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Perto ou longe, caminhos surpreendentes, lugares que fazem bem para o espírito

Polignano a Mare

Um grande segredo italiano: a Puglia

Eu adoro planejar viagens. Mas as melhores viagens da minha vida foram as menos planejadas. É o paradoxo desta viajante. 😉

A falta de expectativa faz tudo ser surpreendente. Quando se espera muito de um lugar, de uma experiência, a realidade dificilmente supera o sonho.

A mais recente prova de que isso é a minha verdade foram os dias que passei na região da Puglia, na Itália.

 

Centro histórico de Polignano a Mare
Acima do Adriático O centro histórico de Polignano a Mare é charmoso e fica sobre as falésias que descem perpendiculares ao oceano

 

A Puglia fica no calcanhar da Bota, sua principal cidade e porta de entrada é a portuária Bari. A região faz algum sucesso com os europeus, mas os brasileiros que vão para lá, em geral, são sempre os descendentes de imigrantes pugliesi.

Fui parar em Polignano a Mare, um pequeno balneário a menos de uma hora de Bari, porque meu marido queria encontrar amigos do perfil imigrante/descendente. Não pesquisei muito. Era o fim de um planejadíssimo roteiro (Londres e sul da Croácia), durante o alto verão europeu, e o que conhecêssemos ali seria lucro da xepa das férias.

Mas foi I-N-C-R-Í-V-E-L. Abaixo, conto tudo que amei na Puglia.

Para onde ir

Polignano a Mare é bonita de um jeito despojado e autêntico. Como o turismo em massa – nos moldes de Veneza, Roma e Florença – ainda não chegou por lá, a cidadezinha não tem nada de fake, de pegadinha, de abusivo $$$.

Em julho, a praia fica cheia (principalmente de italianos), os restaurantes e o centro histórico, agitados, mas tudo na medida certa.
O cartão-postal de tirar o fôlego é a enseada que fica aos pés do centro histórico. A cor do mar é de um degradê verde-azulado, e compõe com as falésias douradas e as construções acima delas uma vista que acaricia os olhos e a alma. Eu ficava feliz e revigorada só de olhar para aquela paisagem diariamente.

 

Covo dei Saraceni
Buongiorno! Que tal acordar com essa vista? É da janela do hotel Covo Dei Saraceni

 

 

A pequena praia ali se chama Lama Monachile. Nós, brasileiros, temos referências muito específicas quando o assunto é praia. Mas nem é preciso fazer um esforço de desprendimento para achar uma lindeza a prainha de pedras de Polignano.

 

Onde ficar
A experiência toda em Polignano ficou ainda mais deliciosa porque nos hospedamos no hotel Covo dei Saraceni, que tem a localização como principal atrativo: encarapitado no precipício para a tal enseada de mar e pedra. E também é muito confortável e decorado com um charme que combina com o cenário ao redor.
Seu restaurante, Il Bastione, recebe também quem não é hóspede. Nos ofereceram prosecco assim que nos sentamos, mas logo em seguida nos levantamos para escolher o nosso peixe em uma bancada onde havia frutos do mar tirados naquele dia mesmo do Adriático, que se estendia à nossa frente. Comemos muito bem, com o ventinho leve que vinha do oceano e a lua cheia no céu.

 

Peixe (quase) vivo Os pescados saem do mar pouco tempo antes de serem servidos no restaurante Il Bastione
Peixe (quase) vivo Os pescados saem do mar pouco tempo antes de serem servidos no restaurante Il Bastione

 

O que fazer

1. Praias
Para quem fica no Covo dei Saraceni, a praia mais próxima é Lama Monachile. Você pega uma descida de paralelepípedos que, dizem, foi a estrada usada pelos soldados romanos rumo à Sicília, e chegou. Se sentar-se em pedras quentes não lhe agrada, garanta uma espreguiçadeira no platô gramado do bar Fly – Sun, Food, Drink. Quando a fome bater, se mude para uma das mesinhas de madeira no terraço acima e peça o cavatelli (massa típica da Puglia) com vôngole. Foi um sabor que ficou na minha memória.

O banho de mar ali é especial. O mar costuma ser calmo como piscina. Você entra pisando com cautela nas pedras e logo perde o chão, mas não se preocupe. A água, de alta salinidade, não deixa o corpo afundar. Nem precisa bater braços e pernas. Você fica ali, mirando o horizonte à sua frente, e agradecendo ao cosmos pela oportunidade de estar lá.

Quem não estiver no modo mergulho emotivo-espiritual 😉 pode se aventurar pelas pequenas grutas que permeiam os paredões. Só precisa tomar cuidado, encostar nas pedras, mesmo que de leve, significa sair sangrando do mar!
Não muito longe dali, fica outra famosa – e bonita – praia do pedaço, Cala Paura. Se eu tivesse tido mais um dia em Polignano, era pra lá que teria ido.

 

Verão europeu Quem se habilita a pular das pedras? Muitos jovens italianos!
Verão europeu Quem se habilita a pular das pedras? Muitos jovens italianos!

 

2. Centro Histórico
O centro histórico é o destino dos fins da tarde e das noites quentes de verão. As ruas ao redor são fechadas para os carros e a Piazza Giuseppe Verdi vira ponto de encontro. Jantamos em uma pizzaria da praça, minha filha deu uma volta no carrossel e depois fomos andando para a sorveteria Bella Blu. Achava que o gelato de pistache da Stuzzi, em São Paulo, seria sempre o melhor da minha vida. Mas o de lá me deixou bem na dúvida quanto a isso.

Arredores de Polignano a Mare

Um dia é suficiente para conhecer três lugares bem bacanas nos arredores de Polignano: Alberobello, Locorotondo e Grotta della Castellana. Mas é bem provável se apaixonar por eles e querer voltar nos dias subsequentes.

 

Mapa Puglia
Tudo pertinho Em apenas um dia, dá para conhecer Locorotondo, Alberobello e Gruta Della Castellana

 

 

1. Alberobello
É a cidade dos trulli, casinhas feitas de pedra, no formato cônico, características dessa região da Puglia. Elas se enfileiram colina acima até a igreja feita nos mesmos moldes. Por sua arquitetura única, Alberobello é Patrimônio Cultural da Humanidade.

