2. Camden Town (diariamente, mas várias lojas só abrem no fim de semana)

No Camden Lock está uma das inúmeras feiras que fazem de Camden Town um labirinto de barraquinhas
No Camden Lock está uma das inúmeras feiras que fazem de Camden Town um labirinto de barraquinhas

 

Camden Town costumava ser o ~point~ da cena alternativa de Londres, mas virou bem turístico e perdeu um pouco a personalidade. Ainda vale conhecer, mas se prepare para a muvuca. A loja Cyberdog, voltada para os fãs de balada tecno, é bem curiosa – tem desde brinquedos infantis a itens de sex shop em um ambiente escuro, com o som alto e go-go boys dançando.

Nas barraquinhas ao redor, tem muita roupa baratinha e bonita nos mais ousados estilos: retrô, gótico, psicodélico – é só questão de fuçar no labirinto, já que não se trata de uma feira, mas de várias, uma do lado da outra, todas ao longo das ruas Camden High Street e Chalk Farm Road e perto do charmoso Regent’s Canal.

Estúdios de tattoo e piercing são a cara de Camden. Uma área do Camden Stables Market (que ocupa antigos estábulos de uma companhia ferroviária) tem barraquinhas de comida do mundo inteiro: vietnamita, chinesa, mexicana, tailandesa, italiana, marroquina, e por aí vai. Um prato custa cerca de 5 libras.

 

3. Old Spitalfields Market (diariamente, mas aos domingos é mais completo)

 

Fica em East London, a região mais descolada da cidade, perto de Liverpool Street. Começou como um mercado de frutas no início do século 20, tomou a forma atual nos anos 90 e, mais recentemente, passou por uma boa reforma. Ficou mais mainstream, com redes de restaurantes e algumas lojas arrumadinhas, e perdeu um pouco do charme de “velho galpão recheado de gente jovem criativa”. Mas ainda é onde tem as roupas mais legais para vender, na minha opinião, além de vinis, bijuterias, pôsteres e outros itens de arte acessíveis.

 

O mercado coberto de Old Spitalfield ficou arrumadinho, mas ainda tem itens com bons preços
O mercado coberto de Old Spitalfields ficou arrumadinho, mas ainda tem itens com bons preços

 

4. Broadway Market (aos sábados)

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É o que mais se assemelha às nossas feiras de rua brasileiras, porque tem um foco bem forte em comida. São barraquinhas de linguiças, queijos, pães e doces em uma rua de comércio local, com cafés orgânicos, pubs e produtos saudáveis. Há também brinquedos e roupas. Fica em Hackney, um dos bairros mais legais da cidade (no East London). A rua Broadway começa no Regent’s Canal (o mesmo de Camden, só que alguns bons quilômetros mais ao leste) e termina no parque London Fields. Você chega de bicicleta pelo canal, encontra os amigos, pega algo para comer na feirinha, e vai sentar no parque. O melhor programa para um sábado de manhã em Londres.

 

 

 

5. Bricklane (aos domingos)

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É muito mais que uma feirinha, é uma rua e suas travessas e paralelas onde o caleidoscópio de sabores e culturas de Londres é mais colorido (na foto principal). Repare nas placas com os nomes das ruas: estão escritas tanto em inglês como em bengali. Antigamente, era uma bocada – o pedaço de Jack, o Estripador – mas já faz tempo virou o local da galera das artes e da vanguarda. Cada vez que eu vou lá, tem algo novo para ver, uma exposição de arte ousada em algum galpão, uma nova feirinha com os trabalhos de jovens designers, um show de música de uma banda ótima. A atração fixa fica por conta dos restaurantes indianos, um ao lado do outro, dos beigel shops (que fazem a alegria dos famintos da madrugada, mas que funcionam o dia inteiro vendendo esses pães quentinhos com cream cheese), e dos bares e clubs como o Vibe Bar, onde o importante é se divertir e não aparecer.

