Polignano a Mare

Um grande segredo italiano: a Puglia

Eu adoro planejar viagens. Mas as melhores viagens da minha vida foram as menos planejadas. É o paradoxo desta viajante. 😉

A falta de expectativa faz tudo ser surpreendente. Quando se espera muito de um lugar, de uma experiência, a realidade dificilmente supera o sonho.

A mais recente prova de que isso é a minha verdade foram os dias que passei na região da Puglia, na Itália.

 

Centro histórico de Polignano a Mare
Acima do Adriático O centro histórico de Polignano a Mare é charmoso e fica sobre as falésias que descem perpendiculares ao oceano

 

A Puglia fica no calcanhar da Bota, sua principal cidade e porta de entrada é a portuária Bari. A região faz algum sucesso com os europeus, mas os brasileiros que vão para lá, em geral, são sempre os descendentes de imigrantes pugliesi.

Fui parar em Polignano a Mare, um pequeno balneário a menos de uma hora de Bari, porque meu marido queria encontrar amigos do perfil imigrante/descendente. Não pesquisei muito. Era o fim de um planejadíssimo roteiro (Londres e sul da Croácia), durante o alto verão europeu, e o que conhecêssemos ali seria lucro da xepa das férias.

Mas foi I-N-C-R-Í-V-E-L. Abaixo, conto tudo que amei na Puglia.

Para onde ir

Polignano a Mare é bonita de um jeito despojado e autêntico. Como o turismo em massa – nos moldes de Veneza, Roma e Florença – ainda não chegou por lá, a cidadezinha não tem nada de fake, de pegadinha, de abusivo $$$.

Em julho, a praia fica cheia (principalmente de italianos), os restaurantes e o centro histórico, agitados, mas tudo na medida certa.
O cartão-postal de tirar o fôlego é a enseada que fica aos pés do centro histórico. A cor do mar é de um degradê verde-azulado, e compõe com as falésias douradas e as construções acima delas uma vista que acaricia os olhos e a alma. Eu ficava feliz e revigorada só de olhar para aquela paisagem diariamente.

 

Covo dei Saraceni
Buongiorno! Que tal acordar com essa vista? É da janela do hotel Covo Dei Saraceni

 

 

A pequena praia ali se chama Lama Monachile. Nós, brasileiros, temos referências muito específicas quando o assunto é praia. Mas nem é preciso fazer um esforço de desprendimento para achar uma lindeza a prainha de pedras de Polignano.

 

Onde ficar
A experiência toda em Polignano ficou ainda mais deliciosa porque nos hospedamos no hotel Covo dei Saraceni, que tem a localização como principal atrativo: encarapitado no precipício para a tal enseada de mar e pedra. E também é muito confortável e decorado com um charme que combina com o cenário ao redor.
Seu restaurante, Il Bastione, recebe também quem não é hóspede. Nos ofereceram prosecco assim que nos sentamos, mas logo em seguida nos levantamos para escolher o nosso peixe em uma bancada onde havia frutos do mar tirados naquele dia mesmo do Adriático, que se estendia à nossa frente. Comemos muito bem, com o ventinho leve que vinha do oceano e a lua cheia no céu.

 

Peixe (quase) vivo Os pescados saem do mar pouco tempo antes de serem servidos no restaurante Il Bastione
Peixe (quase) vivo Os pescados saem do mar pouco tempo antes de serem servidos no restaurante Il Bastione

 

O que fazer

1. Praias
Para quem fica no Covo dei Saraceni, a praia mais próxima é Lama Monachile. Você pega uma descida de paralelepípedos que, dizem, foi a estrada usada pelos soldados romanos rumo à Sicília, e chegou. Se sentar-se em pedras quentes não lhe agrada, garanta uma espreguiçadeira no platô gramado do bar Fly – Sun, Food, Drink. Quando a fome bater, se mude para uma das mesinhas de madeira no terraço acima e peça o cavatelli (massa típica da Puglia) com vôngole. Foi um sabor que ficou na minha memória.

O banho de mar ali é especial. O mar costuma ser calmo como piscina. Você entra pisando com cautela nas pedras e logo perde o chão, mas não se preocupe. A água, de alta salinidade, não deixa o corpo afundar. Nem precisa bater braços e pernas. Você fica ali, mirando o horizonte à sua frente, e agradecendo ao cosmos pela oportunidade de estar lá.

Quem não estiver no modo mergulho emotivo-espiritual 😉 pode se aventurar pelas pequenas grutas que permeiam os paredões. Só precisa tomar cuidado, encostar nas pedras, mesmo que de leve, significa sair sangrando do mar!
Não muito longe dali, fica outra famosa – e bonita – praia do pedaço, Cala Paura. Se eu tivesse tido mais um dia em Polignano, era pra lá que teria ido.

 

Verão europeu Quem se habilita a pular das pedras? Muitos jovens italianos!
Verão europeu Quem se habilita a pular das pedras? Muitos jovens italianos!

 

2. Centro Histórico
O centro histórico é o destino dos fins da tarde e das noites quentes de verão. As ruas ao redor são fechadas para os carros e a Piazza Giuseppe Verdi vira ponto de encontro. Jantamos em uma pizzaria da praça, minha filha deu uma volta no carrossel e depois fomos andando para a sorveteria Bella Blu. Achava que o gelato de pistache da Stuzzi, em São Paulo, seria sempre o melhor da minha vida. Mas o de lá me deixou bem na dúvida quanto a isso.

Arredores de Polignano a Mare

Um dia é suficiente para conhecer três lugares bem bacanas nos arredores de Polignano: Alberobello, Locorotondo e Grotta della Castellana. Mas é bem provável se apaixonar por eles e querer voltar nos dias subsequentes.

 

Mapa Puglia
Tudo pertinho Em apenas um dia, dá para conhecer Locorotondo, Alberobello e Gruta Della Castellana

 

 

1. Alberobello
É a cidade dos trulli, casinhas feitas de pedra, no formato cônico, características dessa região da Puglia. Elas se enfileiram colina acima até a igreja feita nos mesmos moldes. Por sua arquitetura única, Alberobello é Patrimônio Cultural da Humanidade.

 

Trulli de Alberobello
Fui morar numa casinha Essas construções trulli, com telhado cônico em pedra, são únicas no mundo

 

2. Locorotondo
O guia Lonely Planet diz que o centro histórico de Locorotondo é o mais bonito da Puglia. De fato, é lindo. Edifícios e casas pintados de tons bem clarinhos contrastam com o céu azul, as flores coloridas nas janelas e, as frutas nos cestos nas fachadas do comércio. Passamos uma manhã lá e usamos muita memória da máquina fotográfica.