 

Trulli de Alberobello
Fui morar numa casinha Essas construções trulli, com telhado cônico em pedra, são únicas no mundo

 

2. Locorotondo
O guia Lonely Planet diz que o centro histórico de Locorotondo é o mais bonito da Puglia. De fato, é lindo. Edifícios e casas pintados de tons bem clarinhos contrastam com o céu azul, as flores coloridas nas janelas e, as frutas nos cestos nas fachadas do comércio. Passamos uma manhã lá e usamos muita memória da máquina fotográfica.

 

Locorotondo
Flores e frutas Locorotondo é perfeita para uma gastar uma manhã de sol

 

3. Gruta della Castellana
Para ecoturistas experientes, talvez esta seja apenas mais uma gruta. Para nós, foi uma experiência maravilhosa entrar e observar as formações de pedra em diferentes galerias subterrâneas, sem perigo algum – há pavimento, corrimão e iluminação. Vale muito a visita. Existe um circuito curto, de uma hora, e um longo, de duas.

 

No subterrâneo As fotos não fazem jus às luzes, cores e formas da gruta
No subterrâneo As fotos não fazem jus às luzes, cores e formas da gruta

 

4.Conversano
Conversano é a cidade com mais estrutura próxima a Polignano. É onde as crianças locais vão à escola, por exemplo. Para nós, turistas, é um local de bons restaurantes, como o +39. Recomendo esquecer dos primi e secondi piatti. Fique apenas nos antepasti. Peça uma variedade e se envolva na difícil tarefa de eleger o melhor, eu aposto no empanado de fiori de zucca (flor de abóbora).

Imagens: Marina Monzillo e Luis Eduardo Maino

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O que fazer em Reykjavík, capital da Islândia

A Islândia é um destino para poucos. Já falamos no post Islândia para iniciantes que você tem de ter algumas credenciais para ir até a Islândia como, por exemplo, se interessar por slow trips, por lugares inóspitos, por cultura alternativa, por natureza. Mas se você se empolga com história e geologia, então sua viagem até esse país excêntrico e magnânimo vai ser ainda mais especial. Antes de seguir viagem, aproveite para criar uma playlist no seu app de música com álbuns de artistas islandeses notáveis como Björk, Sigurrós, Of Monsters And Men e Sóley Stefánsdóttir.

 

Ruas da Islândia
Viva a sociedade alternativa Um tanto excêntrica, a Islândia é adepta do slow living e tem uma cultura pop notável

 

Primeira parada: Reykyavík

A capital da Islândia, Reykyavík, deve servir de base para as suas jornadas pelo famoso Ring Road, uma espécie de rodoanel que circunda o país inteiro. Reykyavík não tem vergonha de ser uma das menores capitais do mundo – uma das menores e uma das mais ~novas~ da Europa, fundada pelo viking Ingólfur Arnarson, no ano 900.

Escolha uma localização central e, se o vento e o frio não estiverem de rachar, caminhe pela rua principal Laugavegur. Esta é uma rua legal, mas também do tipo pega-turista, com algumas lojas clichês de souvenires, mas outras interessantes também – tudo muito caro, lembre-se. Como primeira impressão, vale a volta ‘de reconhecimento’ da área e a parada para um espresso ou um chocolate-quente nos cafés pelo caminho. Há também gelaterias porque, afinal, foi no frio que surgiu esse hit de verão dos trópicos. Vá fundo e tome um gelato na capital da Islândia. Depois, siga para a Rua Skólavördustígur, uma transversal da Laugavegur e que dá no grande pátio onde fica a Hallgrímskirkja, a igreja luterana de 74,5m de altura, inaugurada em 1986. É nova, mas de arquitetura interessante que, para mim, remetia a uma nave – mas a ideia original se propôs imitar o movimento de uma lava de vulcão. Quando você sabe disso, fica sugestionado e acaba fazendo sentido.

 

Igreja de Reykjavík
Lava ou foguete A arquitetura singular faz da igreja Hallgrímskirkja, uma atração imperdível da capital da Islândia

 

 

Em tópicos, o giro de reconhecimento fica assim:

1. Instale-se em Reykyavík, na região central, de preferência;
2. Procure por um exemplar grátis do jornal The Reykjavík Grapevine, reserve (tipo, deixe à mão para você consultar o guia de atrações depois);
3. Faça uma volta de reconhecimento pela Rua Laugavegur, mas lembre-se que ela é pega-turista (vale mesmo assim);
4. Pit-stop para um café bem-tirado no Reykjavík Roasters, na Rua Kárastígur, 1, já próximo à super igreja-nave (a igreja-lava, na real);
5. Pela Rua Skólavördustígur você chega ao pátio da Hallgrímskirkya, a igreja luterana da década de 1980. Explore os muitos ângulos dali.

Em tópicos, como explorar o fim de tarde em Reykjavík:

1. Siga para a orla, pela Rua Sæbraut. Vá à pé, porque tudo por ali é perto;
2. No caminho, prove um cachorro-quente islandês, ou pylsur, um orgulho do país;
3. Caminhe até o monumento Sólfar, ou Sun Voyager, no inglês, uma escultura em homenagem ao sol, criada por Jón Gunnar Árnason. Sente-se e aproveite a vista e o pôr do sol;
4. Na volta, pare no supermercado Bonus – a rede com os preços menos caros, na Rua Laugavegur  – para abastecer-se de snacks para pegar a estrada logo cedo do dia seguinte. Compre um salmão e prepare para o seu jantar, você não vai se arrepender – o salmão mais saboroso de toda a minha vida.

 

Barraquinha de hot-dog
O hot dog que vem do frio Americanos e alemães levam a fama, mas a Islândia também entende de salsicha!

 

É cultural: bebês ao relento e sem supervisão

Se você notar carrinhos de bebês estacionados para fora dos estabelecimentos – com os bebês neles e sem nenhuma supervisão – não se assuste. Em Reykjavík – e na Islândia toda – a prática é comum e centenária. Uma epidemia de tuberculose no início do século 20 abalou o país. Em 1926, o médico David Thorsteinsson publicou seu livro pedagógico, em que exaltava os benefícios da vida ao ar livre e do ar fresco para fortalecer o sistema imunológico das crianças. Com a chegada de carrinhos de bebê ao mercado islandês no mesmo período, ele recomendou que bebês fossem colocados para dormir ou tomar sol e a prática se tornou usual. A segunda geração de islandeses fez suas naninhas ao ar livre e, desde então, toda criança passa pelo ritual. Pense: os islandeses vivem 10 anos a mais do que a média mundial – para que ter medo de um ventinho? Mais sobre o assunto, aqui (em inglês).

