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Sobre Marina Monzillo

"Eu não visitei todos os lugares, mas está na minha lista". A frase de Susan Sontag é meu lema. Sou jornalista, viajante, mãe de menina. Meu dia perfeito inclui filmes, música e uma mesa com boa comida e rodeada de amigos.

Polignano a Mare

Um grande segredo italiano: a Puglia

Eu adoro planejar viagens. Mas as melhores viagens da minha vida foram as menos planejadas. É o paradoxo desta viajante. 😉

A falta de expectativa faz tudo ser surpreendente. Quando se espera muito de um lugar, de uma experiência, a realidade dificilmente supera o sonho.

A mais recente prova de que isso é a minha verdade foram os dias que passei na região da Puglia, na Itália.

 

Centro histórico de Polignano a Mare
Acima do Adriático O centro histórico de Polignano a Mare é charmoso e fica sobre as falésias que descem perpendiculares ao oceano

 

A Puglia fica no calcanhar da Bota, sua principal cidade e porta de entrada é a portuária Bari. A região faz algum sucesso com os europeus, mas os brasileiros que vão para lá, em geral, são sempre os descendentes de imigrantes pugliesi.

Fui parar em Polignano a Mare, um pequeno balneário a menos de uma hora de Bari, porque meu marido queria encontrar amigos do perfil imigrante/descendente. Não pesquisei muito. Era o fim de um planejadíssimo roteiro (Londres e sul da Croácia), durante o alto verão europeu, e o que conhecêssemos ali seria lucro da xepa das férias.

Mas foi I-N-C-R-Í-V-E-L. Abaixo, conto tudo que amei na Puglia.

Para onde ir

Polignano a Mare é bonita de um jeito despojado e autêntico. Como o turismo em massa – nos moldes de Veneza, Roma e Florença – ainda não chegou por lá, a cidadezinha não tem nada de fake, de pegadinha, de abusivo $$$.

Em julho, a praia fica cheia (principalmente de italianos), os restaurantes e o centro histórico, agitados, mas tudo na medida certa.
O cartão-postal de tirar o fôlego é a enseada que fica aos pés do centro histórico. A cor do mar é de um degradê verde-azulado, e compõe com as falésias douradas e as construções acima delas uma vista que acaricia os olhos e a alma. Eu ficava feliz e revigorada só de olhar para aquela paisagem diariamente.

 

Covo dei Saraceni
Buongiorno! Que tal acordar com essa vista? É da janela do hotel Covo Dei Saraceni

 

 

A pequena praia ali se chama Lama Monachile. Nós, brasileiros, temos referências muito específicas quando o assunto é praia. Mas nem é preciso fazer um esforço de desprendimento para achar uma lindeza a prainha de pedras de Polignano.

 

Onde ficar
A experiência toda em Polignano ficou ainda mais deliciosa porque nos hospedamos no hotel Covo dei Saraceni, que tem a localização como principal atrativo: encarapitado no precipício para a tal enseada de mar e pedra. E também é muito confortável e decorado com um charme que combina com o cenário ao redor.
Seu restaurante, Il Bastione, recebe também quem não é hóspede. Nos ofereceram prosecco assim que nos sentamos, mas logo em seguida nos levantamos para escolher o nosso peixe em uma bancada onde havia frutos do mar tirados naquele dia mesmo do Adriático, que se estendia à nossa frente. Comemos muito bem, com o ventinho leve que vinha do oceano e a lua cheia no céu.

 

Peixe (quase) vivo Os pescados saem do mar pouco tempo antes de serem servidos no restaurante Il Bastione
Peixe (quase) vivo Os pescados saem do mar pouco tempo antes de serem servidos no restaurante Il Bastione

 

O que fazer

1. Praias
Para quem fica no Covo dei Saraceni, a praia mais próxima é Lama Monachile. Você pega uma descida de paralelepípedos que, dizem, foi a estrada usada pelos soldados romanos rumo à Sicília, e chegou. Se sentar-se em pedras quentes não lhe agrada, garanta uma espreguiçadeira no platô gramado do bar Fly – Sun, Food, Drink. Quando a fome bater, se mude para uma das mesinhas de madeira no terraço acima e peça o cavatelli (massa típica da Puglia) com vôngole. Foi um sabor que ficou na minha memória.

O banho de mar ali é especial. O mar costuma ser calmo como piscina. Você entra pisando com cautela nas pedras e logo perde o chão, mas não se preocupe. A água, de alta salinidade, não deixa o corpo afundar. Nem precisa bater braços e pernas. Você fica ali, mirando o horizonte à sua frente, e agradecendo ao cosmos pela oportunidade de estar lá.

Quem não estiver no modo mergulho emotivo-espiritual 😉 pode se aventurar pelas pequenas grutas que permeiam os paredões. Só precisa tomar cuidado, encostar nas pedras, mesmo que de leve, significa sair sangrando do mar!
Não muito longe dali, fica outra famosa – e bonita – praia do pedaço, Cala Paura. Se eu tivesse tido mais um dia em Polignano, era pra lá que teria ido.

 

Verão europeu Quem se habilita a pular das pedras? Muitos jovens italianos!
Verão europeu Quem se habilita a pular das pedras? Muitos jovens italianos!

 

2. Centro Histórico
O centro histórico é o destino dos fins da tarde e das noites quentes de verão. As ruas ao redor são fechadas para os carros e a Piazza Giuseppe Verdi vira ponto de encontro. Jantamos em uma pizzaria da praça, minha filha deu uma volta no carrossel e depois fomos andando para a sorveteria Bella Blu. Achava que o gelato de pistache da Stuzzi, em São Paulo, seria sempre o melhor da minha vida. Mas o de lá me deixou bem na dúvida quanto a isso.