 

Locorotondo
Flores e frutas Locorotondo é perfeita para uma gastar uma manhã de sol

 

3. Gruta della Castellana
Para ecoturistas experientes, talvez esta seja apenas mais uma gruta. Para nós, foi uma experiência maravilhosa entrar e observar as formações de pedra em diferentes galerias subterrâneas, sem perigo algum – há pavimento, corrimão e iluminação. Vale muito a visita. Existe um circuito curto, de uma hora, e um longo, de duas.

 

No subterrâneo As fotos não fazem jus às luzes, cores e formas da gruta
No subterrâneo As fotos não fazem jus às luzes, cores e formas da gruta

 

4.Conversano
Conversano é a cidade com mais estrutura próxima a Polignano. É onde as crianças locais vão à escola, por exemplo. Para nós, turistas, é um local de bons restaurantes, como o +39. Recomendo esquecer dos primi e secondi piatti. Fique apenas nos antepasti. Peça uma variedade e se envolva na difícil tarefa de eleger o melhor, eu aposto no empanado de fiori de zucca (flor de abóbora).

Imagens: Marina Monzillo e Luis Eduardo Maino

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5 lugares para se conhecer na Vila Buarque (ou Santa Cecília)

Quando eu tinha 20 e poucos anos, morava em Santo André e  nenhum lugar que eu gostava de frequentar ou queria conhecer ficava a menos de uma hora da minha casa, eu circulava muito mais pelas regiões e bairros de São Paulo do que agora, que moro no miolo da Vila Madalena.

A lógica é simples: tenho (quase) tudo que me interessa por perto. Não existe a necessidade de entrar no carro (ou ônibus), pegar trânsito e pagar estacionamento caro (ou encontrar vaga na rua) para ver lojinhas bacanas, arte de rua, beber uma cerveja boa com os amigos, jantar bem num lugar bonito e cosmopolita. Isso sem falar que ficar altinha ou bebum e ir embora a pé é um luxo.

Mas quem é movido apenas pela necessidade na hora do lazer? Gosto de curtir outras atmosferas, ver outros rostos, experimentar novos lugares. Existe vida e pluralidade fora do circuito Vila Madalena /Pinheiros e eu quero aproveitá-las. Não simplesmente escolher outros bairros para explorar, mas pinçar, aqui ou ali, uma iniciativa cultural alternativa, um evento criativo, um café local, um restaurante genuíno.

 

Beluga
Minimalismo O décor escandinavo do Café Beluga nos atraiu antes mesmo da inauguração, há menos de um ano

 

E nesse exercício, de sair da minha vilinha, montei um roteiro de coisas interessantes que encontrei pelo caminho – por acaso, todas próximas, no espaço entre a Consolação e o Minhocão.

1. Café Beluga

Lugar pequenino, tocado pelos donos, no estilo de design que eu mais gosto, o escandinavo. O café ali é levado a sério, são microlotes selecionadíssimos. O pão de azeite é muito bom e há uma seleção de doces no balcão e de fanzines na prateleira. Quanto mais cedo você chega, mais frescos encontra os quitutes. À noite, o café dá lugar a cervejas especiais. O A+V adora.

 

Café Beluga
Doce, salgado e zine O Café Beluga leva o café, os quitutes e as cervejas a sério, mas com descontração

 

2. Holy Burger

Também pequeno, com decoração que lembra o visual hipster industrial de Williamsburg, no Brooklyn novaiorquino: cimento, aço, cobre e ferro aparentes,  iluminados por lâmpadas penduradas por cordas. O sanduíche é saboroso, principalmente por conta do molho de tomate que vai na receita do cheeseburguer.

 

Original Burger_fotoRogerioGomes
De comer rezando O Original Burger, do Holy, leva cheddar, cebola caramelizada, bacon e maionese da casa no pão preto

 

3. Banca Tatuí

Um grupo de editoras de livros independentes, encabeçado pela Lote 42, se juntou e montou uma banca de rua que vende livros, fanzines e jornais. No diminuto espaço, cabe até mesmo um balanço e pôsteres de ilustradores editados pela turma.  De vez em quanto, acontecem eventos de lançamento e shows de músicas no teto da banca. No geral, as publicações são inovadoras e bem cuidadas na forma. O conteúdo, porém, ainda é irregular.

 

Banca Tatuí
Balanço das letras Na Banca Tatuí, não tem Veja nem Caras, só livros de autores e editores independentes

 

4. Conceição Discos & Comes

Um balcão, algumas poltronas e mesinhas, uma vitrola, muitos vinis. Moderno, o Conceição é um bar/restaurante/café que tem uma estética criativa e menu, idem. Os pratos do dia, por exemplo, são sempre à base de arroz: de costelinha, de polvo, de sururu, e assim vai. O pão de queijo recheado de pernil a cavalo já fez gente cruzar a cidade para provar. O veredicto do A+V é que falta uma unidade no sabor, os ingredientes se destacam individualmente e não como um todo. Mas pretendemos provar novamente. :-)

5. Sotero

Restaurante simpático e de bom preço que, apesar do nome, não fica só na culinária baiana. Eles declaram fazer uma cozinha original. O bobó tinha camarões graúdos e o picadinho de carne leva canela na receita.

 

Imagens: Divulgação/Holy Burger, Facebook/Beluga, Evelin Fomin e Marina Monzillo

 

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A primeira vez da pequena Alice em Londres

Escolhi Londres para viajar porque é uma das cidades que mais adoro na Europa. Moro na Itália com meu marido e Alice, minha filha de 2 anos. Para nós, o voo durou pouco: uma hora e meia.

Toda a trabalheira para chegar até o aeroporto foi o que mais cansou e durou muitas horas. Mas o que merece ser contado dessa nossa aventura é o modo completamente novo que vivi a cidade – que já tinha visitado quatro vezes até então. Ir para o mesmíssimo lugar com uma criança é completamente diferente. E assim foi.

 

Londres com criança
Quarteirão infinito Por mais que a capital inglesa seja plana, longas caminhadas não dão certo com crianças pequenas

 

Já percebemos, nas tantas jornadas que fizemos com nossa pequena, que o mundo deles tem dimensão menor. Fazer longas caminhadas não tem sentido. Passar muito tempo em meios de transporte, pior ainda.  Alice pára para ver as pedrinhas no chão, os telefones vermelhos, as lojas diferentes. Cada quarteirão fica infinito.