 

Monumento ao sol
Monumento ao sol Sólfar, ou Sun Voyager, é o nome da obra de arte que homenageia o astro-rei à beira-mar

 

Imagens: Evelin Fomin

The Breakers

Resort perfeito existe?

Resorts nunca me atraíram. Viagens em que o hotel é a principal atração iam contra o meu conceito de viajante, que sempre foi conhecer paisagens, culturas, pessoas diferentes, ter experiências que me tirem da minha bolha, do meu universo particular.

Mas esse pensamento suavizou quando embarquei na vida adulta para valer. Quando você passa o ano todo dormindo menos do que precisa ou gostaria, tem pouquíssimo tempo para si mesma e muitos itens na agenda para se preocupar, lembrar e executar, intercalar uma ida à Macchu Picchu e outra à Praga com uma escapada sem mapa, sem roteiro, só cuca fresca e alguns mimos, começa a soar interessante – muito interessante.

E quando você tem crianças, então, aí é quase impossível fugir dos resorts. Entretê-las o dia todo durante todo o período de férias é cansativo. Ter a ajuda de uma ou mais piscinas, sala de jogos, quadra, playground e equipe de recreadores, entre outras atrações, é tudo que você deseja.

 

Vista aérea de Palm Beach
Vista aérea Precisei virar mãe para me render – apenas na teoria, por enquanto – aos encantos de um beach resort

 

Então, é isso. Eu já não torço o nariz para resorts e, na verdade, até sonho com um feriado prolongado em uma espreguiçadeira diante de uma piscina gigante com serviço de bar.

E aí você me pergunta, para quantos resorts você já foi? Respondo: nenhum. Sabe porquê? Já que a hospedagem vai ser o motivo único da viagem, eu quero ir para o resort perfeito – pelo menos, perfeito para mim. Isso significa:

  1. Tô fora de all inclusive
    Assistir a uma turma exagerando na cerveja e no uísque e passando mal dentro da piscina não é o meu ideal de férias. E eu sou mais da qualidade do que da quantidade em muitas questões, mas, principalmente, na bebida e na comida.
  1. Recreação para adultos, nem pensar
    Monitor me puxando para a aula de lambaeróbica também não está nos meus planos.
  1. Não pode ser totalmente voltado para crianças
    Desculpe a arrogância, mas se eu quisesse tomar café da manhã com personagens, iria para a Disney. As férias também são minhas!
  1. Não custar mais caro que uma viagem à Disney
    Encontrar bom gosto, boas instalações, bom serviço, boa comida, e ainda achar um preço justo é, talvez, o maior desafio nessa lista.
 Será que eu encontrei?

Recentemente, eu fiquei com vontade de conhecer um resort que parece se encaixar nos meus requisitos: o The Breakers, em Palm Beach, na Flórida. Por que esse hotel a pouco mais de uma hora de Miami me parece promissor:

  1.  Hóspedes interessados em descanso e atividades outdoors
    O The Breakers atrai famílias com crianças e casais (há área para realização de casamentos dentro do hotel). Tive a impressão que o público ali, em geral,  é menos interessado em compras e mais em atividades como mergulho, pesca, ioga, golfe, stand-up paddle etc.

 

Playground
Cada um na sua Os hóspedes mirins têm espaços especiais para eles no The Breakers

 

  1. É uma propriedade histórica
    A imponente construção é de 1896 e pertencia à família aristocrática Flagler. Ali eles hospedavam os amigos que escapavam do inverno do norte dos EUA para as temperaturas amenas da Flórida.  Durante a 2a Guerra Mundial, o The Breakers, já um hotel, foi temporariamente transformado em hospital. Há um Museu Flagler em Palm Beach para quem quiser ter uma aulinha de história para variar.

 

O restaurante HMF
Lendário O restaurante HMF homenageia o antigo proprietário do The Breakers, o magnata Henry Morrison Flagler

 

  1. Focado nas crianças e nos adultos
    O resort parece pensar em tudo para agradar desde recém-casados até crianças– passando pelos pais exaustos. Aproveitando o enorme terreno que ocupa, o The Breakers criou áreas específicas para cada perfil. São quatro piscinas, por exemplo. Enquanto uma não tem degraus e vai afundando suavemente, como uma praia, consequentemente mais segura para os pequenos, tem outra em que celulares não são permitidos. Deu para entender a proposta? O mesmo acontece com os restaurantes – são oito no total. Um deles, italiano, é separado do Kids Club por uma grande parede de vidro. Perfeito para pais jantarem tranquilos enquanto os filhos não querem parar de brincar. Por outro lado, o HMF é para jantares mais sofisticados e crianças só são bem vindas até determinado horário.

 

  1. E por falar em crianças…
    A lista de serviços e instalações para famílias é bem completa: existem suítes conectadas, um prédio inteiro com salas de atividades infantis (separadas por idade) e serviço de baby-sitter. Na hora da reserva, você informa a idade dos seus filhos e, se tiver bebês, o quarto é preparado para eles. Isso significa que somem sacolas plásticas e tomadas são protegidas, assim como as quinas dos móveis. Você pode solicitar aquecedores de mamadeiras, banheiras, berços e trocadores. Para os maiorzinhos, há banquinhos para alcançar a pia.

 

Active Pool, do The Breakers
Mergulho suave A Active Pool, piscina destinada às famílias, não tem degraus para entrar

 

 

  1. Vai encarar?
    É um hotel para poucos, principalmente entre dezembro e fevereiro, quando a diária chega a US$ 9.000!  Mas, em julho, quando os americanos acham a Flórida quente demais para o gosto deles, as tarifas caem vertiginosamente. Podem chegar a US$ 429, com a vantagem de que crianças abaixo de 12 anos têm refeições gratuitas nos restaurantes do hotel.

 Imagens: Divulgação/The Breakers

Vai um biscoito Globo aí?

Três dias de uma garotinha no Rio de Janeiro

“Eu vou ver o Blu!” Foi assim que minha filha avisou a todos que iria passar alguns dias no Rio de Janeiro. O personagem dos filmes de animação “Rio” e “Rio 2” foi sua associação imediata quando eu lhe contei o nosso destino.

Chegando lá, porém, havia tanto o que fazer, que a caça à fictícia arara azul ficou praticamente esquecida. Um lugar que tem praia, bondinho, Cristo Redentor e Maracanã já exerce encantamento natural nos paulistinhas, mas o que fazer com uma garotinha de 3 anos no verão carioca?