Arredores de Polignano a Mare

Um dia é suficiente para conhecer três lugares bem bacanas nos arredores de Polignano: Alberobello, Locorotondo e Grotta della Castellana. Mas é bem provável se apaixonar por eles e querer voltar nos dias subsequentes.

 

Mapa Puglia
Tudo pertinho Em apenas um dia, dá para conhecer Locorotondo, Alberobello e Gruta Della Castellana

 

 

1. Alberobello
É a cidade dos trulli, casinhas feitas de pedra, no formato cônico, características dessa região da Puglia. Elas se enfileiram colina acima até a igreja feita nos mesmos moldes. Por sua arquitetura única, Alberobello é Patrimônio Cultural da Humanidade.

 

Trulli de Alberobello
Fui morar numa casinha Essas construções trulli, com telhado cônico em pedra, são únicas no mundo

 

2. Locorotondo
O guia Lonely Planet diz que o centro histórico de Locorotondo é o mais bonito da Puglia. De fato, é lindo. Edifícios e casas pintados de tons bem clarinhos contrastam com o céu azul, as flores coloridas nas janelas e, as frutas nos cestos nas fachadas do comércio. Passamos uma manhã lá e usamos muita memória da máquina fotográfica.

 

Locorotondo
Flores e frutas Locorotondo é perfeita para uma gastar uma manhã de sol

 

3. Gruta della Castellana
Para ecoturistas experientes, talvez esta seja apenas mais uma gruta. Para nós, foi uma experiência maravilhosa entrar e observar as formações de pedra em diferentes galerias subterrâneas, sem perigo algum – há pavimento, corrimão e iluminação. Vale muito a visita. Existe um circuito curto, de uma hora, e um longo, de duas.

 

No subterrâneo As fotos não fazem jus às luzes, cores e formas da gruta
No subterrâneo As fotos não fazem jus às luzes, cores e formas da gruta

 

4.Conversano
Conversano é a cidade com mais estrutura próxima a Polignano. É onde as crianças locais vão à escola, por exemplo. Para nós, turistas, é um local de bons restaurantes, como o +39. Recomendo esquecer dos primi e secondi piatti. Fique apenas nos antepasti. Peça uma variedade e se envolva na difícil tarefa de eleger o melhor, eu aposto no empanado de fiori de zucca (flor de abóbora).

Imagens: Marina Monzillo e Luis Eduardo Maino

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5 lugares para se conhecer na Vila Buarque (ou Santa Cecília)

Quando eu tinha 20 e poucos anos, morava em Santo André e  nenhum lugar que eu gostava de frequentar ou queria conhecer ficava a menos de uma hora da minha casa, eu circulava muito mais pelas regiões e bairros de São Paulo do que agora, que moro no miolo da Vila Madalena.

A lógica é simples: tenho (quase) tudo que me interessa por perto. Não existe a necessidade de entrar no carro (ou ônibus), pegar trânsito e pagar estacionamento caro (ou encontrar vaga na rua) para ver lojinhas bacanas, arte de rua, beber uma cerveja boa com os amigos, jantar bem num lugar bonito e cosmopolita. Isso sem falar que ficar altinha ou bebum e ir embora a pé é um luxo.

Mas quem é movido apenas pela necessidade na hora do lazer? Gosto de curtir outras atmosferas, ver outros rostos, experimentar novos lugares. Existe vida e pluralidade fora do circuito Vila Madalena /Pinheiros e eu quero aproveitá-las. Não simplesmente escolher outros bairros para explorar, mas pinçar, aqui ou ali, uma iniciativa cultural alternativa, um evento criativo, um café local, um restaurante genuíno.

 

Beluga
Minimalismo O décor escandinavo do Café Beluga nos atraiu antes mesmo da inauguração, há menos de um ano

 

E nesse exercício, de sair da minha vilinha, montei um roteiro de coisas interessantes que encontrei pelo caminho – por acaso, todas próximas, no espaço entre a Consolação e o Minhocão.

1. Café Beluga

Lugar pequenino, tocado pelos donos, no estilo de design que eu mais gosto, o escandinavo. O café ali é levado a sério, são microlotes selecionadíssimos. O pão de azeite é muito bom e há uma seleção de doces no balcão e de fanzines na prateleira. Quanto mais cedo você chega, mais frescos encontra os quitutes. À noite, o café dá lugar a cervejas especiais. O A+V adora.

 

Café Beluga
Doce, salgado e zine O Café Beluga leva o café, os quitutes e as cervejas a sério, mas com descontração

 

2. Holy Burger

Também pequeno, com decoração que lembra o visual hipster industrial de Williamsburg, no Brooklyn novaiorquino: cimento, aço, cobre e ferro aparentes,  iluminados por lâmpadas penduradas por cordas. O sanduíche é saboroso, principalmente por conta do molho de tomate que vai na receita do cheeseburguer.

 

Original Burger_fotoRogerioGomes
De comer rezando O Original Burger, do Holy, leva cheddar, cebola caramelizada, bacon e maionese da casa no pão preto

 

3. Banca Tatuí

Um grupo de editoras de livros independentes, encabeçado pela Lote 42, se juntou e montou uma banca de rua que vende livros, fanzines e jornais. No diminuto espaço, cabe até mesmo um balanço e pôsteres de ilustradores editados pela turma.  De vez em quanto, acontecem eventos de lançamento e shows de músicas no teto da banca. No geral, as publicações são inovadoras e bem cuidadas na forma. O conteúdo, porém, ainda é irregular.