 

O mercado dominical de Bricklane e vende roupas e acessórios de novos designers
O mercado dominical de Bricklane vende roupas e acessórios de novos designers

 

 

6. Columbia Flower Market (aos domingos)

 

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Flores ocupam a tranquila Columbia Road aos domingos de manhã

Como o nome diz, é a feira de flores. A tranquila Columbia Road se transforma aos domingos, quando vira um jardim, com muita gente circulando, artistas de rua e comidinhas. As lojas escondidas por trás da profusão de pétalas, galhos e folhas também são interessantes: há galeria de street art, objetos de decoração, confeitaria, tudo bonito e moderninho.

É um pouco longe de uma estação de metrô e os turistas ainda não chegaram aos montes. Junto com o Broadway Market, é o mercado que tem o melhor astral.

 

O agito começa cedo, com vendedores de rua  e apresentações de música no Columbia Flower Market
O agito começa cedo, com vendedores de rua e apresentações de música no Columbia Flower Market

 

7. Borough Market (por completo, de quarta a sábado)

Se a palavra gourmet não tivesse se tornado o maior clichê da década, eu a usaria para descrever o público que se encanta com o Borough Market. São pessoas que gostam de cozinhar, de comer bem, de conhecer novos sabores e texturas, com curiosidade quase antropológica. A poucos passos da margem sul do Tâmisa, este mercado tem alimentos de todas as partes do mundo, uma variedade de cogumelos que eu nunca tinha visto na vida, ostras frescas acompanhadas de taças de prosecco e tortas de carne de porco, para citar apenas alguns poucos exemplos.

 

Guia de feirinhas para o fim de semana

 

Um sábado e domingo são pouco para curtir todos os mercados. Estas são as sugestões de roteiro que faço para os amigos que vão ficar um, dois ou três fins de semanas na cidade. Não incluí o Borough Market, porque pode ser visitado nos dias úteis.

Na correria (um fim de semana)

Sábado
Manhã: Broadway Market
Almoço: Camden Town
Tarde: Portobello Road

Domingo
Manhã: Columbia Flower Market
Almoço: Spitalfields Market
Tarde: Bricklane

Curtindo um pouco mais (dois fins de semana)

Sábado
Pela manhã: Broadway Market
Almoço/tarde: Camden Town

 Domingo
Spitalfields Market

Sábado
Portobello Road

Domingo
Manhã: Columbia Flower Market
Almoço/tarde: Bricklane

No tempo perfeito (três fins de semana)

Sábado
Broadway Market

 Domingo
Spitalfields Market

Sábado
Portobello Road

Domingo
Camden Town

Sábado
Columbia Flower Market

Domingo
Bricklane

Imagens: Chris JLMario Sánchez Prada, Michiel Jelijs e Observista/Creative Commons, Edward Betts, Marina Monzillo e Getty Images.

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Como é o Museu de los Niños, em Buenos Aires

Basta dar um Google em “Buenos Aires com crianças”, você encontrará uma boa variedade de dicas, e o Museu de los Niños aparece em todos os roteiros. Apesar de o nome remeter à arte e história, o que temos, de fato, é um parque de diversões educativo que poderia se chamar Ciudad de los Niños. Há supermercado, agência de correios, banco, consultório de dentista, ônibus, carros, avião, tudo de brincadeira. Para os pequenos experimentarem, de forma lúdica, a vida adulta.

Dentro do museu há um supermercado cheio de produtos para os pequenos comprarem. Tudo de mentirinha.
Dentro do museu há um supermercado cheio de produtos para os pequenos comprarem com dinheiro de mentirinha

 

Pontos positivos:

– Apesar de um leve cheio de mofo no ar, as instalações têm aparência de novas, são lindamente coloridas e bastante seguras.

 

Tudo  é colorido para chamar a atenção dos pequenos e seguro para a tranqulidade dos papais

 

– É um programa perfeito para um dia de chuva na capital portenha. O Shopping Abasto ainda tem uma roda gigante indoor, um parquinho estilo “Playland” e uma praça de alimentação logo ao lado.

Pontos negativos:

– Fica dentro de um shopping, o que tira um pouco da graça do parque.

– O Abasto fica um pouco distante das áreas mais turísticas da cidade, levamos 20 minutos de táxi do Puerto Madero até lá.