Pensando assim, reservei um hotel bem do lado do Hyde Park, que foi nosso ponto central da viagem. Íamos a pé pra lá. E de lá para outros lugares do centro era muito rápido. Evitamos metrô (não dá pra ver nada!). Nos ônibus, no andar de cima, você tem visão panorâmica do passeio. Deixávamos o carrinho dela embaixo, travado, e subíamos.

Hyde Park

 

O principal parque londrino é maravilhoso e, se o tempo está bom, merece uma tarde inteira lá. Para brincar perto do lago, dos patos. Para ver esquilos de perto. E muitas crianças (principalmente no fim de semana). A atmosfera é uma delícia. Fomos na primavera. Mas eu já tinha ido em pleno inverno com minha mãe para a Hyde Park Winter Wonderland e foi a festa de Natal mais esplendorosa que vi na minha vida, cheia de barraquinhas iluminadas com comidas divinas, enfeites, bichinhos de pelúcia. Seja no calor ou no frio, vale a pena visitar e se hospedar perto para se conectar com o centro da cidade.

Natural History Museum

Alice adorou porque se interessou pelas luzinhas, os barulhos e o piso do museu, que achou que parecia o da nossa cozinha.

Mas nem ligou pro esqueleto de dinossauro gigantesco que fica no meio do edifício (acho que não conseguiu visualizar). Imagino que uma criança de 4 ou 5 anos entenderia melhor. O museu é gratuito e tem uma lanchonete ótima dentro dele. Alice dormiu a soneca da tarde ali mesmo. Depois acordou e comeu macarrão. Muitos pais estavam dando bolos para os filhos (todo lugar tem bolo!).

Big Ben + London Eye

 

 

A dobradinha foi o ponto alto da nossa viagem. Não subimos na London Eye (a roda gigante que é mesmo gigante) porque não achamos interessante pra Alice ficar fechada num lugar vendo paisagem. Mas ela ficou fascinada em ver a London Eye de longe. Esses objetos enormes causam uma impressão forte nos pequenos.

E a grande paixão da viagem foi, para a Alice, o Big Ben. Ela perguntava o tempo todo do “relógio com sino” e ficava falando: “Ben Ben Ben”. E pediu para voltar (meu marido a levou novamente, enquanto eu fui sozinha ao Victoria & Albert Museum). Jamais imaginaria. Acreditava que ela iria ficar louca pelos esquilos (um deles quase subiu no carrinho dela), mas é imprevisível saber de antemão o que vai divertir mais as crianças.

 

 

 

Oxford Street

Caminhar  pelas ruas de comércio do centro foi divertido pra todos. Principalmente poder comer um muffin com leite gelado na rede de cafés Costa. Essa também, como a Pret a Manger, tem em todos os lugares, é tipo uma Starbucks. Não tem nada de especial e característico, mas eu já tinha gostado do cappuccino de lá, os bolos são ótimos e tem espaço para carrinho. Prático.

Aliás, estávamos sempre com o carrinho dela. Servia para deixar ela “presa” em lugares de muita multidão e também para dormir a soneca da tarde. A cidade é plana e há um espaço reservado para colocar carrinho no ônibus.

Onde ficar

Londres tem muitas opções de hospedagem em residências no site Airbnb. Acho que vale a pena se for no centro e para grandes famílias. Do contrário, com criança, nada melhor do que alguém que limpe seu quarto todos os dias e troque as toalhas. Também é importante ter uma portaria para alguma necessidade, ou mesmo para pedir dicas. Sugiro a região em torno do Hyde Park. Já me hospedei no Corus Hyde Park e no Royal Eagle Hotel. São hotéis funcionais, para chegar e dormir: quartos limpos, simples, chuveiro bom. E nada demais. Voltaria no Corus. O Royal tem quarto muito pequeno.

 

Hyde Park
Vizinhas dos patinhos Escolher uma hospedagem ao lado de um belo parque londrino é a pedida

 

 

Onde comer em Londres com crianças? Confira a continuação das dicas desta viagem aqui

Imagens: Juliana Lopes e Getty Images

Café da manhã

O que dar para as crianças comerem em Londres?

Em Londres come-se muito pior que na Itália, onde moro e estou acostumada a comer bem.

E sempre fui muito preocupada com a alimentação da minha filha. Gosto que ela coma coisas saudáveis nos horários certos. Depois que ela fez 2 anos, libero um chocolatinho de vez em quando, ou sorvete. Mas fritura e porcarias industrializadas não têm vez em casa. Na nossa viagem à Inglaterra (confira o relato aqui), tive que respirar fundo. Ela, um dia, almoçou batata frita. E comeu batata chips no avião, porque o voo atrasou. E, no geral, achei que pagamos muito caro nos restaurantes para comermos mal.

 

Não recomendo

 

Serpentine Bar & Kitchen
Só bonito O Serpentine fica no Hyde Park e, claro, é bem turístico. A comida não fica a altura do cenário

 

O restaurante Serpentine Bar & Kitchen, super descolado, lindo, com uma vista incrível- porque fica bem no meio do Hyde Park -deixou a desejar. A conta veio alta (quase 50 libras em dois pratos simples) para comer um hambúrguer seco. Valeu pela paisagem. Voltaria na próxima vez para tomar um suco e não para uma refeição completa.

Recomendo

Paramos em vários restaurantes até percebemos que o que funcionava para a Alice era a rede Pret a Manger, que você encontra em qualquer lugar. Eles têm sanduíches, massas, saladas e sopas que vêm em copo. Inclusive com ingredientes orgânicos. E várias opções de sucos de fruta.

O que não chegamos a experimentar – porque cansamos de restaurantes e Alice também -, mas poderia ter funcionado foi um indiano, para comer arroz com frango.

 

 

Rainforest Cafe
Estilo americano A lojinha temática precede o restaurante Rainforest Cafe, onde até chuva cai para divertir a turma

 

Um lugar que foi escolhido especialmente para a Alice foi o restaurante Rainforest Cafeem Piccadilly Circus. É inspirado em florestas tropicais. Simplesmente chove dentro do restaurante. As crianças ficam loucas.

A entrada é por uma loja de brinquedos com centenas de bichinhos de pelúcia tropicais, como cobras e sapos – tudo lindo. No canto, um jacaré mecânico nada numa piscina. Uma árvore no centro do salão conversa com as crianças. Para descer na “floresta”, há uma escadaria toda iluminada. E antes da “chuva”, muitas trovoadas (que até assustam).

Qualquer criança (ou adulto) pode comemorar o aniversário sem reservar antes, é só avisar na entrada e pedir uma sobremesa. Os garçons convocam todos para cantar “Happy Birthday”. Era o meu aniversário e cantaram para mim. O menu é bem variado, agrada crianças e adultos.