 

Banca Tatuí
Balanço das letras Na Banca Tatuí, não tem Veja nem Caras, só livros de autores e editores independentes

 

4. Conceição Discos & Comes

Um balcão, algumas poltronas e mesinhas, uma vitrola, muitos vinis. Moderno, o Conceição é um bar/restaurante/café que tem uma estética criativa e menu, idem. Os pratos do dia, por exemplo, são sempre à base de arroz: de costelinha, de polvo, de sururu, e assim vai. O pão de queijo recheado de pernil a cavalo já fez gente cruzar a cidade para provar. O veredicto do A+V é que falta uma unidade no sabor, os ingredientes se destacam individualmente e não como um todo. Mas pretendemos provar novamente. :-)

5. Sotero

Restaurante simpático e de bom preço que, apesar do nome, não fica só na culinária baiana. Eles declaram fazer uma cozinha original. O bobó tinha camarões graúdos e o picadinho de carne leva canela na receita.

 

Imagens: Divulgação/Holy Burger, Facebook/Beluga, Evelin Fomin e Marina Monzillo

 

The Breakers

Resort perfeito existe?

Resorts nunca me atraíram. Viagens em que o hotel é a principal atração iam contra o meu conceito de viajante, que sempre foi conhecer paisagens, culturas, pessoas diferentes, ter experiências que me tirem da minha bolha, do meu universo particular.

Mas esse pensamento suavizou quando embarquei na vida adulta para valer. Quando você passa o ano todo dormindo menos do que precisa ou gostaria, tem pouquíssimo tempo para si mesma e muitos itens na agenda para se preocupar, lembrar e executar, intercalar uma ida à Macchu Picchu e outra à Praga com uma escapada sem mapa, sem roteiro, só cuca fresca e alguns mimos, começa a soar interessante – muito interessante.

E quando você tem crianças, então, aí é quase impossível fugir dos resorts. Entretê-las o dia todo durante todo o período de férias é cansativo. Ter a ajuda de uma ou mais piscinas, sala de jogos, quadra, playground e equipe de recreadores, entre outras atrações, é tudo que você deseja.

 

Vista aérea de Palm Beach
Vista aérea Precisei virar mãe para me render – apenas na teoria, por enquanto – aos encantos de um beach resort

 

Então, é isso. Eu já não torço o nariz para resorts e, na verdade, até sonho com um feriado prolongado em uma espreguiçadeira diante de uma piscina gigante com serviço de bar.

E aí você me pergunta, para quantos resorts você já foi? Respondo: nenhum. Sabe porquê? Já que a hospedagem vai ser o motivo único da viagem, eu quero ir para o resort perfeito – pelo menos, perfeito para mim. Isso significa:

  1. Tô fora de all inclusive
    Assistir a uma turma exagerando na cerveja e no uísque e passando mal dentro da piscina não é o meu ideal de férias. E eu sou mais da qualidade do que da quantidade em muitas questões, mas, principalmente, na bebida e na comida.
  1. Recreação para adultos, nem pensar
    Monitor me puxando para a aula de lambaeróbica também não está nos meus planos.
  1. Não pode ser totalmente voltado para crianças
    Desculpe a arrogância, mas se eu quisesse tomar café da manhã com personagens, iria para a Disney. As férias também são minhas!
  1. Não custar mais caro que uma viagem à Disney
    Encontrar bom gosto, boas instalações, bom serviço, boa comida, e ainda achar um preço justo é, talvez, o maior desafio nessa lista.
 Será que eu encontrei?

Recentemente, eu fiquei com vontade de conhecer um resort que parece se encaixar nos meus requisitos: o The Breakers, em Palm Beach, na Flórida. Por que esse hotel a pouco mais de uma hora de Miami me parece promissor:

  1.  Hóspedes interessados em descanso e atividades outdoors
    O The Breakers atrai famílias com crianças e casais (há área para realização de casamentos dentro do hotel). Tive a impressão que o público ali, em geral,  é menos interessado em compras e mais em atividades como mergulho, pesca, ioga, golfe, stand-up paddle etc.

 

Playground
Cada um na sua Os hóspedes mirins têm espaços especiais para eles no The Breakers

 

  1. É uma propriedade histórica
    A imponente construção é de 1896 e pertencia à família aristocrática Flagler. Ali eles hospedavam os amigos que escapavam do inverno do norte dos EUA para as temperaturas amenas da Flórida.  Durante a 2a Guerra Mundial, o The Breakers, já um hotel, foi temporariamente transformado em hospital. Há um Museu Flagler em Palm Beach para quem quiser ter uma aulinha de história para variar.

 

O restaurante HMF
Lendário O restaurante HMF homenageia o antigo proprietário do The Breakers, o magnata Henry Morrison Flagler

 

  1. Focado nas crianças e nos adultos
    O resort parece pensar em tudo para agradar desde recém-casados até crianças– passando pelos pais exaustos. Aproveitando o enorme terreno que ocupa, o The Breakers criou áreas específicas para cada perfil. São quatro piscinas, por exemplo. Enquanto uma não tem degraus e vai afundando suavemente, como uma praia, consequentemente mais segura para os pequenos, tem outra em que celulares não são permitidos. Deu para entender a proposta? O mesmo acontece com os restaurantes – são oito no total. Um deles, italiano, é separado do Kids Club por uma grande parede de vidro. Perfeito para pais jantarem tranquilos enquanto os filhos não querem parar de brincar. Por outro lado, o HMF é para jantares mais sofisticados e crianças só são bem vindas até determinado horário.

 

  1. E por falar em crianças…
    A lista de serviços e instalações para famílias é bem completa: existem suítes conectadas, um prédio inteiro com salas de atividades infantis (separadas por idade) e serviço de baby-sitter. Na hora da reserva, você informa a idade dos seus filhos e, se tiver bebês, o quarto é preparado para eles. Isso significa que somem sacolas plásticas e tomadas são protegidas, assim como as quinas dos móveis. Você pode solicitar aquecedores de mamadeiras, banheiras, berços e trocadores. Para os maiorzinhos, há banquinhos para alcançar a pia.

