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7 feiras imperdíveis de Londres

Uma das coisas que eu mais amo em Londres – que se tornou um segundo lar para mim – é o quanto ela é viva. E as feiras que ocupam ruas, vielas e galpões nos mais variados bairros, principalmente aos fins de semana, são as vitrines dessa atmosfera vibrante, miscigenada e democrática da cidade.

A seguir, uma lista dos London markets preferidos do A+V. Cada um tem sua especialidade – comida, objetos de decoração, roupas, flores etc. – e seu público. Antes de escolher o que mais combina com o seu estilo, tente conhecer todos, dessa maneira, você entenderá a multifacetada personalidade londrina.

1. Portobello Road Market (aos sábados)

 

Todos amam Notting Hill: aos sábados, a Portobello Road fica assim
Todos amam Notting Hill: aos sábados, a Portobello Road fica assim


Provavelmente a mais famosa das feiras de Londres e, por isso, concorridíssima. Fica no coração do famoso bairro de Notting Hill – é o mercado que aparece em Um Lugar Chamado Notting Hill(1999), na cena em que o ator Hugh Grant caminha enquanto as estações do ano vão mudando.

A Rua Portobello e sua feira também são cantadas no musical Se Minha Cama Voasse (1971), da Disney – o legal nesse filme é ver como eram no passado, quando as antiguidades funcionavam como o principal chamariz para a clientela. Hoje, tem de tudo um pouco, roupas, souvenirs turísticos, objetos de decoração e muita, muita gente. Se quiser conhecer o bairro – que é fofo, com flores e casinhas coloridas – prefira ir durante a semana. Nas adjacências, estão lojas como a The Spice Shop (para comprar temperos) e a Notting Hill Bookshop (antes chamada The Travel Bookshop, que inspirou a livraria em que Hugh Grant era proprietário no adorado filme).

 

A feira de Portobello tem de tudo um pouco: roupas, comida, antiguidades, souvenirs, idosos, crianças e muitos turistas
A feira de Portobello tem de tudo um pouco: roupas, comida, antiguidades, souvenirs, idosos, crianças e muitos turistas

 

2. Camden Town (diariamente, mas várias lojas só abrem no fim de semana)

No Camden Lock está uma das inúmeras feiras que fazem de Camden Town um labirinto de barraquinhas
No Camden Lock está uma das inúmeras feiras que fazem de Camden Town um labirinto de barraquinhas

 

Camden Town costumava ser o ~point~ da cena alternativa de Londres, mas virou bem turístico e perdeu um pouco a personalidade. Ainda vale conhecer, mas se prepare para a muvuca. A loja Cyberdog, voltada para os fãs de balada tecno, é bem curiosa – tem desde brinquedos infantis a itens de sex shop em um ambiente escuro, com o som alto e go-go boys dançando.

Nas barraquinhas ao redor, tem muita roupa baratinha e bonita nos mais ousados estilos: retrô, gótico, psicodélico – é só questão de fuçar no labirinto, já que não se trata de uma feira, mas de várias, uma do lado da outra, todas ao longo das ruas Camden High Street e Chalk Farm Road e perto do charmoso Regent’s Canal.

Estúdios de tattoo e piercing são a cara de Camden. Uma área do Camden Stables Market (que ocupa antigos estábulos de uma companhia ferroviária) tem barraquinhas de comida do mundo inteiro: vietnamita, chinesa, mexicana, tailandesa, italiana, marroquina, e por aí vai. Um prato custa cerca de 5 libras.

 

3. Old Spitalfields Market (diariamente, mas aos domingos é mais completo)

 

Fica em East London, a região mais descolada da cidade, perto de Liverpool Street. Começou como um mercado de frutas no início do século 20, tomou a forma atual nos anos 90 e, mais recentemente, passou por uma boa reforma. Ficou mais mainstream, com redes de restaurantes e algumas lojas arrumadinhas, e perdeu um pouco do charme de “velho galpão recheado de gente jovem criativa”. Mas ainda é onde tem as roupas mais legais para vender, na minha opinião, além de vinis, bijuterias, pôsteres e outros itens de arte acessíveis.

 

O mercado coberto de Old Spitalfield ficou arrumadinho, mas ainda tem itens com bons preços
O mercado coberto de Old Spitalfields ficou arrumadinho, mas ainda tem itens com bons preços

 

4. Broadway Market (aos sábados)

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É o que mais se assemelha às nossas feiras de rua brasileiras, porque tem um foco bem forte em comida. São barraquinhas de linguiças, queijos, pães e doces em uma rua de comércio local, com cafés orgânicos, pubs e produtos saudáveis. Há também brinquedos e roupas. Fica em Hackney, um dos bairros mais legais da cidade (no East London). A rua Broadway começa no Regent’s Canal (o mesmo de Camden, só que alguns bons quilômetros mais ao leste) e termina no parque London Fields. Você chega de bicicleta pelo canal, encontra os amigos, pega algo para comer na feirinha, e vai sentar no parque. O melhor programa para um sábado de manhã em Londres.

 

 

 

5. Bricklane (aos domingos)

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É muito mais que uma feirinha, é uma rua e suas travessas e paralelas onde o caleidoscópio de sabores e culturas de Londres é mais colorido (na foto principal). Repare nas placas com os nomes das ruas: estão escritas tanto em inglês como em bengali. Antigamente, era uma bocada – o pedaço de Jack, o Estripador – mas já faz tempo virou o local da galera das artes e da vanguarda. Cada vez que eu vou lá, tem algo novo para ver, uma exposição de arte ousada em algum galpão, uma nova feirinha com os trabalhos de jovens designers, um show de música de uma banda ótima. A atração fixa fica por conta dos restaurantes indianos, um ao lado do outro, dos beigel shops (que fazem a alegria dos famintos da madrugada, mas que funcionam o dia inteiro vendendo esses pães quentinhos com cream cheese), e dos bares e clubs como o Vibe Bar, onde o importante é se divertir e não aparecer.