1. Lagoa Rodrigo de Freitas

BICICLETA – A Lagoa me parecia um dos lugares mais óbvios para entreter crianças e, de fato, é. Perto do quiosque Palaphita Kitch, existem pedalinhos e bicicletas para alugar. Como éramos dois adultos e uma criança, optamos por um quadriciclo que parece uma espécie de carruagem. São duas bicicletas paralelas e um banquinho para a criança ir à frente (30 minutos por R$ 15).

 

Quadriciclo na Lagoa
Penélopes Charmosas O quadriciclo familiar cor-de-rosa e os pedalinhos da Lagoa ao fundo

 

PIQUENIQUE – Fiquei encantada de ver grupos fazendo piqueniques no fim de tarde, principalmente pela superprodução dos convescotes – sério, mereciam esse nome pomposo! Mesinhas feitas com caixotes de feira, enfeitadas com toalhas coloridas de chita, vasinhos de flores e lanternas japonesas. Se já não bastasse a linda vista. Existem empresas que estão fazendo o maior sucesso organizando esses eventos, como a Vem pro Piquenique. Adorei.

2. Flamengo

PARQUE – Eu sempre passei pelo Aterro do Flamengo. Vindo do aeroporto, a caminho das praias ou em direção à Lapa. E invariavelmente perdia o fôlego com a beleza exótica dos jardins projetados por Burle Marx, com as curvas e barcos da Marina da Glória, com a vista da Urca e do Pão de Açúcar. Mas eu nunca tinha aproveitado o Flamengo. Desta vez, fui caminhar pelo Aterro. Minha filha se cansou um pouco – me arrependi de não ter levado o carrinho (seeempre se deve levar carrinho em viagens) – mas foi bacana, encontramos alguns músicos, muitos corredores de fim de semana e uma quantidade ainda maior de crianças.

 

Aterro de Flamengo
Palmeiras O paisagismo do Aterro do Flamengo foi feito por Burle Marx, mas o que vale mesmo pras crianças e o enorme espaço para correr e andar de bike

 

PARQUINHO – Na praça Cuauhtamoque, há dois parquinhos, com brinquedos de madeira para diferentes idades. Cercados e muito bem conservados, do tipo difícil de encontrar em espaços públicos.

 

Parquinho no Flamengo
Sou Flamengo! Difícil tirar a pequena do playground bem conservado e cheio de carioquinhas simpáticos

 

 3. Leblon

PRAIA – Fomos pegar praia em um domingo ensolarado e achei que encontraríamos as areias insuportavelmente abarrotadas, como nos feriados. Mas facilmente conquistamos um lugar ao sol, ou melhor, ao guarda-sol. A grande sacada foi levar uma piscininha inflável para a pequena se refrescar, porque o mar estava agitadíssimo, com ondas enormes, quase ninguém se arriscava a se molhar além das canelas.

 

Praia do Leblon
Água salgada Em dia de mar revolto, a piscininha inflável refresca e diverte

 

COMIDINHA DE PRAIA – E ela também se esbaldou com a oferta de comidinhas. Tomou água de coco, comeu esfiha de queijo, milho da espiga (ela só conhecia no copinho) e muito, muito biscoito Globo (preferiu o salgado ao doce).
QUIOSQUE KIDS FRIENDLY – O fim de tarde foi tudo aquilo pelo qual uma paulista suspira: sentei no calçadão da orla, papeando com uma amiga, enquanto minha filha fazia suas próprias amizades cariocas no Baixo Bebê. Apesar do nome, o quiosque é perfeito mesmo para crianças a partir de dois anos porque tem um parquinho na areia, com escorregador, casinha de bonecas e afins, tudo de plástico, tudo cercado.

 

Baixo Bebê
Desce pra praia Em vez de tanque de areia, o parquinho do baixo Bebê tem a própria areia do Leblon à disposição da garotada

 

VISTA – Quando o sol se escondeu atrás do morro Dois Irmãos, mostrei para a pequena o luminoso do Hotel Marina – ela achou um barato aquelas letras vermelhas no alto do prédio significarem o nome da mãe dela. Apontei também a luz intermitente do farol à frente, e cantei a música da Marina Lima. Ela pediu bis. :-)

Imagens: Marina Monzillo e Simone Bessa/Creative Commons

Carrossel_MagicKingdom

Disney com filhos pequenos

Quando decidimos levar nossos filhos de 2 e 3 anos à Disney, vários amigos nos chamaram de loucos. O conselho que mais ouvimos é que devíamos esperar um pouco mais, até eles poderem entender e curtir melhor a experiência.

Teimosos, arriscamos. E voltamos com dois argumentos para convencer quem está vivendo a mesma indecisão. O primeiro é que sim, os parques têm infra-estrutura e atrações para cada faixa etária, de bebê a idoso. É só adaptar o roteiro para a idade da sua trupe.

O segundo é que não, a Disney não é o tipo de experiência que precisa ser “entendida”. Pelo contrário: o grande barato das crianças pequenas é que elas entram inteiramente no mundo da fantasia. Enquanto você fica olhando para o trilho do carrinho e se perguntando como ele corre dentro da água, ou comentando como os movimentos dos bonecos são perfeitos, elas estão lá, totalmente imersas em um reino mágico onde os passarinhos cantam, os elefantes voam, as princesas, sereias e piratas saem dos livros, e Mickey e seus amigos aparecem a qualquer momento (bem maiores que na televisão!) dando sorrisos, abraços e hi-five.

 

Toca aqui O grande barato da Disney para os pequenos é que entram na fantasia ao encontrar personagens que dão abraços e hi-five (no caso do Pluto, hi-three)
Toca aqui! O grande barato é que os pequenos entram na fantasia ao encontrar personagens que dão abraços e hi-five – no caso do Pluto, hi-three :-)

 

Foi cansativo? Sem dúvida. Chegávamos no hotel loucos para cair na cama (filhos e pais). Mas existe coisa mais gostosa do que um sono profundo depois de um dia cheio de diversão, risadas e muito (muito mesmo!) gasto de energia?