 

Active Pool, do The Breakers
Mergulho suave A Active Pool, piscina destinada às famílias, não tem degraus para entrar

 

 

  1. Vai encarar?
    É um hotel para poucos, principalmente entre dezembro e fevereiro, quando a diária chega a US$ 9.000!  Mas, em julho, quando os americanos acham a Flórida quente demais para o gosto deles, as tarifas caem vertiginosamente. Podem chegar a US$ 429, com a vantagem de que crianças abaixo de 12 anos têm refeições gratuitas nos restaurantes do hotel.

 Imagens: Divulgação/The Breakers

Vai um biscoito Globo aí?

Três dias de uma garotinha no Rio de Janeiro

“Eu vou ver o Blu!” Foi assim que minha filha avisou a todos que iria passar alguns dias no Rio de Janeiro. O personagem dos filmes de animação “Rio” e “Rio 2” foi sua associação imediata quando eu lhe contei o nosso destino.

Chegando lá, porém, havia tanto o que fazer, que a caça à fictícia arara azul ficou praticamente esquecida. Um lugar que tem praia, bondinho, Cristo Redentor e Maracanã já exerce encantamento natural nos paulistinhas, mas o que fazer com uma garotinha de 3 anos no verão carioca?

1. Lagoa Rodrigo de Freitas

BICICLETA – A Lagoa me parecia um dos lugares mais óbvios para entreter crianças e, de fato, é. Perto do quiosque Palaphita Kitch, existem pedalinhos e bicicletas para alugar. Como éramos dois adultos e uma criança, optamos por um quadriciclo que parece uma espécie de carruagem. São duas bicicletas paralelas e um banquinho para a criança ir à frente (30 minutos por R$ 15).

 

Quadriciclo na Lagoa
Penélopes Charmosas O quadriciclo familiar cor-de-rosa e os pedalinhos da Lagoa ao fundo

 

PIQUENIQUE – Fiquei encantada de ver grupos fazendo piqueniques no fim de tarde, principalmente pela superprodução dos convescotes – sério, mereciam esse nome pomposo! Mesinhas feitas com caixotes de feira, enfeitadas com toalhas coloridas de chita, vasinhos de flores e lanternas japonesas. Se já não bastasse a linda vista. Existem empresas que estão fazendo o maior sucesso organizando esses eventos, como a Vem pro Piquenique. Adorei.

2. Flamengo

PARQUE – Eu sempre passei pelo Aterro do Flamengo. Vindo do aeroporto, a caminho das praias ou em direção à Lapa. E invariavelmente perdia o fôlego com a beleza exótica dos jardins projetados por Burle Marx, com as curvas e barcos da Marina da Glória, com a vista da Urca e do Pão de Açúcar. Mas eu nunca tinha aproveitado o Flamengo. Desta vez, fui caminhar pelo Aterro. Minha filha se cansou um pouco – me arrependi de não ter levado o carrinho (seeempre se deve levar carrinho em viagens) – mas foi bacana, encontramos alguns músicos, muitos corredores de fim de semana e uma quantidade ainda maior de crianças.

 

Aterro de Flamengo
Palmeiras O paisagismo do Aterro do Flamengo foi feito por Burle Marx, mas o que vale mesmo pras crianças e o enorme espaço para correr e andar de bike

 

PARQUINHO – Na praça Cuauhtamoque, há dois parquinhos, com brinquedos de madeira para diferentes idades. Cercados e muito bem conservados, do tipo difícil de encontrar em espaços públicos.

 

Parquinho no Flamengo
Sou Flamengo! Difícil tirar a pequena do playground bem conservado e cheio de carioquinhas simpáticos

 

 3. Leblon

PRAIA – Fomos pegar praia em um domingo ensolarado e achei que encontraríamos as areias insuportavelmente abarrotadas, como nos feriados. Mas facilmente conquistamos um lugar ao sol, ou melhor, ao guarda-sol. A grande sacada foi levar uma piscininha inflável para a pequena se refrescar, porque o mar estava agitadíssimo, com ondas enormes, quase ninguém se arriscava a se molhar além das canelas.

 

Praia do Leblon
Água salgada Em dia de mar revolto, a piscininha inflável refresca e diverte

 

COMIDINHA DE PRAIA – E ela também se esbaldou com a oferta de comidinhas. Tomou água de coco, comeu esfiha de queijo, milho da espiga (ela só conhecia no copinho) e muito, muito biscoito Globo (preferiu o salgado ao doce).
QUIOSQUE KIDS FRIENDLY – O fim de tarde foi tudo aquilo pelo qual uma paulista suspira: sentei no calçadão da orla, papeando com uma amiga, enquanto minha filha fazia suas próprias amizades cariocas no Baixo Bebê. Apesar do nome, o quiosque é perfeito mesmo para crianças a partir de dois anos porque tem um parquinho na areia, com escorregador, casinha de bonecas e afins, tudo de plástico, tudo cercado.

 

Baixo Bebê
Desce pra praia Em vez de tanque de areia, o parquinho do baixo Bebê tem a própria areia do Leblon à disposição da garotada

 

VISTA – Quando o sol se escondeu atrás do morro Dois Irmãos, mostrei para a pequena o luminoso do Hotel Marina – ela achou um barato aquelas letras vermelhas no alto do prédio significarem o nome da mãe dela. Apontei também a luz intermitente do farol à frente, e cantei a música da Marina Lima. Ela pediu bis. :-)

Imagens: Marina Monzillo e Simone Bessa/Creative Commons

bricklane abre

7 feiras imperdíveis de Londres

Uma das coisas que eu mais amo em Londres – que se tornou um segundo lar para mim – é o quanto ela é viva. E as feiras que ocupam ruas, vielas e galpões nos mais variados bairros, principalmente aos fins de semana, são as vitrines dessa atmosfera vibrante, miscigenada e democrática da cidade.