 

O mercado dominical de Bricklane e vende roupas e acessórios de novos designers
O mercado dominical de Bricklane vende roupas e acessórios de novos designers

 

 

6. Columbia Flower Market (aos domingos)

 

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Flores ocupam a tranquila Columbia Road aos domingos de manhã

Como o nome diz, é a feira de flores. A tranquila Columbia Road se transforma aos domingos, quando vira um jardim, com muita gente circulando, artistas de rua e comidinhas. As lojas escondidas por trás da profusão de pétalas, galhos e folhas também são interessantes: há galeria de street art, objetos de decoração, confeitaria, tudo bonito e moderninho.

É um pouco longe de uma estação de metrô e os turistas ainda não chegaram aos montes. Junto com o Broadway Market, é o mercado que tem o melhor astral.

 

O agito começa cedo, com vendedores de rua  e apresentações de música no Columbia Flower Market
O agito começa cedo, com vendedores de rua e apresentações de música no Columbia Flower Market

 

7. Borough Market (por completo, de quarta a sábado)

Se a palavra gourmet não tivesse se tornado o maior clichê da década, eu a usaria para descrever o público que se encanta com o Borough Market. São pessoas que gostam de cozinhar, de comer bem, de conhecer novos sabores e texturas, com curiosidade quase antropológica. A poucos passos da margem sul do Tâmisa, este mercado tem alimentos de todas as partes do mundo, uma variedade de cogumelos que eu nunca tinha visto na vida, ostras frescas acompanhadas de taças de prosecco e tortas de carne de porco, para citar apenas alguns poucos exemplos.

 

Guia de feirinhas para o fim de semana

 

Um sábado e domingo são pouco para curtir todos os mercados. Estas são as sugestões de roteiro que faço para os amigos que vão ficar um, dois ou três fins de semanas na cidade. Não incluí o Borough Market, porque pode ser visitado nos dias úteis.

Na correria (um fim de semana)

Sábado
Manhã: Broadway Market
Almoço: Camden Town
Tarde: Portobello Road

Domingo
Manhã: Columbia Flower Market
Almoço: Spitalfields Market
Tarde: Bricklane

Curtindo um pouco mais (dois fins de semana)

Sábado
Pela manhã: Broadway Market
Almoço/tarde: Camden Town

 Domingo
Spitalfields Market

Sábado
Portobello Road

Domingo
Manhã: Columbia Flower Market
Almoço/tarde: Bricklane

No tempo perfeito (três fins de semana)

Sábado
Broadway Market

 Domingo
Spitalfields Market

Sábado
Portobello Road

Domingo
Camden Town

Sábado
Columbia Flower Market

Domingo
Bricklane

Imagens: Chris JLMario Sánchez Prada, Michiel Jelijs e Observista/Creative Commons, Edward Betts, Marina Monzillo e Getty Images.

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Olinda em poucas horas

Viagens para Porto de Galinhas, Carneiros e certamente Recife pedem uma passadinha na querida Olinda, cujo nome parece vir sempre acompanhado das expressões “Carnaval”, “bonecos gigantes” e “cidade histórica”. Mas a vizinha de Recife, claro, tem outras belas alegorias – para ficarmos na analogia carnavalesca.

A partir do centro da capital pernambucana percorra cerca de 33 quilômetros de carro e você estará na Sé, o ponto mais alto de Olinda. E que vista! Se você não dá bola para as construções coloniais e igrejas – que eu particularmente adoro – vá pelo menos pela incrível paisagem da montanha verde descendo sobre o mar azul.

O assédio de “guias turísticos” é grande, como em todos os pontos de interesse do Nordeste. Segui meu instinto e acertei ao contratar o João Batista, que nos levou por um tour a pé em troca de uma caixinha.

Caminhar é a melhor forma de conhecer todos os detalhes e entrar no clima da cidade. João Batista conhecia bem as ruas e, o percurso que parecia não ter fim, se tornou gostoso de andar. Mas atenção: se você não tem pique ou estiver acompanhado de crianças ou idosos, aborte a ideia e circule de carro – é um sobe-e-desce que só.

A seguir, confira os pontos que visitamos em aproximadamente três horas de passeio:

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA

Começamos o giro por esta igreja fundada em 1535 onde até hoje funciona o seminário de padres de Olinda. Por ainda abrigar os estudantes, o local fica fechado e é possível apenas tirar fotos. Mas o que vale a pena é a vista do marzão azul e das casinhas e igrejinhas da cidade.

Visitar a Igreja de Nossa Senhora da Graça vale a pena pela vista do ponto mais alto de Olinda
A Igreja de Nossa Senhora da Graça fica no ponto mais alto de Olinda, que é uma cidade sobre colinas

 

IGREJA DA SÉ

Esta é a igreja matriz da cidade, construída em 1548. Apesar de ter sofrido um incêndio causado pela invasão holandesa em meados de 1600, o local foi restaurado e está bem conservado. Os pontos altos de lá são os altares laterais banhados a ouro, o túmulo do arcebispo de Recife e Olinda Dom Helder Câmara e o teto feito todo em madeira. Dentro da igreja fica um senhor que sabe muito da história do local. Se puder, fique para ouvir suas narrativas, que são bastante interessantes. Ah, vá até o pátio da igreja e se deslumbre, mais uma vez, com a vista.