Confira horário de funcionamento e preço dos ingressos aqui

Tem até navio, ancorado em um porto, dentro do espaço no Shopping Abasto
Tem até navio, ancorado em um porto, dentro do espaço no Shopping Abasto

 

Fotos: Marina Monzillo

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Passeios em Buenos Aires com criança

Quando começamos a planejar nosso roteiro na Patagônia, decidimos ir de uma cidade para outra de avião, porque as distâncias são enormes (El Calafate está a 2.762 km de Buenos Aires, e Ushuaia, 2.370 km). A viagem de carro sem criança já seria aventura. Com ela, um perrengue desnecessário.

Portanto, voamos de São Paulo para Buenos Aires e, de lá, seguimos para o extremo sul argentino, tudo com a Aerolíneas Argentinas (que está com aviões novos e não atrasou nenhum trecho!).

Os quatro dias na capital portenha para aquecer os motores foram ótimos. A cidade faz parte daquele rol de lugares onde o tempo de permanência nunca é demais. Podemos voltar dezenas de vezes e sempre haverá um restaurante novo pra conhecer, uma exposição bacana em cartaz, um cantinho querido para matar a saudade. Desta vez, focamos em uma programação infantil em Buenos Aires, que incluiu os Bosques de Palermo e o Museu de Los Niños. Foi totalmente novo para mim, que já estive lá quatro vezes.

Os pequenos vão adorar o parquinho nos Bosques de Palermo.
Os pequenos adoram o parquinho da Plaza Alemania, às margens dos Bosques de Palermo

 

Bosques de Palermo

Nosso QG foi um apartamento AirBnB em Palermo Hollywood, a uma quadra da Avenida del Libertador. Os Bosques de Palermo, a menos de 10 minutos a pé, foi nosso quintal.

Não faltam atrações nesse que é o principal pedaço verde de BA. Na extremidade, na Plaza Alemania, tem um playground com brinquedos de madeira e até um jogo da velha. Os pequenos locais se enturmaram rapidamente com a minha brasileña.

Em Bosques de Palermo tem diversão e atividades pae
Mente e corpo se exercitam com jogo da velha, escorregadores e balanços no playground portenho

 

Atravessando a rua tem o belo Jardim Japonês, construído em 1967 quando o príncipe Akihito (hoje imperador) visitou a Argentina. São lagos de carpas, pontes vermelhas, uma pequena cerejeira e muitos bonsais. Um oásis de tranquilidade.

Toda a delicadeza da cultura japonesa em um só jardim
Toda a delicadeza da cultura japonesa em um só jardim

 

Seguindo mais um pouco, tivemos de escolher: zoológico à esquerda, do outro lado da avenida, ou o lindíssimo Rosedal, um jardim de rosas de diversas cores. Fomos primeiro ao Rosedal, que fica à beira de um lago, onde há pedalinhos para alugar.

As fotos dizem mais que palavras. São cerca de 18 mil flores, uma pérgula e uma fonte em estilo andaluz. E em meio a tudo isso, o jardim dos poetas, com bustos de Shakespeare, García Lorca e Dante Alighieri, entre outros.

 

Além de encher nossos olhos, as rosas do Rosedal são protagonistas de belas fotos
Além de encher nossos olhos, as rosas do Rosedal são protagonistas de belas fotos

 

Zoológico de Buenos Aires

À primeira vista, El Jardín Zoológico de Buenos Aires me pareceu meio abandonado, um pouco mal cuidado – não falo dos animais, mas das dependências. Mas logo lembrei de que não estava nos EUA, então, não fazia sentido encontrar um zoo todo perfeitinho, estéril, com cara de parque temático.

Se você conseguir enxergar beleza na decadência, vai perceber como este não é apenas mais um lugar para ver girafas, leões e zebras. Inaugurada em 1888, a área é uma joia da arquitetura vitoriana. As construções que abrigam os animais merecem tanta atenção quanto os próprios bichos. Há extravagâncias como uma espécie de templo hindu para os elefantes e uma grande gaiola em estilo andaluz para os macacos.

Mais do que uma visita aos animais, o Zoo é uma chance de ver a bela arquitetura da cidade
Mais do que uma visita aos animais, o zoo é uma chance de ver exemplos de arquitetura vitoriana

Os Bosques de Palermo rendem bem mais que um dia ao ar livre, porque ainda tem pedalinhos no lago, o planetário Galileu Galilei, o Jardim Botânico e o hipódromo.