A seguir, uma lista dos London markets preferidos do A+V. Cada um tem sua especialidade – comida, objetos de decoração, roupas, flores etc. – e seu público. Antes de escolher o que mais combina com o seu estilo, tente conhecer todos, dessa maneira, você entenderá a multifacetada personalidade londrina.

1. Portobello Road Market (aos sábados)

 

Todos amam Notting Hill: aos sábados, a Portobello Road fica assim
Todos amam Notting Hill: aos sábados, a Portobello Road fica assim


Provavelmente a mais famosa das feiras de Londres e, por isso, concorridíssima. Fica no coração do famoso bairro de Notting Hill – é o mercado que aparece em Um Lugar Chamado Notting Hill(1999), na cena em que o ator Hugh Grant caminha enquanto as estações do ano vão mudando.

A Rua Portobello e sua feira também são cantadas no musical Se Minha Cama Voasse (1971), da Disney – o legal nesse filme é ver como eram no passado, quando as antiguidades funcionavam como o principal chamariz para a clientela. Hoje, tem de tudo um pouco, roupas, souvenirs turísticos, objetos de decoração e muita, muita gente. Se quiser conhecer o bairro – que é fofo, com flores e casinhas coloridas – prefira ir durante a semana. Nas adjacências, estão lojas como a The Spice Shop (para comprar temperos) e a Notting Hill Bookshop (antes chamada The Travel Bookshop, que inspirou a livraria em que Hugh Grant era proprietário no adorado filme).

 

A feira de Portobello tem de tudo um pouco: roupas, comida, antiguidades, souvenirs, idosos, crianças e muitos turistas
A feira de Portobello tem de tudo um pouco: roupas, comida, antiguidades, souvenirs, idosos, crianças e muitos turistas

 

2. Camden Town (diariamente, mas várias lojas só abrem no fim de semana)

No Camden Lock está uma das inúmeras feiras que fazem de Camden Town um labirinto de barraquinhas
No Camden Lock está uma das inúmeras feiras que fazem de Camden Town um labirinto de barraquinhas

 

Camden Town costumava ser o ~point~ da cena alternativa de Londres, mas virou bem turístico e perdeu um pouco a personalidade. Ainda vale conhecer, mas se prepare para a muvuca. A loja Cyberdog, voltada para os fãs de balada tecno, é bem curiosa – tem desde brinquedos infantis a itens de sex shop em um ambiente escuro, com o som alto e go-go boys dançando.

Nas barraquinhas ao redor, tem muita roupa baratinha e bonita nos mais ousados estilos: retrô, gótico, psicodélico – é só questão de fuçar no labirinto, já que não se trata de uma feira, mas de várias, uma do lado da outra, todas ao longo das ruas Camden High Street e Chalk Farm Road e perto do charmoso Regent’s Canal.

Estúdios de tattoo e piercing são a cara de Camden. Uma área do Camden Stables Market (que ocupa antigos estábulos de uma companhia ferroviária) tem barraquinhas de comida do mundo inteiro: vietnamita, chinesa, mexicana, tailandesa, italiana, marroquina, e por aí vai. Um prato custa cerca de 5 libras.

 

3. Old Spitalfields Market (diariamente, mas aos domingos é mais completo)

 

Fica em East London, a região mais descolada da cidade, perto de Liverpool Street. Começou como um mercado de frutas no início do século 20, tomou a forma atual nos anos 90 e, mais recentemente, passou por uma boa reforma. Ficou mais mainstream, com redes de restaurantes e algumas lojas arrumadinhas, e perdeu um pouco do charme de “velho galpão recheado de gente jovem criativa”. Mas ainda é onde tem as roupas mais legais para vender, na minha opinião, além de vinis, bijuterias, pôsteres e outros itens de arte acessíveis.

 

O mercado coberto de Old Spitalfield ficou arrumadinho, mas ainda tem itens com bons preços
O mercado coberto de Old Spitalfields ficou arrumadinho, mas ainda tem itens com bons preços

 

4. Broadway Market (aos sábados)

broadway

É o que mais se assemelha às nossas feiras de rua brasileiras, porque tem um foco bem forte em comida. São barraquinhas de linguiças, queijos, pães e doces em uma rua de comércio local, com cafés orgânicos, pubs e produtos saudáveis. Há também brinquedos e roupas. Fica em Hackney, um dos bairros mais legais da cidade (no East London). A rua Broadway começa no Regent’s Canal (o mesmo de Camden, só que alguns bons quilômetros mais ao leste) e termina no parque London Fields. Você chega de bicicleta pelo canal, encontra os amigos, pega algo para comer na feirinha, e vai sentar no parque. O melhor programa para um sábado de manhã em Londres.

 

 

 

5. Bricklane (aos domingos)

Bricklane Mario Sanchez_Prada

 

É muito mais que uma feirinha, é uma rua e suas travessas e paralelas onde o caleidoscópio de sabores e culturas de Londres é mais colorido (na foto principal). Repare nas placas com os nomes das ruas: estão escritas tanto em inglês como em bengali. Antigamente, era uma bocada – o pedaço de Jack, o Estripador – mas já faz tempo virou o local da galera das artes e da vanguarda. Cada vez que eu vou lá, tem algo novo para ver, uma exposição de arte ousada em algum galpão, uma nova feirinha com os trabalhos de jovens designers, um show de música de uma banda ótima. A atração fixa fica por conta dos restaurantes indianos, um ao lado do outro, dos beigel shops (que fazem a alegria dos famintos da madrugada, mas que funcionam o dia inteiro vendendo esses pães quentinhos com cream cheese), e dos bares e clubs como o Vibe Bar, onde o importante é se divertir e não aparecer.