Um dos altares banhados a ouro, o teto todo feito de madeira e a geral da matriz de Olinda
Um dos altares banhados a ouro, o teto todo feito de madeira e a fachada da matriz de Olinda

 

MERCADO DA RIBEIRA

Se você não quiser, ou como nós, não tiver tempo de entrar no museu do Mamulengo, neste mercado dá para ter uma boa ideia de como são os bonecões tão tradicionais no Carnaval da cidade. O espaço dispõe de objetos típicos do frevo, como as sombrinhas e máscaras. Não é preciso pagar para entrar e usar os adereços para fotos, eles apenas pedem uma contribuição para manter o espaço.

Ah! No mesmo local há algumas lojinhas com artesanatos da região bem baratos.

No espaço dá para ver os bonecões de perto e ainda tirar fotos com os acessórios tradicionais do carnaval de Olinda
No espaço dá para ver os bonecões de perto e ainda tirar fotos com os acessórios tradicionais do Carnaval de Olinda

 

MOSTEIRO DE SÃO BENTO

Para quem é de São Paulo e/ou conhece o Mosteiro paulistano, o nome e a estrutura são familiares. Construído em 1586, no espaço funcionou a primeira escola de Direito do país, e seu altar é muito bonito e cheio de detalhes revestidos em ouro. É interessante também observar que há um Cristo crucificado em tamanho real no coro da igreja que está virado de costas para o altar. Nosso guia nos explicou que ele está assim por causa dos escravos que queriam assistir à missa, mas não podiam entrar na igreja.

O belíssimo altar do Mosteiro de São Bento, o Cristo virado de costas e a visão geral da primeira escola de direito do Brasil
O belíssimo altar do Mosteiro de São Bento, o Cristo virado de costas e a visão geral da primeira escola de Direito do Brasil

 

IGREJA DE SÃO PEDRO APÓSTOLO
Mesmo quem não entende nada de arte barroca e/ou não costuma frequentar igrejas, ao entrar no lugar já nota diferenças de outras construções. João Batista nos explicou que esta é a única igreja da cidade que sofreu influências holandesas na construção do altar, que parece uma arte 3D.
O legal de visitá-la, além da arte do altar é que, ao seu lado, está a casa mais antiga de Olinda, onde hoje funciona um restaurante.

A igreja de São Pedro apóstolo traz a influência holandesa no design do altar, que parece #D. Ao lado fica a casa mais antiga da cidade
A igreja de São Pedro Apóstolo traz a influência holandesa no design do altar, que parece 3D. Ao lado, fica a casa mais antiga da cidade

 

CONVENTO DE SÃO FRANCISCO
Este foi o primeiro estabelecimento franciscano no país, construído em 1585 e composto da igreja principal, uma sacristia e duas capelas (uma delas com lindos azulejos portugueses nas paredes). O bacana do lugar é olhar para o alto, que me fez lembrar o famoso teto da Capela Sistina na Itália, já que é todo feito de pinturas. Vale a visita e também não custa nada para entrar.

Uma das capelas do Convento de São Francisco tem o teto todo feito de pinturas à óleo. Me lembrou a Capela Sistina
Uma das capelas do Convento de São Francisco tem o teto todo feito de pinturas a óleo. Me lembrou a Capela Sistina

 

ONDE COMER
Nosso tour acabou no Convento de São Francisco e, depois de três horas andando embaixo do sol, estávamos mortos de fome. Todos por lá falam das maravilhas do restaurante Oficina do Sabor, que o A+V já conheceu e garante que é uma experiência gastronômica inesquecível, mas acabamos optando por algo mais em conta, o Olinda Art&Grill, ao lado da Igreja da Sé e que tem uma vista linda da cidade.

Pedimos um prato tradicional com carne de sol, feijão de corda, macaxeira, salada e um pirão de queijo que até hoje sentimos saudades de tão gostoso. Custou cerca de R$ 90 e serviu três adultos esfomeados. Aprovado.

O Olinda Art&Grill tem comida bem servida, gostosa e com preços honestos
O Olinda Art&Grill tem comida bem servida, gostosa e com preços honestos

Fotos: Larissa Palmer e Prefeitura de Olinda/Creative Commons

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Paraty e para crianças

Venho por meio deste (texto) rechaçar um mito: o de que Paraty não é destino para crianças pequenas.

Dá para entender o que faz as famílias com babies e toddlers pensarem na cidade litorânea como complicada. Preferida dos jovens casais paulistanos (e alguns cariocas, afinal, pertence ao Estado do Rio de Janeiro e fica mais próxima da capital fluminense do que da paulista), Paraty não faz o estilo pé-na-areia, tem a vida noturna como grande atrativo – são cada vez mais numerosos os bares e restaurantes com música ao vivo, quase sempre no estilo banquinho/MPB no violão – e o Centro Histórico tem aquele calçamento de pedras lindo, mas que impossibilita carrinhos de bebê e passinhos (ainda) hesitantes.

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Pedra sobre pedra: o calçamento do Centro Histórico agrada aos adultos, mas atrapalha quem ainda dá passinhos hesitantes

 

De fato, curtir o charmoso Centro Histórico e seu comércio não foi o foco da minha quarta e mais recente ida à Paraty, a primeira com a pequena. Ela se cansava rápido de andar sobre as pedras e pedia colo. Mas isso não significa que aproveitamos menos. A seguir, meu roteiro de Paraty com uma criança de 3 anos:

1. Vá no verão

Paraty é incrível o ano inteiro, tem Festa Literária (FLIP), Festa do Divino, festival de fotografia (Paraty em Foco). Mas com criança, o melhor é ir mesmo durante o verão, curtir a natureza. Em algumas ilhas, dá para ver lagartos e micos. Catamos conchinhas aos montes e pegamos bolachas-do-mar na mão (e depois devolvemos!). E aproveitamos diariamente os sorvetes da Pistache ou do Finlandês – ambos no Centro Histórico.