Dica de lanchinho

Leve na bolsa sempre aquelas super barras de cereais que são vendidas em qualquer supermercado e em muitas lanchonetes. São feitas geralmente de cereal e mel. Se você está no meio de uma atividade muito divertida e não tem como achar lugar pra almoçar, a barrona de cereal dá energia e segura as pontas.

Refeição para valorizar

É fácil encontrar lugares que servem o café da manhã inglês. O completo pode ser muito pesado pras crianças (porque tem feijão, tomate, carne temperada). Mas você tem a opção de pedir ovos mexidos, leite, cereal – a aveia com frutas vermelhas é um clássico inglês (foto no alto).

Reforçando o café da manhã e levando uma barra de cereal na bolsa, você consegue aproveitar mais tempo até fazer um almoço/lanche mais tarde.

 

Imagens: Juliana Lopes, Karen Bryan/Creative Commons e Photo Dollar Club.

 

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Uma viagem enogastrônomica – e emotiva – por Portugal

Touriga nacional, trincadeira, tinta roriz, alvarinho, malvasia. A quem visita a Terrinha, vulgo Portugal, esse nomes com certeza estarão presentes nos almoços, jantares e passeios, principalmente se o roteiro incluir a região do Porto e do Alentejo. Isso porque eles batizam as principais castas de uvas portuguesas, que dão cor, aroma e alma aos vinhos tintos e brancos locais.

E “perseguir” as joias vinícolas dessas regiões é uma aventura não só saborosa, agradável, mas também emocionante para um brasileiro que em algum momento da vida conviveu com suas avós quituteiras. Sim, Portugal dos vinhos tem “vibe” de vó.

 

Vinícola no Rio Douro
Dica de ouro Na Quinta do Crasto, o banquete é servido às margens do rio, com vista e vinhos de deixar a cabeça leve

Rio Douro
Para os nostálgicos, vale buscar opções de turismo vinícola, ou seja, passear de barco pelo rio Douro, se hospedar em propriedades que produzem vinho ou passar o dia em uma delas e acompanhar a colheita, a seleção e a pisa das uvas no lagar (espaço onde essa parte da produção do vinho acontece) – quem quiser pode, inclusive, passar pela tradicional experiência de amassar as uvas com os pés.

Um local para conhecer é a Quinta do Crasto, incrustada nas inclinadas encostas do Rio Douro, a 130 km do Porto e a 430 km de Lisboa. A hospedagem ainda não está disponível nessa propriedade, mas a visita vale muito a pena, não só pela vista deslumbrante do rio, mas principalmente pelo prazer de degustar uma típica refeição portuguesa, carregada de sotaque e do carinho das cozinheiras do lugar, que adoram receber elogios em sua cozinha. É de comer (e beber) ajoelhados e com lágrimas nos olhos – uma dica importante, a sopa quente faz parte das refeições portuguesas, esteja fazendo 10° C ou 35° C.

 

Barris da Quinta do Crasto
Toque amadeirado A visita à produção da vinícola Quinta do Crasto faz parte do passeio

 

 

Évora
Outro lugar imperdível para os amantes da bebida de Baco é a cidade de Évora, no Alentejo, a 134 km de Lisboa. A propriedade Herdade do Esporão, estabelecida nos arredores da cidade histórica, patrimônio mundial pela Unesco (foi uma das capitais do Império Romano, por isso recomenda-se a visita às ruínas do Templo de Diana), oferece tour às vinhas e às oliveiras (a fazenda também produz azeite) e, no fim do passeio, degusta-se os muitos vinhos ali produzidos com um menu de dar água na boca de qualquer gourmet – no restaurante da propriedade, que tem vista para as vinhas, os pratos são preparados com produtos locais, cultivados na fazenda ou de fornecedores próximos, e traduzem uma deliciosa mistura da culinária tradicional do país com técnicas modernas da gastronomia. Depois de toda essa fartura, vale a visita à loja da propriedade. Além dos vinhos e azeites perfumados da Herdade do Esporão, pode-se comprar mel e utensílios de cozinha.

 

Pestiscos portugueses
In vino veritas  Na propriedade Herdade do Esporão, os petiscos típicos portugueses acompanham tintos e brancos

 

Vai parecer clichê e é, mas o fado é a tradução perfeita para classificar a viagem a esses dois destinos portugueses: emoção pura e nostalgia permanente.

 Quando ir
Viaje no mês de setembro. Ainda está quente (cerca de 30°C) e não tem tanto turista visitando as vinícolas, além de os preços estarem mais em conta.

 

Vinhas
Terrinha boa As vinhas em Évora, cidade da região vinícola do Alentejo

 

Trilha sonora

Gisela João, fadista contemporânea, celebrada como a grande artista da música portuguesa do século 21.

Imagens: Turismo en Portugal /Quinta do Crasto/Herdade do Esporão

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O que fazer em Reykjavík, capital da Islândia

A Islândia é um destino para poucos. Já falamos no post Islândia para iniciantes que você tem de ter algumas credenciais para ir até a Islândia como, por exemplo, se interessar por slow trips, por lugares inóspitos, por cultura alternativa, por natureza. Mas se você se empolga com história e geologia, então sua viagem até esse país excêntrico e magnânimo vai ser ainda mais especial. Antes de seguir viagem, aproveite para criar uma playlist no seu app de música com álbuns de artistas islandeses notáveis como Björk, Sigurrós, Of Monsters And Men e Sóley Stefánsdóttir.

 

Ruas da Islândia
Viva a sociedade alternativa Um tanto excêntrica, a Islândia é adepta do slow living e tem uma cultura pop notável

 

Primeira parada: Reykyavík

A capital da Islândia, Reykyavík, deve servir de base para as suas jornadas pelo famoso Ring Road, uma espécie de rodoanel que circunda o país inteiro. Reykyavík não tem vergonha de ser uma das menores capitais do mundo – uma das menores e uma das mais ~novas~ da Europa, fundada pelo viking Ingólfur Arnarson, no ano 900.

Escolha uma localização central e, se o vento e o frio não estiverem de rachar, caminhe pela rua principal Laugavegur. Esta é uma rua legal, mas também do tipo pega-turista, com algumas lojas clichês de souvenires, mas outras interessantes também – tudo muito caro, lembre-se. Como primeira impressão, vale a volta ‘de reconhecimento’ da área e a parada para um espresso ou um chocolate-quente nos cafés pelo caminho. Há também gelaterias porque, afinal, foi no frio que surgiu esse hit de verão dos trópicos. Vá fundo e tome um gelato na capital da Islândia. Depois, siga para a Rua Skólavördustígur, uma transversal da Laugavegur e que dá no grande pátio onde fica a Hallgrímskirkja, a igreja luterana de 74,5m de altura, inaugurada em 1986. É nova, mas de arquitetura interessante que, para mim, remetia a uma nave – mas a ideia original se propôs imitar o movimento de uma lava de vulcão. Quando você sabe disso, fica sugestionado e acaba fazendo sentido.