Conheça aqui o Museu de los Niños, outra atração infantil de Buenos Aires.

Imagens: Marina Monzillo

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3 atrações no Central Park para os pequenos

Se você já tiver exausto das andanças em Nova York, sempre haverá o Central Park para reanimá-lo.

O enorme parque, que corta boa parte de Manhattan, pode ser curtido em todas as estações do ano, por moradores ou turistas, de todas as idades. Selecionamos algumas das atividades mais legais para fazer por lá, principalmente se você estiver com crianças pequenas.

Piquenique

Um programa clássico no Central Park em dia de sol é o piquenique. Os melhores lugares para estender sua toalha são no Great Lawn (meio do parque, da rua 79th até a 85th) , no Sheep Meadow (lado oeste, da rua 66th até a 69th) e na região do Belvedere Castle (meio do parque, na rua 79th, na foto acima).

Para abastecer a cesta, há o maravilhoso supermercado Whole Foods no subsolo do edifício Time Warner, na esquina sudoeste do parque, e o Food Emporium, no Upper East Side.

Central Park Zoo e Tisch Children’s Zoo
Quando soube que não há girafa, leão, hipopótamo e zebra no zoológico do Central Park ((lado leste entre as ruas 63th e 66th), como nos filmes Madagascar, confesso, fiquei decepcionada. Mas resolvi dar uma chance porque, com uma criança pequena, achei muito cansativo ir até o Bronx conferir o grande e maravilhoso zoo que há por lá. E foi ótimo, perfeito para a idade dela e para quem não quer gastar um dia inteiro da viagem para Nova York vendo bichos. Porque o espaço é fofo, bem cuidado, mas pequeno. Tem focas, pássaros, macacos e pinguins e é basicamente isso. O guepardo estava escondido, não o vimos. E o amado urso polar Gus, principal atração do zoo, morreu este ano. Então, em uma gostosa manhã, você vê os animais, assiste à versão 4D da animação Rio, confere o Delacorte Clock, que a cada meia hora roda como uma caixinha de música gigante, e passa pelo Tisch Children’s Zoo.

Os animais do zoo são bem cuidados e encantam pequenos e adultos
Os animais do zoo são bem cuidados e encantam pequenos e adultos

 

O Tisch é um misto de parquinho e fazendinha que está incluso no ingresso e muita gente nem se dá o trabalho de conhecer, mas a criançada adora. Há cascos de tartaruga onde pode-se entrar para tirar foto, ovos gigantes de alvenaria para entrar, coelhinhos de madeira para montar, e pônei, porquinhos e ovelhinhas para alimentar. Tudo isso à beira da Quinta Avenida!

Swedish Cottage Marionette Theatre (lado oeste na rua 79th)

Poucos visitantes sabem, mas existe um teatro de marionetes no Central Park. Ele fica em um chalé estilo sueco, em um meião tranquilo da área verde. Geralmente, são apresentados clássicos infantis, como Chapeuzinho Vermelho. Dá para comprar ingresso pela internet e há de uma a três performances diariamente.

O Central Park também é o paraíso dos parquinhos, como já contamos aqui.

Quer saber mais sobre o parque mais famoso de Nova York? Pergunte para a gente. 

Imagens: Daniel Rodriguez e Massmatt/Creative Commons

Como dentro do museu, a área do parquinho é cheia de lugares divertidos para explorar

Os maravilhosos parquinhos de Nova York

Acordar, tomar café da manhã – com direito a panquecas, waffles, ovos mexidos, amoras e mirtilos frescos -, sair a pé para o parque mais próximo, e esse parque é o…Central Park!

Vai dizer que essa rotina não é atraente? Para as crianças, então, é o máximo. Difícil mesmo é segurar a ansiedade diante de tantas coisas que Nova York oferece para nós, os grandes, e para os pequenos. Como conciliar tantos programas?

Essa resposta eu ainda pretendo encontrar. Enquanto isso, listei tudo que fizemos de bom por lá com nossa garotinha. Este é o primeiro texto de uma série sobre Nova York com crianças e vou falar dos:

Melhores playgrounds
Se teve uma palavra que a minha filha falou muuuito nessa viagem foi: “Parque”. Todo o dia ela pedia e nós, sem esforço algum, passávamos pelo menos uma hora em uma das caprichadas áreas verdes da cidade.