2. Não fazer passeio de barco é perder o melhor de lá

Existem três opções: escuna, barco particular e lancha. Os preços são proporcionais ao conforto. Escunas levam grupos grandes, com duração, roteiro e trilha sonora (axé) pré-definidos. Os barcos de “pescador” dão mais liberdade porque levam apenas um ou dois grupos. Nós optamos pela lancha, que tem a mesma possibilidade de customização, mas é rápida, dá para ver mais em menos tempo. Valeu a pena.

 

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Parada para encher a barrigota: passear de lancha em Paraty é poder chegar na Ilha do Algodão

 

O ponto alto foi conhecer o Saco do Mamanguá, uma espécie de fiorde tropical, paredões verdes em uma baía linda. Na volta, paramos na Ilha do Algodão, para um almoço maravilhoso no restaurante do Hiltinho. Ao fim de cinco horas de passeio, minha filha já mergulhava da lateral da lancha no mar sem receio. A embarcação leva até 9 pessoas, e o preço varia de R$ 150 a R$ 200 a hora, na alta temporada.

3. Praias acessíveis de carro

Mas o melhor para crianças, sem dúvida, são algumas praias de mar calmo, quase piscina, que ficam no máximo a 15 quilômetros do centro.

– Barra do Corumbé

Pequena, com barquinhos de pescador, acesso pelo km 565 da Rio-Santos.

O melhor: o quiosque Cheiro de Camarão: arrumadinho, com deliciosos sucos, porções de frutos do mar generosas e bem feitas. A sombrinha do sapé é perfeita para a turminha brincar, enquanto os pais relaxam.

O lado ruim: a água do mar é turva por conta de folhas e algas, mas nada que impeça o banho.

 

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Sombra e calmaria: Barra do Corumbé nem tem o melhor banho de mar, mas tem o melhor quiosque!

 

– Paraty-Mirim

Acesso pelo km 593 da Rio-Santos, e mais 7 Km de estrada de terra. Me lembrou a Guarda do Embaú (SC) por conta do vento incessante e do encontro do mar com o rio.
O melhor: a praia é linda, o mar é límpido e calmíssimo. Difícil ter vontade de sair da água e impossível tirar a criançada de lá.
O lado ruim: A estrutura. O melhor dos mundos seria um quiosque como o Cheiro de Camarão em Paraty-Mirim.

 

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Mar rasinho toda a vida: é assim a praia de Paraty-Mirim, cercada por um banco de areia

 

Fotos: Marina Monzillo e Otávio Nogueira/Creative Commons

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Islândia para iniciantes

Outro dia, estávamos à mesa de um jantar gostoso, rodeado de amigos de várias épocas, quando papai pediu que eu contasse a minha última aventura de viagem. Animada, obedeci e comecei dizendo que, desta vez, tinha ido à Islândia. O primeiro comentário impulsivo e honesto aconteceu assim: “Islândia? Onde é isso?”

Não vou pegar no pé da questão da geografia porque, figurativamente, essa pergunta tem mesmo tudo a ver: “Onde é isso, minha gente?” A Islândia é tão inóspita, é tão fora do radar que nada ali é clichê e, melhor, qualquer dica que você siga em qualquer roteiro de viagem, é só listar, organizar a rota de acordo com o tempo que você dispõe e pronto.

A Islândia não é um roteiro comum, mas definitivamente merece um espacinho na sua lista de próximos destinos
A força da natureza, na Islândia, não é um clichê. Note as duas pessoas diante do lago glacial de Jökulsárlón

 

Mas como saber se a Islândia é mesmo um destino para você, que talvez não esteja tão familiarizado com a região? Simples. Se, pelo menos, três dos cinco itens abaixo têm a ver com você, então a Islândia tem o potencial de ser o seu número.

1. Gosto de destinos para explorar a natureza;
2. Gosto de destinos com poucos habitantes;
3. Gosto da ideia de comer pratos esquisitos;
4. Gosto da aurora boreal (e sei do que se trata) e outros fenômenos da natureza;
5. Gosto de design escandinavo (e sei do que se trata).

As dicas básicas, a seguir, são um panorama geral importante para você entender onde você estará pisando.

 

Natureza, atividades fora do comum e experiências novas são os destaques da Islândia
Em Vík, os penhascos de Dyrholaey são margeados pelas areias de uma das mais lindas praias pretas no mundo

 

Locomoção

Faça as contas (sempre faça as contas) de quantos passeios você faria e quanto você pagaria para se locomover até cada um ANTES de desistir de alugar um carro. Ou seja, pelas minhas contas, vale muito alugar um carro e circular com o Waze ou o Google Maps do seu smartphone (com um SIM card local). O país tem muitas planícies e o sinal do celular funciona superbem no meio do absoluto nada, o que é uma maravilha. A capital, Reykjavík, é pequena se comparada ao tamanho de metrópoles pelo mundo e você pode se locomover por ali de bike ou a pé. Mas vai precisar de um carro para viajar distâncias de duas horas, mais ou menos, em média, para ir até as principais atrações da natureza – e, lembre-se, as principais atrações são as da natureza. Alugue, alugue um carro. E, se eu fosse você, alugaria um carro da SADCars porque é uma das empresas mais baratas.