 

O mercado dominical de Bricklane e vende roupas e acessórios de novos designers
O mercado dominical de Bricklane vende roupas e acessórios de novos designers

 

 

6. Columbia Flower Market (aos domingos)

 

columbia pinterest
Flores ocupam a tranquila Columbia Road aos domingos de manhã

Como o nome diz, é a feira de flores. A tranquila Columbia Road se transforma aos domingos, quando vira um jardim, com muita gente circulando, artistas de rua e comidinhas. As lojas escondidas por trás da profusão de pétalas, galhos e folhas também são interessantes: há galeria de street art, objetos de decoração, confeitaria, tudo bonito e moderninho.

É um pouco longe de uma estação de metrô e os turistas ainda não chegaram aos montes. Junto com o Broadway Market, é o mercado que tem o melhor astral.

 

O agito começa cedo, com vendedores de rua  e apresentações de música no Columbia Flower Market
O agito começa cedo, com vendedores de rua e apresentações de música no Columbia Flower Market

 

7. Borough Market (por completo, de quarta a sábado)

Se a palavra gourmet não tivesse se tornado o maior clichê da década, eu a usaria para descrever o público que se encanta com o Borough Market. São pessoas que gostam de cozinhar, de comer bem, de conhecer novos sabores e texturas, com curiosidade quase antropológica. A poucos passos da margem sul do Tâmisa, este mercado tem alimentos de todas as partes do mundo, uma variedade de cogumelos que eu nunca tinha visto na vida, ostras frescas acompanhadas de taças de prosecco e tortas de carne de porco, para citar apenas alguns poucos exemplos.

 

Guia de feirinhas para o fim de semana

 

Um sábado e domingo são pouco para curtir todos os mercados. Estas são as sugestões de roteiro que faço para os amigos que vão ficar um, dois ou três fins de semanas na cidade. Não incluí o Borough Market, porque pode ser visitado nos dias úteis.

Na correria (um fim de semana)

Sábado
Manhã: Broadway Market
Almoço: Camden Town
Tarde: Portobello Road

Domingo
Manhã: Columbia Flower Market
Almoço: Spitalfields Market
Tarde: Bricklane

Curtindo um pouco mais (dois fins de semana)

Sábado
Pela manhã: Broadway Market
Almoço/tarde: Camden Town

 Domingo
Spitalfields Market

Sábado
Portobello Road

Domingo
Manhã: Columbia Flower Market
Almoço/tarde: Bricklane

No tempo perfeito (três fins de semana)

Sábado
Broadway Market

 Domingo
Spitalfields Market

Sábado
Portobello Road

Domingo
Camden Town

Sábado
Columbia Flower Market

Domingo
Bricklane

Imagens: Chris JLMario Sánchez Prada, Michiel Jelijs e Observista/Creative Commons, Edward Betts, Marina Monzillo e Getty Images.

abre paraty

Paraty e para crianças

Venho por meio deste (texto) rechaçar um mito: o de que Paraty não é destino para crianças pequenas.

Dá para entender o que faz as famílias com babies e toddlers pensarem na cidade litorânea como complicada. Preferida dos jovens casais paulistanos (e alguns cariocas, afinal, pertence ao Estado do Rio de Janeiro e fica mais próxima da capital fluminense do que da paulista), Paraty não faz o estilo pé-na-areia, tem a vida noturna como grande atrativo – são cada vez mais numerosos os bares e restaurantes com música ao vivo, quase sempre no estilo banquinho/MPB no violão – e o Centro Histórico tem aquele calçamento de pedras lindo, mas que impossibilita carrinhos de bebê e passinhos (ainda) hesitantes.

paraty
Pedra sobre pedra: o calçamento do Centro Histórico agrada aos adultos, mas atrapalha quem ainda dá passinhos hesitantes

 

De fato, curtir o charmoso Centro Histórico e seu comércio não foi o foco da minha quarta e mais recente ida à Paraty, a primeira com a pequena. Ela se cansava rápido de andar sobre as pedras e pedia colo. Mas isso não significa que aproveitamos menos. A seguir, meu roteiro de Paraty com uma criança de 3 anos:

1. Vá no verão

Paraty é incrível o ano inteiro, tem Festa Literária (FLIP), Festa do Divino, festival de fotografia (Paraty em Foco). Mas com criança, o melhor é ir mesmo durante o verão, curtir a natureza. Em algumas ilhas, dá para ver lagartos e micos. Catamos conchinhas aos montes e pegamos bolachas-do-mar na mão (e depois devolvemos!). E aproveitamos diariamente os sorvetes da Pistache ou do Finlandês – ambos no Centro Histórico.

2. Não fazer passeio de barco é perder o melhor de lá

Existem três opções: escuna, barco particular e lancha. Os preços são proporcionais ao conforto. Escunas levam grupos grandes, com duração, roteiro e trilha sonora (axé) pré-definidos. Os barcos de “pescador” dão mais liberdade porque levam apenas um ou dois grupos. Nós optamos pela lancha, que tem a mesma possibilidade de customização, mas é rápida, dá para ver mais em menos tempo. Valeu a pena.

 

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Parada para encher a barrigota: passear de lancha em Paraty é poder chegar na Ilha do Algodão

 

O ponto alto foi conhecer o Saco do Mamanguá, uma espécie de fiorde tropical, paredões verdes em uma baía linda. Na volta, paramos na Ilha do Algodão, para um almoço maravilhoso no restaurante do Hiltinho. Ao fim de cinco horas de passeio, minha filha já mergulhava da lateral da lancha no mar sem receio. A embarcação leva até 9 pessoas, e o preço varia de R$ 150 a R$ 200 a hora, na alta temporada.

3. Praias acessíveis de carro

Mas o melhor para crianças, sem dúvida, são algumas praias de mar calmo, quase piscina, que ficam no máximo a 15 quilômetros do centro.

– Barra do Corumbé

Pequena, com barquinhos de pescador, acesso pelo km 565 da Rio-Santos.