A seguir, compartilhamos algumas dicas para facilitar a vida de outras famílias que pretendem encarar a maratona:

1. Planeje (e esteja aberto para mudar os planos)
 Os parques são enormes e as atividades são tantas que, sem planejamento, você fica perdido. Isso vale para qualquer um, mas é ainda mais importante com criança pequena. O site novo da Disney ajuda muito nessa preparação. Além de fotos e informações sobre tudo que existe dentro do complexo, permite fazer reserva, montar seu itinerário e criar um mapa otimizado onde aparecem apenas as suas escolhas. Além disso, dá para marcar o FastPass+ (o famoso fura-fila da Disney) que é f-u-n-d-a-m-e-n-t-a-l para evitar chiliques na espera das atrações mais populares. Você tem direito a três brinquedos por dia, por isso tem de se organizar muito bem para fazer boas escolhas e conseguir chegar lá no horário marcado. Mas atenção: tão importante quanto todo planejamento é ter abertura para adaptar o roteiro caso variáveis como sono, fome, chuva ou dor de barriga exigirem. Jogo de cintura está no capítulo 1 da cartilha de pais, certo?

 

Ritmo lento Nada de maratona. Com crianças, menos - e várias vezes - é a pedida
No ritmo deles Com crianças, nada de maratona, o passeio acontece mais lento. Menos – e várias vezes – é a pedida

 

2. Mapeie as atrações
As atrações que agradam os pequeninhos não são necessariamente as mais populares (sorte sua, menos filas!). Mas justamente por serem menos óbvias, exigem de você um trabalho prévio de mapeamento. Comece pelo site oficial (veja na dica acima) e depois vá refinando a lista a partir das dicas de amigos, blogs, fóruns online e, principalmente, das preferências da sua família. Aqui em casa, por exemplo, o pessoal adora circo. Então reservamos um bocado de tempo para o Storybook Circus – uma área com inspiração circense criada em volta do Dumbo, o elefante voador. Outra paixão dos nossos filhos são os bichos. Por isso passamos um longo e delicioso dia no Animal Kingdom – talvez o melhor de todos.

 

Béééjinho O parque Animal Kingdom é um dos mais interessantes do complexo para crianças com até 3 anos
Béééjinho O parque Animal Kingdom é um dos mais interessantes do complexo para crianças com até 3 anos

 

3. Less is more
Este ditado tão popular entre os americanos faz ainda mais sentido quando se trata de crianças pequenas. Para elas, mais vale ir a cinco ou seis atrações (e repetir váaarias vezes aquela que, para você, parece a mais bobinha) do que passar correndo por dez. Pense como é na sua casa: seus filhos não pedem para você ler dezenas de vezes o mesmo livro? Pois então, a mesma lógica vale aqui.

4. Faça chuva ou faça sol
Apesar de muitas das atrações serem em locais fechados, você vai caminhar sempre ao ar livre para ir de um lugar para o outro. Portanto, prepare-se para todas as previsões (e imprevistos) de tempo. Em geral, a Flórida é muito quente e úmida. Não deixe de levar boné, protetor solar e capa de chuva, além de garrafinhas de água para toda a família (tem bebedor em todo canto, mas se você não tiver uma garrafa à mão vai acabar esquecendo deles). Guarda-chuva é sempre um pouco incômodo, mas torna-se obrigatório se você é daqueles que não gosta da capa de chuva grudando no braço. Outro acessório que para nós foi fundamental é uma canga ou lenço para cobrir o carrinho, caso o sol esteja muito forte e a capota não dê conta de fazer sombra. Sem falar na toalha e roupa extra, para o caso de eles se empolgarem com os brinquedos de água.

 

É o Nemo? A criançada adora água! Tenha toalhas à mão quando encontrarem um chafariz pela frente
Virando Nemo A criançada adora água! Tenha toalhas à mão quando encontrarem um chafariz pela frente

 

5. Carrinho, seu melhor amigo
Mesmo que seus filhos não usem mais carrinho no dia a dia, dessa vez ele pode ser seu grande aliado. Na Disney, tudo é feito a pé, e qualquer adulto estará cansado para carregar um guri no cangote quando a bateria dele acabar. Por US$ 15, é possível alugar um carrinho por lá. Mas como você vai precisar dele por vários dias, acaba valendo mais a pena levar o seu – ou então comprar um no Target ou Babies R Us mais próximo. Se quiser tirar a dúvida se as crianças aguentam ou não, faça um teste antes de viajar: passe uma manhã caminhando no parque, e emende com algumas voltas a pé pelo bairro. Se reclamarem, sinal vermelho. Outra vantagem dos carrinhos é que dá para guardar toda a tranqueira da molecada: garrafinha de água, roupas extras, lenços umedecidos, comida etc..

6. Reduza a expectativa
Certa vez, ouvimos de um guru indiano que a expectativa é o primeiro passo para a frustração. Leve essa pequena sabedoria na sua mochila, e sua viagem certamente será mais feliz. A Disney é realmente um sonho, uma delícia de passeio para a família. Mas se você chega cheio de ansiedade, esperando que tudo aconteça exatamente como sonhou, existe uma chance grande de ficar insatisfeito. Melhor relaxar, e se deixar surpreender.

Temos ainda mais dicas! Veja aqui onde se hospedar com crianças pequenas em Orlando e como alimentá-las de forma mais saudável dentro dos parques Disney.

Imagens: Tours Departing Daily/Creative Commons, Ferdinando Casagrande e Priscila Ramalho

abre olinda

Olinda em poucas horas

Viagens para Porto de Galinhas, Carneiros e certamente Recife pedem uma passadinha na querida Olinda, cujo nome parece vir sempre acompanhado das expressões “Carnaval”, “bonecos gigantes” e “cidade histórica”. Mas a vizinha de Recife, claro, tem outras belas alegorias – para ficarmos na analogia carnavalesca.

A partir do centro da capital pernambucana percorra cerca de 33 quilômetros de carro e você estará na Sé, o ponto mais alto de Olinda. E que vista! Se você não dá bola para as construções coloniais e igrejas – que eu particularmente adoro – vá pelo menos pela incrível paisagem da montanha verde descendo sobre o mar azul.

O assédio de “guias turísticos” é grande, como em todos os pontos de interesse do Nordeste. Segui meu instinto e acertei ao contratar o João Batista, que nos levou por um tour a pé em troca de uma caixinha.

Caminhar é a melhor forma de conhecer todos os detalhes e entrar no clima da cidade. João Batista conhecia bem as ruas e, o percurso que parecia não ter fim, se tornou gostoso de andar. Mas atenção: se você não tem pique ou estiver acompanhado de crianças ou idosos, aborte a ideia e circule de carro – é um sobe-e-desce que só.