Alugar um carro para viajar distâncias maiores é a melhor opção para não perder nenhum aspecto da natureza, a estrela do local
As fendas são profundas e se concentram em grande quantidade no Parque Nacional de Thingvellir

 

Quando chegar

Se você optar, afinal, pelo aluguel do carro, faça isso com antecedência porque, assim, pode acertar de a empresa ir buscá-lo(a) no Aeroporto Internacional de Keflavík. Se você deixou isso para a última hora, só tem um jeito de sair de lá: de táxi ou de ônibus fretado. Como tudo na Islândia custa muito caro para o bolso do turista (até os ingleses, que têm a forte libra ao favor deles, reclamam dos preços!), sugiro o ônibus fretado. Existem apenas duas companhias, com valores bem parecidos, que fazem o percurso.

O idioma

A Islândia é surpreendente em muitos aspectos. Dentre elas, o idioma estranhíssimo, com uma profusão de fonemas que parecem vir de várias partes do planeta. Mas não se espante se todos – todos mesmo – os habitantes conseguirem se comunicar com você em inglês. Com um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) altíssimo, ocupando o 13° lugar, faz sentido que a população seja bilíngue.

 

Se você sabe falar inglês não terá problemas em se comunicar com os habitantes da Islândia
A planície com montinhos de pedras, o Althingi, é o parlamento nacional mais antigo da história

 

O que comer

Uma das coisas que se aprende logo a respeito da Islândia é o quanto ela é cara. “Mas cara quanto?”, você perguntaria. Cara tipo R$ 70 para um cheeseburguer básico com batata frita rústica, sem bebida. Como me avisou um amigo muito querido, comer vegetais, por exemplo, só pagando o olho da cara e, ainda assim, tem de ser no supermercado Bonus. O blog I Heart Reykyavik explora mais sobre o universo da comida na Islândia, em inglês, no post The Ultimate Guide to Food Shopping in Iceland, e menciona o Bonus.

Mas se você for do tipo que aluga casa em sites como o AirBnB, então vai poder economizar muito se for cozinhar. Não deixe de comprar salmão no supermercado, ou atum, bacalhau ou qualquer outro peixe. Tudo que vem do mar é muito saboroso e fresco. E não se assuste com algumas peças estranhas que podem parecer estragadas: na realidade, elas estão estragadas, mas são iguarias, como carne de tubarão podre.

Tem ainda os carrinhos (tipo food trucks) que vendem hot dogs, ou pylsur, em islandês. É a opção mais barata que você vai encontrar para matar a fome rápido. Uma das receitas clássicas que dizem por aí é que a salsicha é cozida com coca-cola – eu provei alguns e em barracas diferentes e jamais teria adivinhado, porque, para o meu paladar, não fez nenhuma diferença. Tem gente que exalta a mostarda islandesa, mas, de novo, não achei nada de mais. Existe a lenda de que a Islândia faz o melhor cachorro-quente do mundo. De verdade? Discordo. Mas vai do gosto.

O meu amigo, esse que me deu várias dicas da Islândia, diz o seguinte: apesar de isolada, a Islândia é um país de primeiro mundo, então, tem de tudo. Relaxa.

Hospedagem

Há muitas opções de acomodação que, pelo visual, parecem bem legais para alugar no AirBnB, se você é do tipo que prefere alugar um quarto ou uma casa inteira só para você (e sua turma ou acompanhante). Da minha experiência, recomendo essa aqui, do Tolli, onde meus amigos e eu ficamos – uma localização bem central na cidade de Reykyavík. Além de ser uma casa bem bacana, tem decoração escandinava sem nenhuma pretensão.

Mas também conhecemos o Reykjavik Bus Hostel por acaso, quando fomos alugar nosso carro. A recepção da SADCars fica no mesmo estabelecimento que o hostel e foi ali que fomos apresentados ao Ricardo, um brasileiro do sul do Brasil, morador na Islândia há três anos e disposto a nos ajudar com dicas que só quem vive no país conhece. A recepção do hostel é muito bem decorada, com um despojamento muito peculiar à cultura hipster, mas isso é tudo o que sei a respeito do lugar, não testei. A impressão foi a melhor possível.

 

Os hostels são uma boa opção para os turistas que não querem gastar muito com hospedagem
Cafés charmosos estão concentrados em uma das ruas de Reykjavík, a Laugavegur

 

Imagens: Evelin Fomin

 

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Amazônia com conforto: conheça o Mirante do Gavião

Ir para um lugar como a Amazônia significa, claro, uma aproximação intrínseca com a natureza, se sentir parte dela, contemplar quem somos na essência. Mas como fazer isso se nos tornamos, muitas vezes, bichos da cidade que, sim, amam o verde, as paisagens e os animais, mas não suportam insetos, calor úmido e, deus-nos-livre, camping?

Ao planejar uma viagem para conhecer a floresta, eu, urbana que sou e desacostumada com a natureza em estado bruto, buscaria certamente um hotel que me proporcionasse bastante conforto, mas que estivesse totalmente em harmonia com o lugar onde se encontra. Isto é, teria de adotar o máximo de práticas sustentáveis possíveis e ao mesmo tempo proporcionar aos hóspedes uma experiência genuína, profunda, sem isolá-lo dentro de um palácio luxuoso.

Por isso, as fotos da Pousada Mirante do Gavião me chamaram a atenção. Trata-se de um pequeno empreendimento hoteleiro (apenas sete acomodações) em Novo Airão, a 200 km de Manaus.  A cidade é base para conhecer os parques nacionais de Anavilhanas e do Jaú, na região do Rio Negro.

A arquitetura contemporânea e de muita personalidade se mistura com a mata que a emoldura. Quem a assina é uma profissional europeia, Patricia O´Reilly, especialistas em projetos sustentáveis. Para construir os chalés foi usada a mesma técnica que a comunidade ribeirinha desenvolveu – e passa de pai para filho – para construir seus barcos.