O melhor: o quiosque Cheiro de Camarão: arrumadinho, com deliciosos sucos, porções de frutos do mar generosas e bem feitas. A sombrinha do sapé é perfeita para a turminha brincar, enquanto os pais relaxam.

O lado ruim: a água do mar é turva por conta de folhas e algas, mas nada que impeça o banho.

 

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Sombra e calmaria: Barra do Corumbé nem tem o melhor banho de mar, mas tem o melhor quiosque!

 

– Paraty-Mirim

Acesso pelo km 593 da Rio-Santos, e mais 7 Km de estrada de terra. Me lembrou a Guarda do Embaú (SC) por conta do vento incessante e do encontro do mar com o rio.
O melhor: a praia é linda, o mar é límpido e calmíssimo. Difícil ter vontade de sair da água e impossível tirar a criançada de lá.
O lado ruim: A estrutura. O melhor dos mundos seria um quiosque como o Cheiro de Camarão em Paraty-Mirim.

 

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Mar rasinho toda a vida: é assim a praia de Paraty-Mirim, cercada por um banco de areia

 

Fotos: Marina Monzillo e Otávio Nogueira/Creative Commons

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Amazônia com conforto: conheça o Mirante do Gavião

Ir para um lugar como a Amazônia significa, claro, uma aproximação intrínseca com a natureza, se sentir parte dela, contemplar quem somos na essência. Mas como fazer isso se nos tornamos, muitas vezes, bichos da cidade que, sim, amam o verde, as paisagens e os animais, mas não suportam insetos, calor úmido e, deus-nos-livre, camping?

Ao planejar uma viagem para conhecer a floresta, eu, urbana que sou e desacostumada com a natureza em estado bruto, buscaria certamente um hotel que me proporcionasse bastante conforto, mas que estivesse totalmente em harmonia com o lugar onde se encontra. Isto é, teria de adotar o máximo de práticas sustentáveis possíveis e ao mesmo tempo proporcionar aos hóspedes uma experiência genuína, profunda, sem isolá-lo dentro de um palácio luxuoso.

Por isso, as fotos da Pousada Mirante do Gavião me chamaram a atenção. Trata-se de um pequeno empreendimento hoteleiro (apenas sete acomodações) em Novo Airão, a 200 km de Manaus.  A cidade é base para conhecer os parques nacionais de Anavilhanas e do Jaú, na região do Rio Negro.

A arquitetura contemporânea e de muita personalidade se mistura com a mata que a emoldura. Quem a assina é uma profissional europeia, Patricia O´Reilly, especialistas em projetos sustentáveis. Para construir os chalés foi usada a mesma técnica que a comunidade ribeirinha desenvolveu – e passa de pai para filho – para construir seus barcos.

O mirante do gavião foi construído por uma arquiteta que usou a beleza da natureza para exaltar o projeto
O Mirante do Gavião foi construído por uma arquiteta especializada em projetos sustentáveis que usou, é claro, a beleza natural para exaltar a construção

 

As construções repousam acima da clareira onde se encontram, como palafitas, assim a natureza pode continuar crescendo sem barreiras, sem impermeabilização do solo.

No dia a dia, o sol aquece a água e ilumina por entre vidros e janelas. Durante a noite, é sua energia que clareia. Os ventos cruzados são aproveitados, substituindo o ar-condicionado. E são águas pluviais que saem das torneiras.

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, Além de estilosas e confortáveis, as acomodações deste hotel de selva são amigas da natureza

 

O impacto social também é uma preocupação, e os sócios empregam os locais.  “Criamos empregos em uma região carente. Muitos funcionários estão com registro em carteira pela primeira vez. São pessoas da cidade e que recebem boa parte do treinamento conosco”, conta Ruy Tone, da agência Expedição Katerre, proprietária da pousada.

Para mais detalhes sobre a pousada, tarifas e contato, clique aqui.

Fotos: Thaís Antunes/Divulgação

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Como é o Museu de los Niños, em Buenos Aires

Basta dar um Google em “Buenos Aires com crianças”, você encontrará uma boa variedade de dicas, e o Museu de los Niños aparece em todos os roteiros. Apesar de o nome remeter à arte e história, o que temos, de fato, é um parque de diversões educativo que poderia se chamar Ciudad de los Niños. Há supermercado, agência de correios, banco, consultório de dentista, ônibus, carros, avião, tudo de brincadeira. Para os pequenos experimentarem, de forma lúdica, a vida adulta.

Dentro do museu há um supermercado cheio de produtos para os pequenos comprarem. Tudo de mentirinha.
Dentro do museu há um supermercado cheio de produtos para os pequenos comprarem com dinheiro de mentirinha

 

Pontos positivos:

– Apesar de um leve cheio de mofo no ar, as instalações têm aparência de novas, são lindamente coloridas e bastante seguras.

 

Tudo  é colorido para chamar a atenção dos pequenos e seguro para a tranqulidade dos papais

 

– É um programa perfeito para um dia de chuva na capital portenha. O Shopping Abasto ainda tem uma roda gigante indoor, um parquinho estilo “Playland” e uma praça de alimentação logo ao lado.

Pontos negativos:

– Fica dentro de um shopping, o que tira um pouco da graça do parque.

– O Abasto fica um pouco distante das áreas mais turísticas da cidade, levamos 20 minutos de táxi do Puerto Madero até lá.

Confira horário de funcionamento e preço dos ingressos aqui

Tem até navio, ancorado em um porto, dentro do espaço no Shopping Abasto
Tem até navio, ancorado em um porto, dentro do espaço no Shopping Abasto

 

Fotos: Marina Monzillo

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Passeios em Buenos Aires com criança

Quando começamos a planejar nosso roteiro na Patagônia, decidimos ir de uma cidade para outra de avião, porque as distâncias são enormes (El Calafate está a 2.762 km de Buenos Aires, e Ushuaia, 2.370 km). A viagem de carro sem criança já seria aventura. Com ela, um perrengue desnecessário.