No Central, no Bryant, no Battery, no Brooklyn Bridge Park e em outros que nem conheci, você nunca está longe de um playground, um sempre diferente do outro, todos impecáveis na segurança e manutenção, com aqueles pisos que parecem concreto, mas são acolchoados. Há brinquedos para todas as idades, com os parafusos sempre muito bem apertados! 

O mais próximo para nós – e que virou uma espécie de quintal – era o Billy Johnson (Central Park, próximo à entrada que fica entre a E 66th e a E 67th St.). Ele não tem os brinquedos mais modernos, mas se tornou o nosso preferido porque é todo feito com elementos naturais – degraus de madeira, pontes de pedra, muitas plantas e flores por todo lado. O astro do pedaço é o escorregador de granito (na foto abaixo) – largo, alto, curvado, rápido… perfeito!

Também estivemos em vários outros plays que fomos encontrando pelo caminho, enquanto tentávamos chegar perto dos esquilinhos que povoam as árvores do Central.

A estátua da Alice no País das Maravilhas (Central Park, E 74th St.), por exemplo, é mais do que uma estática figura da personagem de Lewis Carroll sentada sobre um grande cogumelo. É cheia de cantinhos para se enfiar, escalar e contornar.

A estátua do clássico "Alice no País das Maravilhas" dá um toque especial ao Central Park
A estátua do clássico “Alice no País das Maravilhas” dá um toque especial ao Central Park

Ao lado do Metropolitam Museum Of Art, há o Ancient Playground (Central Park, E 85th St, na foto ao alto). Se dentro do museu, você vê templos, capelas e joias egípcios, a área externa vizinha é cheia de pirâmides para escalar, túneis e obeliscos inspirados na arquitetura da antiga civilização.

Como no museu, a área do parquinho é cheia de lugares divertidos para explorar
Como no museu, a área do parquinho é cheia de lugares divertidos para explorar

Outros parques
Segundo a revista Time Out, o melhor playground de Nova York fica no Pier 6 do Brooklyn Bridge Park (Brooklyn Bridge Park, Atlantic Ave com Furman St, Brooklyn Heights). Andamos bastante para chegar até lá, mas valeu a pena. Não é apenas um parquinho, é um complexo!

O Pier 6 é longe, mas a quantidade de atividades que tem por lá faz valer a pena a caminhada
O Pier 6 é longe, mas a quantidade de atividades que tem por lá faz valer a pena a caminhada

Atravessamos a pé a ponte do Brooklyn – um passeio que já virou hit entre os visitantes – e chegamos ao Brooklyn Bridge Park, que se estende da ponte em direção ao sul, à margem do Rio East. O parque é novo e ainda tem várias partes em construção, mas o que já existe é bem bacana, com um paisagismo moderno que valoriza a vista maravilhosa de Manhattan. Como o Pier 6 é o último a partir da ponte, ou seja, fica no fim do parque, caminhamos por toda a sua extensão para chegar à área dos parquinhos. Há uma parte dedicada apenas a balanços de vários tipos, outra com teias e cordas para escalar, um tanque de areia, escorregadores, casinhas de dois andares, trenzinho com vários vagões feitos de madeira… Em volta, há arquibancadas para as mães, pais, babás, sentarem, observarem a movimentação da criançada e baterem papo. Achou pouco? No verão, é aberto o Water Lab, uma seção com pequenas quedas d’água e um caminho para molhar os pés. Tanta diversão dá fome? Ali mesmo tem um restaurante italiano com vista para a Estátua da Liberdade.

E por falar em Estátua da Liberdade, no Battery Park, de onde saem os barcos para visitá-la, nas épocas mais quentes do ano há um carrossel iluminado por LED, e uma área infantil bem legal, o Teardrop Park (Battery Park, River Terr entre Murray e Warren St.), com minimontanhas para escalar. Vale dar um pulo lá.