A seguir, confira os pontos que visitamos em aproximadamente três horas de passeio:

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA

Começamos o giro por esta igreja fundada em 1535 onde até hoje funciona o seminário de padres de Olinda. Por ainda abrigar os estudantes, o local fica fechado e é possível apenas tirar fotos. Mas o que vale a pena é a vista do marzão azul e das casinhas e igrejinhas da cidade.

Visitar a Igreja de Nossa Senhora da Graça vale a pena pela vista do ponto mais alto de Olinda
A Igreja de Nossa Senhora da Graça fica no ponto mais alto de Olinda, que é uma cidade sobre colinas

 

IGREJA DA SÉ

Esta é a igreja matriz da cidade, construída em 1548. Apesar de ter sofrido um incêndio causado pela invasão holandesa em meados de 1600, o local foi restaurado e está bem conservado. Os pontos altos de lá são os altares laterais banhados a ouro, o túmulo do arcebispo de Recife e Olinda Dom Helder Câmara e o teto feito todo em madeira. Dentro da igreja fica um senhor que sabe muito da história do local. Se puder, fique para ouvir suas narrativas, que são bastante interessantes. Ah, vá até o pátio da igreja e se deslumbre, mais uma vez, com a vista.

Um dos altares banhados a ouro, o teto todo feito de madeira e a geral da matriz de Olinda
Um dos altares banhados a ouro, o teto todo feito de madeira e a fachada da matriz de Olinda

 

MERCADO DA RIBEIRA

Se você não quiser, ou como nós, não tiver tempo de entrar no museu do Mamulengo, neste mercado dá para ter uma boa ideia de como são os bonecões tão tradicionais no Carnaval da cidade. O espaço dispõe de objetos típicos do frevo, como as sombrinhas e máscaras. Não é preciso pagar para entrar e usar os adereços para fotos, eles apenas pedem uma contribuição para manter o espaço.

Ah! No mesmo local há algumas lojinhas com artesanatos da região bem baratos.

No espaço dá para ver os bonecões de perto e ainda tirar fotos com os acessórios tradicionais do carnaval de Olinda
No espaço dá para ver os bonecões de perto e ainda tirar fotos com os acessórios tradicionais do Carnaval de Olinda

 

MOSTEIRO DE SÃO BENTO

Para quem é de São Paulo e/ou conhece o Mosteiro paulistano, o nome e a estrutura são familiares. Construído em 1586, no espaço funcionou a primeira escola de Direito do país, e seu altar é muito bonito e cheio de detalhes revestidos em ouro. É interessante também observar que há um Cristo crucificado em tamanho real no coro da igreja que está virado de costas para o altar. Nosso guia nos explicou que ele está assim por causa dos escravos que queriam assistir à missa, mas não podiam entrar na igreja.

O belíssimo altar do Mosteiro de São Bento, o Cristo virado de costas e a visão geral da primeira escola de direito do Brasil
O belíssimo altar do Mosteiro de São Bento, o Cristo virado de costas e a visão geral da primeira escola de Direito do Brasil

 

IGREJA DE SÃO PEDRO APÓSTOLO
Mesmo quem não entende nada de arte barroca e/ou não costuma frequentar igrejas, ao entrar no lugar já nota diferenças de outras construções. João Batista nos explicou que esta é a única igreja da cidade que sofreu influências holandesas na construção do altar, que parece uma arte 3D.
O legal de visitá-la, além da arte do altar é que, ao seu lado, está a casa mais antiga de Olinda, onde hoje funciona um restaurante.

A igreja de São Pedro apóstolo traz a influência holandesa no design do altar, que parece #D. Ao lado fica a casa mais antiga da cidade
A igreja de São Pedro Apóstolo traz a influência holandesa no design do altar, que parece 3D. Ao lado, fica a casa mais antiga da cidade

 

CONVENTO DE SÃO FRANCISCO
Este foi o primeiro estabelecimento franciscano no país, construído em 1585 e composto da igreja principal, uma sacristia e duas capelas (uma delas com lindos azulejos portugueses nas paredes). O bacana do lugar é olhar para o alto, que me fez lembrar o famoso teto da Capela Sistina na Itália, já que é todo feito de pinturas. Vale a visita e também não custa nada para entrar.

Uma das capelas do Convento de São Francisco tem o teto todo feito de pinturas à óleo. Me lembrou a Capela Sistina
Uma das capelas do Convento de São Francisco tem o teto todo feito de pinturas a óleo. Me lembrou a Capela Sistina

 

ONDE COMER
Nosso tour acabou no Convento de São Francisco e, depois de três horas andando embaixo do sol, estávamos mortos de fome. Todos por lá falam das maravilhas do restaurante Oficina do Sabor, que o A+V já conheceu e garante que é uma experiência gastronômica inesquecível, mas acabamos optando por algo mais em conta, o Olinda Art&Grill, ao lado da Igreja da Sé e que tem uma vista linda da cidade.

Pedimos um prato tradicional com carne de sol, feijão de corda, macaxeira, salada e um pirão de queijo que até hoje sentimos saudades de tão gostoso. Custou cerca de R$ 90 e serviu três adultos esfomeados. Aprovado.

O Olinda Art&Grill tem comida bem servida, gostosa e com preços honestos
O Olinda Art&Grill tem comida bem servida, gostosa e com preços honestos

Fotos: Larissa Palmer e Prefeitura de Olinda/Creative Commons

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Islândia para iniciantes

Outro dia, estávamos à mesa de um jantar gostoso, rodeado de amigos de várias épocas, quando papai pediu que eu contasse a minha última aventura de viagem. Animada, obedeci e comecei dizendo que, desta vez, tinha ido à Islândia. O primeiro comentário impulsivo e honesto aconteceu assim: “Islândia? Onde é isso?”

Não vou pegar no pé da questão da geografia porque, figurativamente, essa pergunta tem mesmo tudo a ver: “Onde é isso, minha gente?” A Islândia é tão inóspita, é tão fora do radar que nada ali é clichê e, melhor, qualquer dica que você siga em qualquer roteiro de viagem, é só listar, organizar a rota de acordo com o tempo que você dispõe e pronto.

A Islândia não é um roteiro comum, mas definitivamente merece um espacinho na sua lista de próximos destinos
A força da natureza, na Islândia, não é um clichê. Note as duas pessoas diante do lago glacial de Jökulsárlón

 

Mas como saber se a Islândia é mesmo um destino para você, que talvez não esteja tão familiarizado com a região? Simples. Se, pelo menos, três dos cinco itens abaixo têm a ver com você, então a Islândia tem o potencial de ser o seu número.