Portanto, voamos de São Paulo para Buenos Aires e, de lá, seguimos para o extremo sul argentino, tudo com a Aerolíneas Argentinas (que está com aviões novos e não atrasou nenhum trecho!).

Os quatro dias na capital portenha para aquecer os motores foram ótimos. A cidade faz parte daquele rol de lugares onde o tempo de permanência nunca é demais. Podemos voltar dezenas de vezes e sempre haverá um restaurante novo pra conhecer, uma exposição bacana em cartaz, um cantinho querido para matar a saudade. Desta vez, focamos em uma programação infantil em Buenos Aires, que incluiu os Bosques de Palermo e o Museu de Los Niños. Foi totalmente novo para mim, que já estive lá quatro vezes.

Os pequenos vão adorar o parquinho nos Bosques de Palermo.
Os pequenos adoram o parquinho da Plaza Alemania, às margens dos Bosques de Palermo

 

Bosques de Palermo

Nosso QG foi um apartamento AirBnB em Palermo Hollywood, a uma quadra da Avenida del Libertador. Os Bosques de Palermo, a menos de 10 minutos a pé, foi nosso quintal.

Não faltam atrações nesse que é o principal pedaço verde de BA. Na extremidade, na Plaza Alemania, tem um playground com brinquedos de madeira e até um jogo da velha. Os pequenos locais se enturmaram rapidamente com a minha brasileña.

Em Bosques de Palermo tem diversão e atividades pae
Mente e corpo se exercitam com jogo da velha, escorregadores e balanços no playground portenho

 

Atravessando a rua tem o belo Jardim Japonês, construído em 1967 quando o príncipe Akihito (hoje imperador) visitou a Argentina. São lagos de carpas, pontes vermelhas, uma pequena cerejeira e muitos bonsais. Um oásis de tranquilidade.

Toda a delicadeza da cultura japonesa em um só jardim
Toda a delicadeza da cultura japonesa em um só jardim

 

Seguindo mais um pouco, tivemos de escolher: zoológico à esquerda, do outro lado da avenida, ou o lindíssimo Rosedal, um jardim de rosas de diversas cores. Fomos primeiro ao Rosedal, que fica à beira de um lago, onde há pedalinhos para alugar.

As fotos dizem mais que palavras. São cerca de 18 mil flores, uma pérgula e uma fonte em estilo andaluz. E em meio a tudo isso, o jardim dos poetas, com bustos de Shakespeare, García Lorca e Dante Alighieri, entre outros.

 

Além de encher nossos olhos, as rosas do Rosedal são protagonistas de belas fotos
Além de encher nossos olhos, as rosas do Rosedal são protagonistas de belas fotos

 

Zoológico de Buenos Aires

À primeira vista, El Jardín Zoológico de Buenos Aires me pareceu meio abandonado, um pouco mal cuidado – não falo dos animais, mas das dependências. Mas logo lembrei de que não estava nos EUA, então, não fazia sentido encontrar um zoo todo perfeitinho, estéril, com cara de parque temático.

Se você conseguir enxergar beleza na decadência, vai perceber como este não é apenas mais um lugar para ver girafas, leões e zebras. Inaugurada em 1888, a área é uma joia da arquitetura vitoriana. As construções que abrigam os animais merecem tanta atenção quanto os próprios bichos. Há extravagâncias como uma espécie de templo hindu para os elefantes e uma grande gaiola em estilo andaluz para os macacos.

Mais do que uma visita aos animais, o Zoo é uma chance de ver a bela arquitetura da cidade
Mais do que uma visita aos animais, o zoo é uma chance de ver exemplos de arquitetura vitoriana

Os Bosques de Palermo rendem bem mais que um dia ao ar livre, porque ainda tem pedalinhos no lago, o planetário Galileu Galilei, o Jardim Botânico e o hipódromo.

Conheça aqui o Museu de los Niños, outra atração infantil de Buenos Aires.

Imagens: Marina Monzillo

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O que fazer em Ushuaia

Capital da província de Terra do Fogo, cidade mais austral do mundo, fim do mundo, porta de entrada da Antártida: a posição geográfica de Ushuaia é interessante demais. E os dois passeios clássicos que a cidade argentina oferece não ficam atrás e podem ser feitos no mesmo dia (com criança, recomendo quebrar em dois).

O primeiro é o Trem do Fim do Mundo, uma maria-fumaça que atravessa o Parque Nacional Terra do Fogo e antigamente transportava presos. Para nós, a paisagem parecia saída de um conto de fadas. Era fim de outubro e uma forte neve tardia cobriu toda a vegetação de branco. Lindo demais.

 

Parece Hogwarts Express, mas é o Trem do Fim do Mundo, na Terra do Fogo

 

A segunda atração é a navegação pelo canal de Beagle. De um lado, vemos as terras mais austrais da Argentina e do outro, as do Chile. Há um farol, ilhas habitadas por pássaros, lobos marinhos e até pinguins.

 

Ushuaia vista do catamarã que atravessa o Canal de Beagle

 

Dica A+V

Para ver os pinguins é preciso fazer o passeio de 5 horas. A opção mais curta, de 3 horas, não chega até a ilha onde eles ficam. Não é possível descer do catamarã, mas atracamos por 15 minutos para muitas fotos.

 

A ilha dos pinguins de magalhães, o ponto alto do passeio

 

Existe um tour, oferecido apenas por uma agência, Piratour, em que é possível descer do barco e ficar uma hora junto aos pinguins. Mas com a temperatura negativa e o vento patagônico castigando, achamos que sofreríamos demais na ilha, onde não há nenhum tipo de construção ou proteção das intempéries.

 

 

Imagens: Marina Monzillo