O mirante do gavião foi construído por uma arquiteta que usou a beleza da natureza para exaltar o projeto
O Mirante do Gavião foi construído por uma arquiteta especializada em projetos sustentáveis que usou, é claro, a beleza natural para exaltar a construção

 

As construções repousam acima da clareira onde se encontram, como palafitas, assim a natureza pode continuar crescendo sem barreiras, sem impermeabilização do solo.

No dia a dia, o sol aquece a água e ilumina por entre vidros e janelas. Durante a noite, é sua energia que clareia. Os ventos cruzados são aproveitados, substituindo o ar-condicionado. E são águas pluviais que saem das torneiras.

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, Além de estilosas e confortáveis, as acomodações deste hotel de selva são amigas da natureza

 

O impacto social também é uma preocupação, e os sócios empregam os locais.  “Criamos empregos em uma região carente. Muitos funcionários estão com registro em carteira pela primeira vez. São pessoas da cidade e que recebem boa parte do treinamento conosco”, conta Ruy Tone, da agência Expedição Katerre, proprietária da pousada.

Para mais detalhes sobre a pousada, tarifas e contato, clique aqui.

Fotos: Thaís Antunes/Divulgação

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De volta ao Birdland com Stacey Kent

Eu até que tentei resistir. Vi que a Stacey Kent estaria de novo em Nova York, até che-guei a me animar com a ideia, só que depois pensei comigo mesmo: “É dezembro, cor-reria de Natal etc.. Desta vez eu vou ter de passar”.

Bem, os deuses do jazz e da bossa nova discordaram da minha ideia, e criaram todo um enredo pra me fazer voltar ao Birdland numa fria noite de quase inverno, exatamente um ano depois da primeira vez, quando assisti a esta maravilhosa cantora ao vivo. Foi assim: há algumas semanas, entrou no ar o Até + Ver em inglês. Uma amiga minha americana leu meu post sobre o show do ano passado, e me colocou em contato com a Sonia — uma amiga dela que é muito próxima da Stacey e do Jim Tomlinson, marido e parceiro musical dela.

Quando eu disse que não tinha muita certeza se ia ao show, ela respondeu: “De jeito nenhum!”, ou melhor, “No way!”, em bom inglês. E me convenceu a ir, com a promessa de me apresentar a eles. Também disse que tinha ouvido falar muito bem do cara que estava tocando com a Stacey, por acaso eu sabia quem era?

Bom, eu não só sabia quem era Marcos Valle, como sou fã dele. A bossa nova tem os seus ícones, como Tom, Vinicius, João Gilberto, Menescal e outros mais, mas esta época de ouro da música brasileira também produziu belíssimas composições de gente como Carlos Lyra, Edu Lobo, e os irmãos Marcos e Paulo Sergio Valle. “Preciso Aprender a Ser Só”, assinada pela dupla, na minha opinião, é uma das mais lindas canções que existem.

Devidamente convencido, comprei os ingressos e me preparei psicologicamente para uma noite inesquecível. E inesquecível é descrição exata do show, que foi filmado para DVD. O Marcos Valle está comemorando 50 anos de carreira e celebrando com uma turnê mundial ao lado de Stacey, Jim, e uma banda da pesada, composta exclusivamente por músicos brasileiros. Com destaque para o guitarrista Luis Brasil.

O Birdland: ambiente agradável ao som de boa música

 

Um ponto em comum e uma grata surpresa

O show foi impecável. A Stacey estava em estado de graça, o Marcos ao piano tem um som, bem, cheio de bossa (hahaha), o Jim é um saxofonista de primeira, e os arranjos são bem bacanas. Lá pelas tantas, o Marcos pegou o microfone para contar da primeira vez em que ouviu a Stacey cantando, e se apaixonou pela voz dela, e eu ri sozinho da coincidência: ele disse que estava empacado num congestionamento no Rio, o rádio do carro começou a tocar músicas desta cantora maravilhosa, em francês, e ele desesperado querendo saber quem era, mas o DJ não falava. Finalmente ele disse “Stacey Kent”, o Marcos anotou, chegou em casa, pesquisou sobre ela e virou fã.

Se você leu o meu texto anterior sobre a Stacey, deve se lembrar de que algo bem parecido ocorreu comigo. Eu a ouvi pela primeira vez numa loja, cantando em francês, perguntei para a vendedora quem era — e obviamente ela não fazia ideia —, mas não descansei enquanto não descobri. E dali pra frente eu também virei “seguidor”.

Outro detalhe bacana que o Marcos contou foi quando ele e a Stacey se encontraram pela primeira vez. Em 2011, o pessoal que estava montando a programação do concerto de comemoração dos 80 anos do Cristo Redentor convidou apenas uma cantora americana para participar, adivinha quem? Por outra coincidência do destino, alguém achou que ela faria um bom dueto com o Marcos. O resto é história, ou melhor, histórias — e cada uma melhor que a outra. Tem o caso de uma música que ele fez, e pediu que ela colocasse letra. Em francês. Mas a Stacey disse que não escrevia em francês, só cantava. Mas sabia exatamente a quem pedir. Falou com o amigo Bernie Beaupère, que já tinha colaborado com ela e Jim no disco “Raconte Moi”, e desta parceria surgiu a belíssima “La Petite Valse”.

Mas a melhor história de todas é a de “Amando Demais”. Nunca ouviu falar desta canção? Surpresa alguma, pois ela foi lançada mundialmente na semana passada. É a primeira parceria de Marcos Valle e Vinicius de Moraes. Soa meio estranho, mas é a pura verdade. Apesar de terem convivido por uma boa parte dos anos 60, Marcos nunca tinha composto com poetinha. Há alguns meses, num evento em comemoração aos 100 anos de Vinícius (comemorados em 2013), ele foi presenteado pela família Moraes com uma letra inédita, que tinha sido encontrada recentemente entre os documentos de Vinicius. E desta linda história surgiu mais uma belíssima canção.