 

Igreja de Reykjavík
Lava ou foguete A arquitetura singular faz da igreja Hallgrímskirkja, uma atração imperdível da capital da Islândia

 

 

Em tópicos, o giro de reconhecimento fica assim:

1. Instale-se em Reykyavík, na região central, de preferência;
2. Procure por um exemplar grátis do jornal The Reykjavík Grapevine, reserve (tipo, deixe à mão para você consultar o guia de atrações depois);
3. Faça uma volta de reconhecimento pela Rua Laugavegur, mas lembre-se que ela é pega-turista (vale mesmo assim);
4. Pit-stop para um café bem-tirado no Reykjavík Roasters, na Rua Kárastígur, 1, já próximo à super igreja-nave (a igreja-lava, na real);
5. Pela Rua Skólavördustígur você chega ao pátio da Hallgrímskirkya, a igreja luterana da década de 1980. Explore os muitos ângulos dali.

Em tópicos, como explorar o fim de tarde em Reykjavík:

1. Siga para a orla, pela Rua Sæbraut. Vá à pé, porque tudo por ali é perto;
2. No caminho, prove um cachorro-quente islandês, ou pylsur, um orgulho do país;
3. Caminhe até o monumento Sólfar, ou Sun Voyager, no inglês, uma escultura em homenagem ao sol, criada por Jón Gunnar Árnason. Sente-se e aproveite a vista e o pôr do sol;
4. Na volta, pare no supermercado Bonus – a rede com os preços menos caros, na Rua Laugavegur  – para abastecer-se de snacks para pegar a estrada logo cedo do dia seguinte. Compre um salmão e prepare para o seu jantar, você não vai se arrepender – o salmão mais saboroso de toda a minha vida.

 

Barraquinha de hot-dog
O hot dog que vem do frio Americanos e alemães levam a fama, mas a Islândia também entende de salsicha!

 

É cultural: bebês ao relento e sem supervisão

Se você notar carrinhos de bebês estacionados para fora dos estabelecimentos – com os bebês neles e sem nenhuma supervisão – não se assuste. Em Reykjavík – e na Islândia toda – a prática é comum e centenária. Uma epidemia de tuberculose no início do século 20 abalou o país. Em 1926, o médico David Thorsteinsson publicou seu livro pedagógico, em que exaltava os benefícios da vida ao ar livre e do ar fresco para fortalecer o sistema imunológico das crianças. Com a chegada de carrinhos de bebê ao mercado islandês no mesmo período, ele recomendou que bebês fossem colocados para dormir ou tomar sol e a prática se tornou usual. A segunda geração de islandeses fez suas naninhas ao ar livre e, desde então, toda criança passa pelo ritual. Pense: os islandeses vivem 10 anos a mais do que a média mundial – para que ter medo de um ventinho? Mais sobre o assunto, aqui (em inglês).

 

Monumento ao sol
Monumento ao sol Sólfar, ou Sun Voyager, é o nome da obra de arte que homenageia o astro-rei à beira-mar

 

Imagens: Evelin Fomin

The Breakers

Resort perfeito existe?

Resorts nunca me atraíram. Viagens em que o hotel é a principal atração iam contra o meu conceito de viajante, que sempre foi conhecer paisagens, culturas, pessoas diferentes, ter experiências que me tirem da minha bolha, do meu universo particular.

Mas esse pensamento suavizou quando embarquei na vida adulta para valer. Quando você passa o ano todo dormindo menos do que precisa ou gostaria, tem pouquíssimo tempo para si mesma e muitos itens na agenda para se preocupar, lembrar e executar, intercalar uma ida à Macchu Picchu e outra à Praga com uma escapada sem mapa, sem roteiro, só cuca fresca e alguns mimos, começa a soar interessante – muito interessante.

E quando você tem crianças, então, aí é quase impossível fugir dos resorts. Entretê-las o dia todo durante todo o período de férias é cansativo. Ter a ajuda de uma ou mais piscinas, sala de jogos, quadra, playground e equipe de recreadores, entre outras atrações, é tudo que você deseja.

 

Vista aérea de Palm Beach
Vista aérea Precisei virar mãe para me render – apenas na teoria, por enquanto – aos encantos de um beach resort

 

Então, é isso. Eu já não torço o nariz para resorts e, na verdade, até sonho com um feriado prolongado em uma espreguiçadeira diante de uma piscina gigante com serviço de bar.

E aí você me pergunta, para quantos resorts você já foi? Respondo: nenhum. Sabe porquê? Já que a hospedagem vai ser o motivo único da viagem, eu quero ir para o resort perfeito – pelo menos, perfeito para mim. Isso significa:

  1. Tô fora de all inclusive
    Assistir a uma turma exagerando na cerveja e no uísque e passando mal dentro da piscina não é o meu ideal de férias. E eu sou mais da qualidade do que da quantidade em muitas questões, mas, principalmente, na bebida e na comida.
  1. Recreação para adultos, nem pensar
    Monitor me puxando para a aula de lambaeróbica também não está nos meus planos.
  1. Não pode ser totalmente voltado para crianças
    Desculpe a arrogância, mas se eu quisesse tomar café da manhã com personagens, iria para a Disney. As férias também são minhas!
  1. Não custar mais caro que uma viagem à Disney
    Encontrar bom gosto, boas instalações, bom serviço, boa comida, e ainda achar um preço justo é, talvez, o maior desafio nessa lista.
 Será que eu encontrei?

Recentemente, eu fiquei com vontade de conhecer um resort que parece se encaixar nos meus requisitos: o The Breakers, em Palm Beach, na Flórida. Por que esse hotel a pouco mais de uma hora de Miami me parece promissor:

  1.  Hóspedes interessados em descanso e atividades outdoors
    O The Breakers atrai famílias com crianças e casais (há área para realização de casamentos dentro do hotel). Tive a impressão que o público ali, em geral,  é menos interessado em compras e mais em atividades como mergulho, pesca, ioga, golfe, stand-up paddle etc.