Imagens: Marina Monzillo e Getty Images

Participe fazendo seu comentário e aderindo à campanha: #queremosmelhoresparquinhospúblicosemSP”, criada pelo blog Pequenas Escolhas.

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Roteiro: 2 dias em Berna

Na minha cabeça, faz sentido conhecer alguns lugares quando se é jovem e o pique ainda está no máximo, seja porque exigem esforço físico (Macchu Picchu, por exemplo) , tenham noites nunca terminam (Berlim) ou possuam aquela atmosfera estudantil/ mochileira que você só curte se ainda tiver esse espírito (Barcelona). Não significa que você não aproveite esses destinos se visitá-los mais velho, mas a experiência não será a mesma.

Em contrapartida, tenho uma listinha mental de lugares para conhecer na “terceira idade”. Como meu projeto de vida é ser uma aposentada globetrotter e já sinto uma limitação de energia agora, aos 36 anos, em relação aos 20 e poucos, fico me imaginando aos 70. A Suíça estava nessa listinha, afinal, um lugar onde você vê lindas paisagens do conforto de um vagão climatizado de trem e janta às 17h me parece ideal para quem quer tranquilidade.

Mas eu abandonei meus planos e fui para Suíça agora, porque além de friendly para os idosos, o país é fantástico para crianças pequenas –  e no momento, a listinha das viagens boas para os pequenos é a que eu estou colocando em prática. Minha filha estava com 1 ano e 8 meses quando viajamos para lá.

Nossa primeira parada foi em Berna, a capital do país, que é considerada a mais bela cidade da seção alemã (a Suíça também tem áreas onde se fala francês, italiano e o dialeto romanche).  Os dois dias foram suficientes para conhecer bem o centro histórico e visitar o imperdível Zentrum Paul Klee.

Rosengarten, a melhor vista de Berna
Rosengarten, a melhor vista de Berna

1º dia

Marktgasse

O  ponto de partida é a Bahnhofplatz, ou praça da estação. O crème de la crème de Berna fica em um triângulo que começa ali e vai até as margens do encantador Rio Aare. Caminhando a partir daqui, vá em direção à Marktgasse, a rua do comércio. Preste atenção nas fontes que aparecem bem no meio dessa rua e em todo o centro antigo. São bem curiosas: há uma adornada com um tocador de gaita de foles e outra em que um ogro come uma criancinha (!), essa já na Kornhausplatz. Se quiser tomar um café antes de começar o roteiro para valer, nessa praça está o Café des Pyrénées, que tem um terraço para a rua e serve lanches para um público formado por jornalistas e intelectuais.

Kramgasse

Poucos passos além nos levam ao Zytglogge, relógio de 1530 que tem um calendário astrológico. Fica onde se localizava o portão ocidental da cidade e atualmente é o principal ponto de encontro de Berna. Ali começa a Kramgasse, uma rua encantadora, com arcadas e porões, e onde se encontra a Einstein-Haus (Casa de Einstein)Foi nesse endereço, onde residiu entre 1903 e 1905, que o físico desenvolveu a Teoria da Relatividade. Hoje o local abriga um museu. Quase contemporânea de Albert Einstein em Berna e vizinha de seu apartamento, está a Confiserie Tschirren, que exibe na vitrine bombons recheados de frutas e marzipan.

Gerechtigkeitsgasse

A partir do ponto em que a Kramgasse passa a ostentar esse nome impronunciável para nós, lusófonos, ela começa a apresentar, também, uma série de restaurantes, alguns localizados nos seus subterrâneos. É o caso da adega Klötzlikeller, quase uma gruta em meio ao centro velho, onde a pedida é batata rösti com queijo. Mas atenção: sem reserva é praticamente impossível jantar lá. Na volta, pegue as vias paralelas para ver a Münster, a catedral gótica da cidade, e o Bundeshaus, o parlamento suíço. Na praça em frente, a Bundesplatz, uma fonte de águas que pulam do chão diverte a criançada que, nos dias de bom clima, não perde a oportunidade de se molhar.

2º dia

Rio Aare

Para explorar o outro lado do Rio Aare, é preciso cruzar sua principal ponte, a Nydeggbrücke, que começa exatamente no fim do eixo formado por Marktgasse/ Kramgasse/ Gerechtigkeitsgasse. Mas que ponte difícil de atravessar! Uma vez sobre ela, ficamos hipnotizados pela vista de cartão-postal: as águas verdinhas do rio e a perfeita combinação das construções e da vegetação à beira delas.