A noite não poderia estar sendo melhor, e eu estava em estado de graça. Daí os músicos todos saíram do palco. Quer dizer, quase todos, pois Jim Tomlinson e seu sax tenor ficaram, e em seguida o trio Marcos-Stacey-Jim atacou uma versão de “Preciso Aprender a Ser Só” que, foi, tenho de confessar, de chorar!

Para conhecer o lugar onde Marcos Valle e Stacey Kent se apresentaram recentemente e ouvir um jazz de primeira em Nova York:

Birdland: 315 West 44th Str. (entre 8th e 9th Ave.), New York
(212) 581-3080 (www.birdlandjazz.com)

Para ouvir a trilha sonora deste post:

Marcos Valle & Stacey Kent: novo CD “Ao Vivo: 50 Anos de Carreira”, em lojas e no iTunes

Imagens: Maurício Morato e Rogier Mulder/Creative Commons

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Como é o Museu de los Niños, em Buenos Aires

Basta dar um Google em “Buenos Aires com crianças”, você encontrará uma boa variedade de dicas, e o Museu de los Niños aparece em todos os roteiros. Apesar de o nome remeter à arte e história, o que temos, de fato, é um parque de diversões educativo que poderia se chamar Ciudad de los Niños. Há supermercado, agência de correios, banco, consultório de dentista, ônibus, carros, avião, tudo de brincadeira. Para os pequenos experimentarem, de forma lúdica, a vida adulta.

Dentro do museu há um supermercado cheio de produtos para os pequenos comprarem. Tudo de mentirinha.
Dentro do museu há um supermercado cheio de produtos para os pequenos comprarem com dinheiro de mentirinha

 

Pontos positivos:

– Apesar de um leve cheio de mofo no ar, as instalações têm aparência de novas, são lindamente coloridas e bastante seguras.

 

Tudo  é colorido para chamar a atenção dos pequenos e seguro para a tranqulidade dos papais

 

– É um programa perfeito para um dia de chuva na capital portenha. O Shopping Abasto ainda tem uma roda gigante indoor, um parquinho estilo “Playland” e uma praça de alimentação logo ao lado.

Pontos negativos:

– Fica dentro de um shopping, o que tira um pouco da graça do parque.

– O Abasto fica um pouco distante das áreas mais turísticas da cidade, levamos 20 minutos de táxi do Puerto Madero até lá.

Confira horário de funcionamento e preço dos ingressos aqui

Tem até navio, ancorado em um porto, dentro do espaço no Shopping Abasto
Tem até navio, ancorado em um porto, dentro do espaço no Shopping Abasto

 

Fotos: Marina Monzillo

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Passeios em Buenos Aires com criança

Quando começamos a planejar nosso roteiro na Patagônia, decidimos ir de uma cidade para outra de avião, porque as distâncias são enormes (El Calafate está a 2.762 km de Buenos Aires, e Ushuaia, 2.370 km). A viagem de carro sem criança já seria aventura. Com ela, um perrengue desnecessário.

Portanto, voamos de São Paulo para Buenos Aires e, de lá, seguimos para o extremo sul argentino, tudo com a Aerolíneas Argentinas (que está com aviões novos e não atrasou nenhum trecho!).

Os quatro dias na capital portenha para aquecer os motores foram ótimos. A cidade faz parte daquele rol de lugares onde o tempo de permanência nunca é demais. Podemos voltar dezenas de vezes e sempre haverá um restaurante novo pra conhecer, uma exposição bacana em cartaz, um cantinho querido para matar a saudade. Desta vez, focamos em uma programação infantil em Buenos Aires, que incluiu os Bosques de Palermo e o Museu de Los Niños. Foi totalmente novo para mim, que já estive lá quatro vezes.

Os pequenos vão adorar o parquinho nos Bosques de Palermo.
Os pequenos adoram o parquinho da Plaza Alemania, às margens dos Bosques de Palermo

 

Bosques de Palermo

Nosso QG foi um apartamento AirBnB em Palermo Hollywood, a uma quadra da Avenida del Libertador. Os Bosques de Palermo, a menos de 10 minutos a pé, foi nosso quintal.

Não faltam atrações nesse que é o principal pedaço verde de BA. Na extremidade, na Plaza Alemania, tem um playground com brinquedos de madeira e até um jogo da velha. Os pequenos locais se enturmaram rapidamente com a minha brasileña.

Em Bosques de Palermo tem diversão e atividades pae
Mente e corpo se exercitam com jogo da velha, escorregadores e balanços no playground portenho

 

Atravessando a rua tem o belo Jardim Japonês, construído em 1967 quando o príncipe Akihito (hoje imperador) visitou a Argentina. São lagos de carpas, pontes vermelhas, uma pequena cerejeira e muitos bonsais. Um oásis de tranquilidade.

Toda a delicadeza da cultura japonesa em um só jardim
Toda a delicadeza da cultura japonesa em um só jardim

 

Seguindo mais um pouco, tivemos de escolher: zoológico à esquerda, do outro lado da avenida, ou o lindíssimo Rosedal, um jardim de rosas de diversas cores. Fomos primeiro ao Rosedal, que fica à beira de um lago, onde há pedalinhos para alugar.

As fotos dizem mais que palavras. São cerca de 18 mil flores, uma pérgula e uma fonte em estilo andaluz. E em meio a tudo isso, o jardim dos poetas, com bustos de Shakespeare, García Lorca e Dante Alighieri, entre outros.