 

Playground
Cada um na sua Os hóspedes mirins têm espaços especiais para eles no The Breakers

 

  1. É uma propriedade histórica
    A imponente construção é de 1896 e pertencia à família aristocrática Flagler. Ali eles hospedavam os amigos que escapavam do inverno do norte dos EUA para as temperaturas amenas da Flórida.  Durante a 2a Guerra Mundial, o The Breakers, já um hotel, foi temporariamente transformado em hospital. Há um Museu Flagler em Palm Beach para quem quiser ter uma aulinha de história para variar.

 

O restaurante HMF
Lendário O restaurante HMF homenageia o antigo proprietário do The Breakers, o magnata Henry Morrison Flagler

 

  1. Focado nas crianças e nos adultos
    O resort parece pensar em tudo para agradar desde recém-casados até crianças– passando pelos pais exaustos. Aproveitando o enorme terreno que ocupa, o The Breakers criou áreas específicas para cada perfil. São quatro piscinas, por exemplo. Enquanto uma não tem degraus e vai afundando suavemente, como uma praia, consequentemente mais segura para os pequenos, tem outra em que celulares não são permitidos. Deu para entender a proposta? O mesmo acontece com os restaurantes – são oito no total. Um deles, italiano, é separado do Kids Club por uma grande parede de vidro. Perfeito para pais jantarem tranquilos enquanto os filhos não querem parar de brincar. Por outro lado, o HMF é para jantares mais sofisticados e crianças só são bem vindas até determinado horário.

 

  1. E por falar em crianças…
    A lista de serviços e instalações para famílias é bem completa: existem suítes conectadas, um prédio inteiro com salas de atividades infantis (separadas por idade) e serviço de baby-sitter. Na hora da reserva, você informa a idade dos seus filhos e, se tiver bebês, o quarto é preparado para eles. Isso significa que somem sacolas plásticas e tomadas são protegidas, assim como as quinas dos móveis. Você pode solicitar aquecedores de mamadeiras, banheiras, berços e trocadores. Para os maiorzinhos, há banquinhos para alcançar a pia.

 

Active Pool, do The Breakers
Mergulho suave A Active Pool, piscina destinada às famílias, não tem degraus para entrar

 

 

  1. Vai encarar?
    É um hotel para poucos, principalmente entre dezembro e fevereiro, quando a diária chega a US$ 9.000!  Mas, em julho, quando os americanos acham a Flórida quente demais para o gosto deles, as tarifas caem vertiginosamente. Podem chegar a US$ 429, com a vantagem de que crianças abaixo de 12 anos têm refeições gratuitas nos restaurantes do hotel.

 Imagens: Divulgação/The Breakers

Vai um biscoito Globo aí?

Três dias de uma garotinha no Rio de Janeiro

“Eu vou ver o Blu!” Foi assim que minha filha avisou a todos que iria passar alguns dias no Rio de Janeiro. O personagem dos filmes de animação “Rio” e “Rio 2” foi sua associação imediata quando eu lhe contei o nosso destino.

Chegando lá, porém, havia tanto o que fazer, que a caça à fictícia arara azul ficou praticamente esquecida. Um lugar que tem praia, bondinho, Cristo Redentor e Maracanã já exerce encantamento natural nos paulistinhas, mas o que fazer com uma garotinha de 3 anos no verão carioca?

1. Lagoa Rodrigo de Freitas

BICICLETA – A Lagoa me parecia um dos lugares mais óbvios para entreter crianças e, de fato, é. Perto do quiosque Palaphita Kitch, existem pedalinhos e bicicletas para alugar. Como éramos dois adultos e uma criança, optamos por um quadriciclo que parece uma espécie de carruagem. São duas bicicletas paralelas e um banquinho para a criança ir à frente (30 minutos por R$ 15).

 

Quadriciclo na Lagoa
Penélopes Charmosas O quadriciclo familiar cor-de-rosa e os pedalinhos da Lagoa ao fundo

 

PIQUENIQUE – Fiquei encantada de ver grupos fazendo piqueniques no fim de tarde, principalmente pela superprodução dos convescotes – sério, mereciam esse nome pomposo! Mesinhas feitas com caixotes de feira, enfeitadas com toalhas coloridas de chita, vasinhos de flores e lanternas japonesas. Se já não bastasse a linda vista. Existem empresas que estão fazendo o maior sucesso organizando esses eventos, como a Vem pro Piquenique. Adorei.

2. Flamengo

PARQUE – Eu sempre passei pelo Aterro do Flamengo. Vindo do aeroporto, a caminho das praias ou em direção à Lapa. E invariavelmente perdia o fôlego com a beleza exótica dos jardins projetados por Burle Marx, com as curvas e barcos da Marina da Glória, com a vista da Urca e do Pão de Açúcar. Mas eu nunca tinha aproveitado o Flamengo. Desta vez, fui caminhar pelo Aterro. Minha filha se cansou um pouco – me arrependi de não ter levado o carrinho (seeempre se deve levar carrinho em viagens) – mas foi bacana, encontramos alguns músicos, muitos corredores de fim de semana e uma quantidade ainda maior de crianças.

 

Aterro de Flamengo
Palmeiras O paisagismo do Aterro do Flamengo foi feito por Burle Marx, mas o que vale mesmo pras crianças e o enorme espaço para correr e andar de bike

 

PARQUINHO – Na praça Cuauhtamoque, há dois parquinhos, com brinquedos de madeira para diferentes idades. Cercados e muito bem conservados, do tipo difícil de encontrar em espaços públicos.

 

Parquinho no Flamengo
Sou Flamengo! Difícil tirar a pequena do playground bem conservado e cheio de carioquinhas simpáticos

 

 3. Leblon

PRAIA – Fomos pegar praia em um domingo ensolarado e achei que encontraríamos as areias insuportavelmente abarrotadas, como nos feriados. Mas facilmente conquistamos um lugar ao sol, ou melhor, ao guarda-sol. A grande sacada foi levar uma piscininha inflável para a pequena se refrescar, porque o mar estava agitadíssimo, com ondas enormes, quase ninguém se arriscava a se molhar além das canelas.

 

Praia do Leblon
Água salgada Em dia de mar revolto, a piscininha inflável refresca e diverte

 

COMIDINHA DE PRAIA – E ela também se esbaldou com a oferta de comidinhas. Tomou água de coco, comeu esfiha de queijo, milho da espiga (ela só conhecia no copinho) e muito, muito biscoito Globo (preferiu o salgado ao doce).
QUIOSQUE KIDS FRIENDLY – O fim de tarde foi tudo aquilo pelo qual uma paulista suspira: sentei no calçadão da orla, papeando com uma amiga, enquanto minha filha fazia suas próprias amizades cariocas no Baixo Bebê. Apesar do nome, o quiosque é perfeito mesmo para crianças a partir de dois anos porque tem um parquinho na areia, com escorregador, casinha de bonecas e afins, tudo de plástico, tudo cercado.