Quando finalmente se chega à outra margem, a surpresa: os ursos que vivem ali, bem no meio da cidade. Não é à toa que Berna soa muito como bear ou Bär, nome do animal em alemão. Eles são o símbolo da capital – e habitantes dela – desde o século 16. Minha filha vibrava com cada mergulho dos três ursos que vimos no tanque que compartilham no BärenPark (Parque dos Ursos), bem colado ao rio.

Almoçamos depois no Altes TramDepot que ,apesar da localização, praticamente dentro do Parque dos Ursos, não é um pega-turista. Biergarten do lado de fora e galpão moderninho dentro, o restaurante/bar proporciona uma boa experiência com a comida típica suíça.

Zentrum Paul Klee

A partir do Parque dos Ursos, o ônibus número 12 leva 5 minutos até o Zentrum Paul Klee, museu dedicado à obra do pintor que nasceu ali perto, em 1879.

O prédio, desenhado pelo arquiteto italiano Renzo Piano (o mesmo que co-projetou o Centre Georges Pompidou, em Paris) parece parcialmente enterrado no chão. Além de exposições e do acervo de milhares de obras de Klee (poucas exibidas por vez), há no subsolo o Kindermuseum Creaviva, um ateliê lindo, todo envidraçado, onde há aulas de pintura para crianças. Se eu pudesse, visitaria esse lugar com a minha filha todos os dias do ano!

De volta à área dos ursos, siga as placas até o Rosengarten (Parque das Rosas). Subindo a colina, descobrimos uma vista impressionante de Berna à nossa frente e um jardim florido com parquinho às nossas costas, ideal para curtir o fim de tarde.

Alguma outra dica de Berna? A gente quer saber!

Imagens: Divulgação e Camila Marques

Como fica em Los Angeles, não pode faltar um cinema em Los Feliz

A Los Angeles que anda a pé

“Em Los Angeles não se anda, não tem ninguém nas ruas.” Quantas vezes ouvi essa frase? E quantas vezes a comprovei, in loco, nas agradáveis e arborizadas ruas de Beverly Hills? Mas foi só sair um pouquinho dali para descobrir que, sim, em Los Angeles se caminha. Ninguém vai atravessar a cidade a pé, nem andar 30 quarteirões como em Nova York, porque Los Angeles é espalhada, com vários centrinhos sem nada entre um e outro, e as distâncias são ridículas. A famosa Sunset Boulevard, por exemplo, tem mais ou menos 35 quilômetros de extensão (é mais do que o comprimento de Manhattan).

Minha dica é: vá para o leste. Mais especificamente, para Los Feliz (que os angelenos pronunciam “los fíliz”). Lá, as ruas são coalhadas de lojinhas, cafés e restaurantes. Lá, gente descolada anda nas duas ruas principais, a Hillhurst e a Vermont, enquanto as paralelas, cheias de casas e predinhos fofos, são um convite à calma. Lá moram as celebridades mais “cool”, como Jon Hamm, Alexander Skarsgård e Colin Farrell. Brad Pitt e Angelina Jolie também têm uma casa por ali. Mas desconfio que o casal não possa sair muito na rua.

Os intérpretes bonitões de Don Draper e Eric Northman frequentam restaurantes como o Little Dom’s, com seu ar retrô e menu italiano-californiano – onde mais você acharia salada de kale, a verdura da moda, com ricota de leite de amêndoas e cenouras baby grelhadas? Ou o Figaro Bistrot, com seu cardápio tradicional de croque monsieur, steak tartar e moules marinières.

Como Los Feliz é trendy, tem a livraria do bairro (a Skylight Books), cujo site não se limita a reproduzir as capas dos best-sellers do mês anterior, trazendo versões desenhadas de cada uma. E também existe o cinema do bairro, o Los Feliz 3, com seu jeitinho antigo – foi fundado em 1934.