 

Além de encher nossos olhos, as rosas do Rosedal são protagonistas de belas fotos
Além de encher nossos olhos, as rosas do Rosedal são protagonistas de belas fotos

 

Zoológico de Buenos Aires

À primeira vista, El Jardín Zoológico de Buenos Aires me pareceu meio abandonado, um pouco mal cuidado – não falo dos animais, mas das dependências. Mas logo lembrei de que não estava nos EUA, então, não fazia sentido encontrar um zoo todo perfeitinho, estéril, com cara de parque temático.

Se você conseguir enxergar beleza na decadência, vai perceber como este não é apenas mais um lugar para ver girafas, leões e zebras. Inaugurada em 1888, a área é uma joia da arquitetura vitoriana. As construções que abrigam os animais merecem tanta atenção quanto os próprios bichos. Há extravagâncias como uma espécie de templo hindu para os elefantes e uma grande gaiola em estilo andaluz para os macacos.

Mais do que uma visita aos animais, o Zoo é uma chance de ver a bela arquitetura da cidade
Mais do que uma visita aos animais, o zoo é uma chance de ver exemplos de arquitetura vitoriana

Os Bosques de Palermo rendem bem mais que um dia ao ar livre, porque ainda tem pedalinhos no lago, o planetário Galileu Galilei, o Jardim Botânico e o hipódromo.

Conheça aqui o Museu de los Niños, outra atração infantil de Buenos Aires.

Imagens: Marina Monzillo

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O que fazer em Ushuaia

Capital da província de Terra do Fogo, cidade mais austral do mundo, fim do mundo, porta de entrada da Antártida: a posição geográfica de Ushuaia é interessante demais. E os dois passeios clássicos que a cidade argentina oferece não ficam atrás e podem ser feitos no mesmo dia (com criança, recomendo quebrar em dois).

O primeiro é o Trem do Fim do Mundo, uma maria-fumaça que atravessa o Parque Nacional Terra do Fogo e antigamente transportava presos. Para nós, a paisagem parecia saída de um conto de fadas. Era fim de outubro e uma forte neve tardia cobriu toda a vegetação de branco. Lindo demais.

 

Parece Hogwarts Express, mas é o Trem do Fim do Mundo, na Terra do Fogo

 

A segunda atração é a navegação pelo canal de Beagle. De um lado, vemos as terras mais austrais da Argentina e do outro, as do Chile. Há um farol, ilhas habitadas por pássaros, lobos marinhos e até pinguins.

 

Ushuaia vista do catamarã que atravessa o Canal de Beagle

 

Dica A+V

Para ver os pinguins é preciso fazer o passeio de 5 horas. A opção mais curta, de 3 horas, não chega até a ilha onde eles ficam. Não é possível descer do catamarã, mas atracamos por 15 minutos para muitas fotos.

 

A ilha dos pinguins de magalhães, o ponto alto do passeio

 

Existe um tour, oferecido apenas por uma agência, Piratour, em que é possível descer do barco e ficar uma hora junto aos pinguins. Mas com a temperatura negativa e o vento patagônico castigando, achamos que sofreríamos demais na ilha, onde não há nenhum tipo de construção ou proteção das intempéries.

 

 

Imagens: Marina Monzillo

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El Calafate, a base para conhecer as geleiras

El Calafate  é para onde você deve se dirigir para ficar de queixo caído diante do glaciar Perito Moreno. Esta cidade batizada com o nome de uma fruta da região é mais bonitinha que Ushuaia, com um comércio mais charmoso. No início da rua principal, há um playground bacana, onde fomos todos os dias para alguns minutos de diversão infantil.

Dentro do Parque Nacional dos Glaciares, a 70 km do centro, há duas experiências: caminhar sobre passarelas entre bosques, que se aproximam da geleira (apenas uma parte é acessível, portanto, levar carrinho de bebê não vale a pena); e fazer um passeio de barco de uma hora até bem próximo do paredão. Conselho: faça as duas coisas, que se completam, com ângulos diferentes.

Em um passeio de barco de uma hora de duração, você chega pertinho da geleira Perito Moreno

 

Nunca ache que quem viu uma geleira, viu todas! Upsala, por exemplo, também é um glaciar do Parque Nacional, mas a experiência é completamente diferente de Perito Moreno, a começar pelo acesso, apenas por barco, e leva o dia inteiro para ir e voltar.

El Calafate é a cidade onde vale ficar mais dias no roteiro patagônico. Perito Moreno e Upsala tomam um dia todo cada um. Ainda é possível fazer um bate-e-volta para El Chaltén, vila aos pés do pico mais alto da região, o Fitz Roy. El Chaltén, inclusive, está na lista dos destinos imperdíveis de 2015 do guia Lonely Planet.

 

O Pico Fitz Roy, em El Chaltén, capital argentina do trekking

 

A estrada para chegar lá, parte da mítica Rota 40, já vale o passeio. Não deixe de conhecer o histórico Parador La Leona e relaxar com um café e uma torta. É a estalagem de alpinistas célebres há mais de 100 anos e, dizem, recebeu Butch Cassidy durante sua fuga!

O Parador La Leona tem uma história interessante, e, de quebra, uma gostosa torta para comer com café

 

Dica A+V

Ao contrário de Ushuaia, onde alugar um carro só é necessário se você quiser curtir o Parque Nacional Terra do Fogo além do passeio de trem, em Calafate um automóvel é essencial. Se não, você tem de ficar comprando passeios engessados com agências locais. Mas a oferta de carros para famílias não é muito grande, os preços são altos. Reserve com antecedência.

 

Em El Calafate, alugar um carro é essencial. Só não esqueça de reservar com antecedência!

 

Imagens: Marina Monzillo e Luis Eduardo Maino