 

Baixo Bebê
Desce pra praia Em vez de tanque de areia, o parquinho do baixo Bebê tem a própria areia do Leblon à disposição da garotada

 

VISTA – Quando o sol se escondeu atrás do morro Dois Irmãos, mostrei para a pequena o luminoso do Hotel Marina – ela achou um barato aquelas letras vermelhas no alto do prédio significarem o nome da mãe dela. Apontei também a luz intermitente do farol à frente, e cantei a música da Marina Lima. Ela pediu bis. :-)

Imagens: Marina Monzillo e Simone Bessa/Creative Commons

Carrossel_MagicKingdom

Disney com filhos pequenos

Quando decidimos levar nossos filhos de 2 e 3 anos à Disney, vários amigos nos chamaram de loucos. O conselho que mais ouvimos é que devíamos esperar um pouco mais, até eles poderem entender e curtir melhor a experiência.

Teimosos, arriscamos. E voltamos com dois argumentos para convencer quem está vivendo a mesma indecisão. O primeiro é que sim, os parques têm infra-estrutura e atrações para cada faixa etária, de bebê a idoso. É só adaptar o roteiro para a idade da sua trupe.

O segundo é que não, a Disney não é o tipo de experiência que precisa ser “entendida”. Pelo contrário: o grande barato das crianças pequenas é que elas entram inteiramente no mundo da fantasia. Enquanto você fica olhando para o trilho do carrinho e se perguntando como ele corre dentro da água, ou comentando como os movimentos dos bonecos são perfeitos, elas estão lá, totalmente imersas em um reino mágico onde os passarinhos cantam, os elefantes voam, as princesas, sereias e piratas saem dos livros, e Mickey e seus amigos aparecem a qualquer momento (bem maiores que na televisão!) dando sorrisos, abraços e hi-five.

 

Toca aqui O grande barato da Disney para os pequenos é que entram na fantasia ao encontrar personagens que dão abraços e hi-five (no caso do Pluto, hi-three)
Toca aqui! O grande barato é que os pequenos entram na fantasia ao encontrar personagens que dão abraços e hi-five – no caso do Pluto, hi-three :-)

 

Foi cansativo? Sem dúvida. Chegávamos no hotel loucos para cair na cama (filhos e pais). Mas existe coisa mais gostosa do que um sono profundo depois de um dia cheio de diversão, risadas e muito (muito mesmo!) gasto de energia?

A seguir, compartilhamos algumas dicas para facilitar a vida de outras famílias que pretendem encarar a maratona:

1. Planeje (e esteja aberto para mudar os planos)
 Os parques são enormes e as atividades são tantas que, sem planejamento, você fica perdido. Isso vale para qualquer um, mas é ainda mais importante com criança pequena. O site novo da Disney ajuda muito nessa preparação. Além de fotos e informações sobre tudo que existe dentro do complexo, permite fazer reserva, montar seu itinerário e criar um mapa otimizado onde aparecem apenas as suas escolhas. Além disso, dá para marcar o FastPass+ (o famoso fura-fila da Disney) que é f-u-n-d-a-m-e-n-t-a-l para evitar chiliques na espera das atrações mais populares. Você tem direito a três brinquedos por dia, por isso tem de se organizar muito bem para fazer boas escolhas e conseguir chegar lá no horário marcado. Mas atenção: tão importante quanto todo planejamento é ter abertura para adaptar o roteiro caso variáveis como sono, fome, chuva ou dor de barriga exigirem. Jogo de cintura está no capítulo 1 da cartilha de pais, certo?

 

Ritmo lento Nada de maratona. Com crianças, menos - e várias vezes - é a pedida
No ritmo deles Com crianças, nada de maratona, o passeio acontece mais lento. Menos – e várias vezes – é a pedida

 

2. Mapeie as atrações
As atrações que agradam os pequeninhos não são necessariamente as mais populares (sorte sua, menos filas!). Mas justamente por serem menos óbvias, exigem de você um trabalho prévio de mapeamento. Comece pelo site oficial (veja na dica acima) e depois vá refinando a lista a partir das dicas de amigos, blogs, fóruns online e, principalmente, das preferências da sua família. Aqui em casa, por exemplo, o pessoal adora circo. Então reservamos um bocado de tempo para o Storybook Circus – uma área com inspiração circense criada em volta do Dumbo, o elefante voador. Outra paixão dos nossos filhos são os bichos. Por isso passamos um longo e delicioso dia no Animal Kingdom – talvez o melhor de todos.

 

Béééjinho O parque Animal Kingdom é um dos mais interessantes do complexo para crianças com até 3 anos
Béééjinho O parque Animal Kingdom é um dos mais interessantes do complexo para crianças com até 3 anos

 

3. Less is more
Este ditado tão popular entre os americanos faz ainda mais sentido quando se trata de crianças pequenas. Para elas, mais vale ir a cinco ou seis atrações (e repetir váaarias vezes aquela que, para você, parece a mais bobinha) do que passar correndo por dez. Pense como é na sua casa: seus filhos não pedem para você ler dezenas de vezes o mesmo livro? Pois então, a mesma lógica vale aqui.

4. Faça chuva ou faça sol
Apesar de muitas das atrações serem em locais fechados, você vai caminhar sempre ao ar livre para ir de um lugar para o outro. Portanto, prepare-se para todas as previsões (e imprevistos) de tempo. Em geral, a Flórida é muito quente e úmida. Não deixe de levar boné, protetor solar e capa de chuva, além de garrafinhas de água para toda a família (tem bebedor em todo canto, mas se você não tiver uma garrafa à mão vai acabar esquecendo deles). Guarda-chuva é sempre um pouco incômodo, mas torna-se obrigatório se você é daqueles que não gosta da capa de chuva grudando no braço. Outro acessório que para nós foi fundamental é uma canga ou lenço para cobrir o carrinho, caso o sol esteja muito forte e a capota não dê conta de fazer sombra. Sem falar na toalha e roupa extra, para o caso de eles se empolgarem com os brinquedos de água.