Los Feliz é moderninho, mas, na verdade, são várias as casas da década de 1920 e 1930 por ali. Walt Disney desenhou o Mickey Mouse numa casa aos pés da montanha que abriga o Griffith Observatory, um dos cartões-postais de Los Angeles, aberto em 1935. Se estiver a pé, não estresse: nos fins de semana, um ônibus leva do bairro para cima, onde se avista a cidade toda. Dentro do prédio, há um planetário.

Griffith Observatory, cartão-postal de Los Feliz
Griffith Observatory, cartão-postal de Los Feliz

O observatório fica dentro do Griffith Park, um dos maiores parques urbanos dos Estados Unidos. Ali há de tudo um pouco: o Greek Theatre, com shows ao ar livre, um carrossel, passeios de pônei e trenzinho para crianças, áreas para piquenique, campos de golfe e, claro, trilhas para caminhada, onde você pode encontrar de raposas a coiotes.

No fim, é como se Los Feliz fosse um resumo de Los Angeles: gente bonita, celebridades e natureza. E tudo sem precisar entrar em um carro.

Você conhece algum outro bairro que foge do roteiro tradicional em Los Angeles? Já visitou o planetário do Griffith Observatory? Compartilhe suas dicas também. 

Imagens: Markus Spiering/Creative Commons e DiscoverLA/Divulgação

Cartão-postal da cidade, O Banespão faz parte do roteiro arquitetônico

São Paulo para quem ama arquitetura

Adoro um dia cinza. Desperta em mim uma vontade de aconchego, e a melancolia associada à falta de sol tem uma carga poética, que favorece o devaneio.

Mas nesta quarta-feira de cinzas que fez jus ao nome, resolvi deixar o sofá e a reflexão de lado e encarar o tom monocromático do dia e dos prédios paulistanos.

Fui testar um dos roteiros temáticos que o site oficial do turismo da cidade de São Paulo propõe. São 9 no total e o meu eleito foi Arquitetura pelo Centro Histórico. Mas também pretendo fazer os dedicados à Arte Urbana e ao Café em breve.

O serviço do site é bem-feito. Há o mapa indicando o caminho a ser percorrido a pé e um guia com explicação de cada ponto de parada. Tudo em português e inglês. Dá para imprimir ou acompanhar pelo celular.

O percurso começa no Mosteiro de São Bento (metrô São Bento). Recomendamos chegar pela manhã e recarregar as energias no Café Girondino, que fica em frente ao mosteiro e tem um clima de São Paulo antiga. Se quiser fazer um lanchinho mais rápido, um pouco mais à frente, na Rua Líbero Badaró, há o Café Martinelli-Midi, também com ares de anos 20.

Mesmo satisfeito, vai ser difícil sair sem uma sacolinha da padaria que fica dentro do Mosteiro. São bolos, pães e biscoitos fresquinhos feitos a partir de receitas criadas pelos monges. Adorei o pão São Bento, feito de mandioquinha, e o bolo Laetare, de amêndoas, limão e canela.

O roteiro segue por edifícios como o Martinelli e o Altino Arantes (o do Banespa) – que permitem visitação – e o Guinle, considerado o primeiro arranha-céu da cidade, entre outros. Também passa pelo Pateo do Collegio, marco-zero de São Paulo que tem museu, jardim e café.

Não deixe de entrar na Caixa Cultural, já ao lado da Catedral da Sé. Com aquele visual austero e pomposo das antigas agências bancárias, o espaço sempre tem exposições interessantíssimas. Quando passei por lá, vi Miró, fotografias antigas de São Paulo e grafite!

Escultura "O Beijo Eterno", que fica em frente à Faculdade de Direito do Largo São Francisco
Escultura “O Beijo Eterno”, que fica em frente à Faculdade de Direito do Largo São Francisco

 

Se o cansaço bater e você quiser encurtar o caminho, sugiro não contornar a Sé e ir direto para o Largo São Francisco, conferir o prédio da Faculdade de Direito e a célebre escultura “O Beijo Eterno”, que mostra um europeu beijando uma índia.

O tour termina depois de se atravessar o Viaduto do Chá, no Teatro Municipal.

Aprovei!

Mais alguém já fez ou indicou os roteiros do site da SPTuris? O que achou?

 Imagens: Marina Monzillo