1. Gosto de destinos para explorar a natureza;
2. Gosto de destinos com poucos habitantes;
3. Gosto da ideia de comer pratos esquisitos;
4. Gosto da aurora boreal (e sei do que se trata) e outros fenômenos da natureza;
5. Gosto de design escandinavo (e sei do que se trata).

As dicas básicas, a seguir, são um panorama geral importante para você entender onde você estará pisando.

 

Natureza, atividades fora do comum e experiências novas são os destaques da Islândia
Em Vík, os penhascos de Dyrholaey são margeados pelas areias de uma das mais lindas praias pretas no mundo

 

Locomoção

Faça as contas (sempre faça as contas) de quantos passeios você faria e quanto você pagaria para se locomover até cada um ANTES de desistir de alugar um carro. Ou seja, pelas minhas contas, vale muito alugar um carro e circular com o Waze ou o Google Maps do seu smartphone (com um SIM card local). O país tem muitas planícies e o sinal do celular funciona superbem no meio do absoluto nada, o que é uma maravilha. A capital, Reykjavík, é pequena se comparada ao tamanho de metrópoles pelo mundo e você pode se locomover por ali de bike ou a pé. Mas vai precisar de um carro para viajar distâncias de duas horas, mais ou menos, em média, para ir até as principais atrações da natureza – e, lembre-se, as principais atrações são as da natureza. Alugue, alugue um carro. E, se eu fosse você, alugaria um carro da SADCars porque é uma das empresas mais baratas.

Alugar um carro para viajar distâncias maiores é a melhor opção para não perder nenhum aspecto da natureza, a estrela do local
As fendas são profundas e se concentram em grande quantidade no Parque Nacional de Thingvellir

 

Quando chegar

Se você optar, afinal, pelo aluguel do carro, faça isso com antecedência porque, assim, pode acertar de a empresa ir buscá-lo(a) no Aeroporto Internacional de Keflavík. Se você deixou isso para a última hora, só tem um jeito de sair de lá: de táxi ou de ônibus fretado. Como tudo na Islândia custa muito caro para o bolso do turista (até os ingleses, que têm a forte libra ao favor deles, reclamam dos preços!), sugiro o ônibus fretado. Existem apenas duas companhias, com valores bem parecidos, que fazem o percurso.

O idioma

A Islândia é surpreendente em muitos aspectos. Dentre elas, o idioma estranhíssimo, com uma profusão de fonemas que parecem vir de várias partes do planeta. Mas não se espante se todos – todos mesmo – os habitantes conseguirem se comunicar com você em inglês. Com um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) altíssimo, ocupando o 13° lugar, faz sentido que a população seja bilíngue.

 

Se você sabe falar inglês não terá problemas em se comunicar com os habitantes da Islândia
A planície com montinhos de pedras, o Althingi, é o parlamento nacional mais antigo da história

 

O que comer

Uma das coisas que se aprende logo a respeito da Islândia é o quanto ela é cara. “Mas cara quanto?”, você perguntaria. Cara tipo R$ 70 para um cheeseburguer básico com batata frita rústica, sem bebida. Como me avisou um amigo muito querido, comer vegetais, por exemplo, só pagando o olho da cara e, ainda assim, tem de ser no supermercado Bonus. O blog I Heart Reykyavik explora mais sobre o universo da comida na Islândia, em inglês, no post The Ultimate Guide to Food Shopping in Iceland, e menciona o Bonus.

Mas se você for do tipo que aluga casa em sites como o AirBnB, então vai poder economizar muito se for cozinhar. Não deixe de comprar salmão no supermercado, ou atum, bacalhau ou qualquer outro peixe. Tudo que vem do mar é muito saboroso e fresco. E não se assuste com algumas peças estranhas que podem parecer estragadas: na realidade, elas estão estragadas, mas são iguarias, como carne de tubarão podre.

Tem ainda os carrinhos (tipo food trucks) que vendem hot dogs, ou pylsur, em islandês. É a opção mais barata que você vai encontrar para matar a fome rápido. Uma das receitas clássicas que dizem por aí é que a salsicha é cozida com coca-cola – eu provei alguns e em barracas diferentes e jamais teria adivinhado, porque, para o meu paladar, não fez nenhuma diferença. Tem gente que exalta a mostarda islandesa, mas, de novo, não achei nada de mais. Existe a lenda de que a Islândia faz o melhor cachorro-quente do mundo. De verdade? Discordo. Mas vai do gosto.

O meu amigo, esse que me deu várias dicas da Islândia, diz o seguinte: apesar de isolada, a Islândia é um país de primeiro mundo, então, tem de tudo. Relaxa.

Hospedagem

Há muitas opções de acomodação que, pelo visual, parecem bem legais para alugar no AirBnB, se você é do tipo que prefere alugar um quarto ou uma casa inteira só para você (e sua turma ou acompanhante). Da minha experiência, recomendo essa aqui, do Tolli, onde meus amigos e eu ficamos – uma localização bem central na cidade de Reykyavík. Além de ser uma casa bem bacana, tem decoração escandinava sem nenhuma pretensão.

Mas também conhecemos o Reykjavik Bus Hostel por acaso, quando fomos alugar nosso carro. A recepção da SADCars fica no mesmo estabelecimento que o hostel e foi ali que fomos apresentados ao Ricardo, um brasileiro do sul do Brasil, morador na Islândia há três anos e disposto a nos ajudar com dicas que só quem vive no país conhece. A recepção do hostel é muito bem decorada, com um despojamento muito peculiar à cultura hipster, mas isso é tudo o que sei a respeito do lugar, não testei. A impressão foi a melhor possível.

 

Os hostels são uma boa opção para os turistas que não querem gastar muito com hospedagem
Cafés charmosos estão concentrados em uma das ruas de Reykjavík, a Laugavegur

 

Imagens: Evelin Fomin

 

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Amazônia com conforto: conheça o Mirante do Gavião

Ir para um lugar como a Amazônia significa, claro, uma aproximação intrínseca com a natureza, se sentir parte dela, contemplar quem somos na essência. Mas como fazer isso se nos tornamos, muitas vezes, bichos da cidade que, sim, amam o verde, as paisagens e os animais, mas não suportam insetos, calor úmido e, deus-nos-livre, camping?