 

É o Nemo? A criançada adora água! Tenha toalhas à mão quando encontrarem um chafariz pela frente
Virando Nemo A criançada adora água! Tenha toalhas à mão quando encontrarem um chafariz pela frente

 

5. Carrinho, seu melhor amigo
Mesmo que seus filhos não usem mais carrinho no dia a dia, dessa vez ele pode ser seu grande aliado. Na Disney, tudo é feito a pé, e qualquer adulto estará cansado para carregar um guri no cangote quando a bateria dele acabar. Por US$ 15, é possível alugar um carrinho por lá. Mas como você vai precisar dele por vários dias, acaba valendo mais a pena levar o seu – ou então comprar um no Target ou Babies R Us mais próximo. Se quiser tirar a dúvida se as crianças aguentam ou não, faça um teste antes de viajar: passe uma manhã caminhando no parque, e emende com algumas voltas a pé pelo bairro. Se reclamarem, sinal vermelho. Outra vantagem dos carrinhos é que dá para guardar toda a tranqueira da molecada: garrafinha de água, roupas extras, lenços umedecidos, comida etc..

6. Reduza a expectativa
Certa vez, ouvimos de um guru indiano que a expectativa é o primeiro passo para a frustração. Leve essa pequena sabedoria na sua mochila, e sua viagem certamente será mais feliz. A Disney é realmente um sonho, uma delícia de passeio para a família. Mas se você chega cheio de ansiedade, esperando que tudo aconteça exatamente como sonhou, existe uma chance grande de ficar insatisfeito. Melhor relaxar, e se deixar surpreender.

Temos ainda mais dicas! Veja aqui onde se hospedar com crianças pequenas em Orlando e como alimentá-las de forma mais saudável dentro dos parques Disney.

Imagens: Tours Departing Daily/Creative Commons, Ferdinando Casagrande e Priscila Ramalho

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Disney com filhos pequenos: onde ficar e o que comer 

Orlando tem hospedagens para todos os gostos e bolsos e o mesmo pode se dizer em relação a restaurantes. Apesar da crença comum sinalizar o contrário, há comida para os mais diversos paladares e hábitos alimentares nos parques temáticos da cidade da Flórida.

Há um tanto de comodismo nessa história de que na Disney é preciso se render ao junk food. Sem dúvida, é tentador passar os dias à base de cachorro-quente, batata frita e sorvete, mas existem muitas alternativas para quem faz questão de uma alimentação mais saudável. Se essa é a pegada da sua família, temos algumas dicas de onde ficar e o que comer:

 

Testado e aprovado O Hollywood & Vine oferece "comida de verdade! dentro do Holywood Studios
Testado e aprovado O Hollywood & Vine oferece “comida de verdade” dentro do Hollywood Studios

 

1. Casa, comida e roupa lavada
Optamos por alugar uma villa – um apartamento mobiliado em um misto de condomínio e hotel. Ter uma cozinha equipada e uma máquina de lavar roupa à disposição facilita muito a vida e permite economizar uns bons trocados. Uma dica é não se distanciar muito dos parques. Se o orçamento permitir, vale a pena investir num dos resorts dentro do complexo (muitos deles, inclusive, oferecem villas). Caso contrário, há uma infinidade de resorts e condomínios na região do Lake Buena Vista, a poucos minutos dali.

2. E que tal acampar?
Você sabia que dá para acampar dentro da Disney? Sim, lá dentro, a poucos minutos de barco do Magic Kingdom. O Fort Wilderness, um dos resorts mais antigos, tem áreas de camping super bem equipadas, além de charmosos chalés espalhados pelo bosque. Como nossos filhos estão na fase “exploradores”, resolvemos passar duas noites lá, em uma barraca enorme (com cama de campana e tudo) alugada no próprio resort. Saiu menos de US$ 100 por dia, incluindo o aluguel da barraca, e foi uma experiência incrível. Cada camping site tem churrasqueira, mesa de piquenique, torneira e até tomada para carregar seu celular. Bem pertinho, tem uma comfort station com banheiros impecavelmente limpos, máquinas de gelo, bebedor, máquinas de lavar e secar roupas e telefones. Os meninos curtiram muito tomar café da manhã no meio da floresta, correr atrás dos esquilos e dos passarinhos, brincar na chuva (sim, choveu!), sair de lanterna para tomar banho e voltar no escuro, só com a luz da lua (sim, também teve lua cheia!), procurando o lobo-mau atrás das árvores. Nada como a simplicidade da natureza para recarregar a bateria depois de um dia de multidões, barulho e efeitos especiais.

 

 

Mais pertinho da natureza Uma opção divertida de acomodação dentro do complexo Disney é o camping Fort Wilderness
Mais pertinho da natureza Uma opção divertida de acomodação dentro do complexo Disney é o camping Fort Wilderness

 

3. Planeje o cardápio
Os restaurantes tipo buffet ou family-style em geral trazem um cardápio bem variado, inclusive com opções gluten-free para quem tem alergia. Sem falar no Epcot, onde você se esbalda com temperos internacionais nos pavilhões dos países ao redor do World Showcase.

Testamos e aprovamos o Tusker House (no Animal Kingdom), o Liberty Tree Tavern (no Magic Kingdom), o Hollywood & Vine (no Hollywood Studios) e o Teppan Edo (no Epcot). Além disso, levamos uma pequena bolsa térmica com cenourinha, frutas e sanduichinhos, além de ziploc com frutas secas e castanhas. E fizemos um combinado de uma porcaria por dia, que para nossa surpresa funcionou super bem.

 

Prato colorido Para quem não quer se empaturrar de cachorro-quente, existem buffets com bastante variedade
Prato colorido Para quem não quer se empaturrar de cachorro-quente, existem buffets com bastante variedade

 

4. O tal sorvete do Mickey
Ele não é nada além de um Eski-bon em forma de Mickey, mas é um clássico do qual você dificilmente vai escapar. O problema é nos dias mais quentes o danado derrete rápido, solta do palito e vira uma lambança só. Nossa primeira experiência foi trágica. Em poucas mordidas, o caçula estava todo lambuzado. Deu vontade de mergulhá-lo no chafariz do Epcot. Por isso, nosso conselho: faça um ice-cream plan. Leve roupas extras, recolha muitos guardanapos no carrinho de venda e, se puder, deixe para tomar o sorvete no final do dia, já quase a caminho do hotel.

 

Eski-bon orelhudo  O sorvete é um clássico do qual você dificilmente vai escapar. Previna-se da lambança!
Eski-bon orelhudo O sorvete é um clássico do qual você dificilmente vai escapar. Previna-se contra a lambança!

 

Já conferiu nosso guia de muita diversão e pouco estresse com crianças pequenas na Disney? Dá uma olhada aqui

Imagens: Ferdinando Casagrande, Priscila Ramalho, Walt Disney World Resort e Elizabeth McClay/Creative Commons