Ao planejar uma viagem para conhecer a floresta, eu, urbana que sou e desacostumada com a natureza em estado bruto, buscaria certamente um hotel que me proporcionasse bastante conforto, mas que estivesse totalmente em harmonia com o lugar onde se encontra. Isto é, teria de adotar o máximo de práticas sustentáveis possíveis e ao mesmo tempo proporcionar aos hóspedes uma experiência genuína, profunda, sem isolá-lo dentro de um palácio luxuoso.

Por isso, as fotos da Pousada Mirante do Gavião me chamaram a atenção. Trata-se de um pequeno empreendimento hoteleiro (apenas sete acomodações) em Novo Airão, a 200 km de Manaus.  A cidade é base para conhecer os parques nacionais de Anavilhanas e do Jaú, na região do Rio Negro.

A arquitetura contemporânea e de muita personalidade se mistura com a mata que a emoldura. Quem a assina é uma profissional europeia, Patricia O´Reilly, especialistas em projetos sustentáveis. Para construir os chalés foi usada a mesma técnica que a comunidade ribeirinha desenvolveu – e passa de pai para filho – para construir seus barcos.

O mirante do gavião foi construído por uma arquiteta que usou a beleza da natureza para exaltar o projeto
O Mirante do Gavião foi construído por uma arquiteta especializada em projetos sustentáveis que usou, é claro, a beleza natural para exaltar a construção

 

As construções repousam acima da clareira onde se encontram, como palafitas, assim a natureza pode continuar crescendo sem barreiras, sem impermeabilização do solo.

No dia a dia, o sol aquece a água e ilumina por entre vidros e janelas. Durante a noite, é sua energia que clareia. Os ventos cruzados são aproveitados, substituindo o ar-condicionado. E são águas pluviais que saem das torneiras.

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, Além de estilosas e confortáveis, as acomodações deste hotel de selva são amigas da natureza

 

O impacto social também é uma preocupação, e os sócios empregam os locais.  “Criamos empregos em uma região carente. Muitos funcionários estão com registro em carteira pela primeira vez. São pessoas da cidade e que recebem boa parte do treinamento conosco”, conta Ruy Tone, da agência Expedição Katerre, proprietária da pousada.

Para mais detalhes sobre a pousada, tarifas e contato, clique aqui.

Fotos: Thaís Antunes/Divulgação

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O que fazer em Ushuaia

Capital da província de Terra do Fogo, cidade mais austral do mundo, fim do mundo, porta de entrada da Antártida: a posição geográfica de Ushuaia é interessante demais. E os dois passeios clássicos que a cidade argentina oferece não ficam atrás e podem ser feitos no mesmo dia (com criança, recomendo quebrar em dois).

O primeiro é o Trem do Fim do Mundo, uma maria-fumaça que atravessa o Parque Nacional Terra do Fogo e antigamente transportava presos. Para nós, a paisagem parecia saída de um conto de fadas. Era fim de outubro e uma forte neve tardia cobriu toda a vegetação de branco. Lindo demais.

 

Parece Hogwarts Express, mas é o Trem do Fim do Mundo, na Terra do Fogo

 

A segunda atração é a navegação pelo canal de Beagle. De um lado, vemos as terras mais austrais da Argentina e do outro, as do Chile. Há um farol, ilhas habitadas por pássaros, lobos marinhos e até pinguins.

 

Ushuaia vista do catamarã que atravessa o Canal de Beagle

 

Dica A+V

Para ver os pinguins é preciso fazer o passeio de 5 horas. A opção mais curta, de 3 horas, não chega até a ilha onde eles ficam. Não é possível descer do catamarã, mas atracamos por 15 minutos para muitas fotos.

 

A ilha dos pinguins de magalhães, o ponto alto do passeio

 

Existe um tour, oferecido apenas por uma agência, Piratour, em que é possível descer do barco e ficar uma hora junto aos pinguins. Mas com a temperatura negativa e o vento patagônico castigando, achamos que sofreríamos demais na ilha, onde não há nenhum tipo de construção ou proteção das intempéries.

 

 

Imagens: Marina Monzillo

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El Calafate, a base para conhecer as geleiras

El Calafate  é para onde você deve se dirigir para ficar de queixo caído diante do glaciar Perito Moreno. Esta cidade batizada com o nome de uma fruta da região é mais bonitinha que Ushuaia, com um comércio mais charmoso. No início da rua principal, há um playground bacana, onde fomos todos os dias para alguns minutos de diversão infantil.

Dentro do Parque Nacional dos Glaciares, a 70 km do centro, há duas experiências: caminhar sobre passarelas entre bosques, que se aproximam da geleira (apenas uma parte é acessível, portanto, levar carrinho de bebê não vale a pena); e fazer um passeio de barco de uma hora até bem próximo do paredão. Conselho: faça as duas coisas, que se completam, com ângulos diferentes.

Em um passeio de barco de uma hora de duração, você chega pertinho da geleira Perito Moreno

 

Nunca ache que quem viu uma geleira, viu todas! Upsala, por exemplo, também é um glaciar do Parque Nacional, mas a experiência é completamente diferente de Perito Moreno, a começar pelo acesso, apenas por barco, e leva o dia inteiro para ir e voltar.

El Calafate é a cidade onde vale ficar mais dias no roteiro patagônico. Perito Moreno e Upsala tomam um dia todo cada um. Ainda é possível fazer um bate-e-volta para El Chaltén, vila aos pés do pico mais alto da região, o Fitz Roy. El Chaltén, inclusive, está na lista dos destinos imperdíveis de 2015 do guia Lonely Planet.

 

O Pico Fitz Roy, em El Chaltén, capital argentina do trekking

 

A estrada para chegar lá, parte da mítica Rota 40, já vale o passeio. Não deixe de conhecer o histórico Parador La Leona e relaxar com um café e uma torta. É a estalagem de alpinistas célebres há mais de 100 anos e, dizem, recebeu Butch Cassidy durante sua fuga!

O Parador La Leona tem uma história interessante, e, de quebra, uma gostosa torta para comer com café

 

Dica A+V

Ao contrário de Ushuaia, onde alugar um carro só é necessário se você quiser curtir o Parque Nacional Terra do Fogo além do passeio de trem, em Calafate um automóvel é essencial. Se não, você tem de ficar comprando passeios engessados com agências locais. Mas a oferta de carros para famílias não é muito grande, os preços são altos. Reserve com antecedência.

 

Em El Calafate, alugar um carro é essencial. Só não esqueça de reservar com antecedência!

 

Imagens: Marina Monzillo e Luis Eduardo Maino