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Sobre Evelin Fomin

Estrategista digital e feminista que não tem medo de se assumir, esta 'ginger girl' nunca viaja sem uma boa lista de lugares para conhecer. Isso não significa que faltam aventuras e desvios em seu roteiro.

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O que fazer em Reykjavík, capital da Islândia

A Islândia é um destino para poucos. Já falamos no post Islândia para iniciantes que você tem de ter algumas credenciais para ir até a Islândia como, por exemplo, se interessar por slow trips, por lugares inóspitos, por cultura alternativa, por natureza. Mas se você se empolga com história e geologia, então sua viagem até esse país excêntrico e magnânimo vai ser ainda mais especial. Antes de seguir viagem, aproveite para criar uma playlist no seu app de música com álbuns de artistas islandeses notáveis como Björk, Sigurrós, Of Monsters And Men e Sóley Stefánsdóttir.

 

Ruas da Islândia
Viva a sociedade alternativa Um tanto excêntrica, a Islândia é adepta do slow living e tem uma cultura pop notável

 

Primeira parada: Reykyavík

A capital da Islândia, Reykyavík, deve servir de base para as suas jornadas pelo famoso Ring Road, uma espécie de rodoanel que circunda o país inteiro. Reykyavík não tem vergonha de ser uma das menores capitais do mundo – uma das menores e uma das mais ~novas~ da Europa, fundada pelo viking Ingólfur Arnarson, no ano 900.

Escolha uma localização central e, se o vento e o frio não estiverem de rachar, caminhe pela rua principal Laugavegur. Esta é uma rua legal, mas também do tipo pega-turista, com algumas lojas clichês de souvenires, mas outras interessantes também – tudo muito caro, lembre-se. Como primeira impressão, vale a volta ‘de reconhecimento’ da área e a parada para um espresso ou um chocolate-quente nos cafés pelo caminho. Há também gelaterias porque, afinal, foi no frio que surgiu esse hit de verão dos trópicos. Vá fundo e tome um gelato na capital da Islândia. Depois, siga para a Rua Skólavördustígur, uma transversal da Laugavegur e que dá no grande pátio onde fica a Hallgrímskirkja, a igreja luterana de 74,5m de altura, inaugurada em 1986. É nova, mas de arquitetura interessante que, para mim, remetia a uma nave – mas a ideia original se propôs imitar o movimento de uma lava de vulcão. Quando você sabe disso, fica sugestionado e acaba fazendo sentido.

 

Igreja de Reykjavík
Lava ou foguete A arquitetura singular faz da igreja Hallgrímskirkja, uma atração imperdível da capital da Islândia

 

 

Em tópicos, o giro de reconhecimento fica assim:

1. Instale-se em Reykyavík, na região central, de preferência;
2. Procure por um exemplar grátis do jornal The Reykjavík Grapevine, reserve (tipo, deixe à mão para você consultar o guia de atrações depois);
3. Faça uma volta de reconhecimento pela Rua Laugavegur, mas lembre-se que ela é pega-turista (vale mesmo assim);
4. Pit-stop para um café bem-tirado no Reykjavík Roasters, na Rua Kárastígur, 1, já próximo à super igreja-nave (a igreja-lava, na real);
5. Pela Rua Skólavördustígur você chega ao pátio da Hallgrímskirkya, a igreja luterana da década de 1980. Explore os muitos ângulos dali.

Em tópicos, como explorar o fim de tarde em Reykjavík:

1. Siga para a orla, pela Rua Sæbraut. Vá à pé, porque tudo por ali é perto;
2. No caminho, prove um cachorro-quente islandês, ou pylsur, um orgulho do país;
3. Caminhe até o monumento Sólfar, ou Sun Voyager, no inglês, uma escultura em homenagem ao sol, criada por Jón Gunnar Árnason. Sente-se e aproveite a vista e o pôr do sol;
4. Na volta, pare no supermercado Bonus – a rede com os preços menos caros, na Rua Laugavegur  – para abastecer-se de snacks para pegar a estrada logo cedo do dia seguinte. Compre um salmão e prepare para o seu jantar, você não vai se arrepender – o salmão mais saboroso de toda a minha vida.

 

Barraquinha de hot-dog
O hot dog que vem do frio Americanos e alemães levam a fama, mas a Islândia também entende de salsicha!

 

É cultural: bebês ao relento e sem supervisão

Se você notar carrinhos de bebês estacionados para fora dos estabelecimentos – com os bebês neles e sem nenhuma supervisão – não se assuste. Em Reykjavík – e na Islândia toda – a prática é comum e centenária. Uma epidemia de tuberculose no início do século 20 abalou o país. Em 1926, o médico David Thorsteinsson publicou seu livro pedagógico, em que exaltava os benefícios da vida ao ar livre e do ar fresco para fortalecer o sistema imunológico das crianças. Com a chegada de carrinhos de bebê ao mercado islandês no mesmo período, ele recomendou que bebês fossem colocados para dormir ou tomar sol e a prática se tornou usual. A segunda geração de islandeses fez suas naninhas ao ar livre e, desde então, toda criança passa pelo ritual. Pense: os islandeses vivem 10 anos a mais do que a média mundial – para que ter medo de um ventinho? Mais sobre o assunto, aqui (em inglês).

 

Monumento ao sol
Monumento ao sol Sólfar, ou Sun Voyager, é o nome da obra de arte que homenageia o astro-rei à beira-mar

 

Imagens: Evelin Fomin

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Islândia para iniciantes

Outro dia, estávamos à mesa de um jantar gostoso, rodeado de amigos de várias épocas, quando papai pediu que eu contasse a minha última aventura de viagem. Animada, obedeci e comecei dizendo que, desta vez, tinha ido à Islândia. O primeiro comentário impulsivo e honesto aconteceu assim: “Islândia? Onde é isso?”

Não vou pegar no pé da questão da geografia porque, figurativamente, essa pergunta tem mesmo tudo a ver: “Onde é isso, minha gente?” A Islândia é tão inóspita, é tão fora do radar que nada ali é clichê e, melhor, qualquer dica que você siga em qualquer roteiro de viagem, é só listar, organizar a rota de acordo com o tempo que você dispõe e pronto.

A Islândia não é um roteiro comum, mas definitivamente merece um espacinho na sua lista de próximos destinos
A força da natureza, na Islândia, não é um clichê. Note as duas pessoas diante do lago glacial de Jökulsárlón

 

Mas como saber se a Islândia é mesmo um destino para você, que talvez não esteja tão familiarizado com a região? Simples. Se, pelo menos, três dos cinco itens abaixo têm a ver com você, então a Islândia tem o potencial de ser o seu número.

1. Gosto de destinos para explorar a natureza;
2. Gosto de destinos com poucos habitantes;
3. Gosto da ideia de comer pratos esquisitos;
4. Gosto da aurora boreal (e sei do que se trata) e outros fenômenos da natureza;
5. Gosto de design escandinavo (e sei do que se trata).

As dicas básicas, a seguir, são um panorama geral importante para você entender onde você estará pisando.

 

Natureza, atividades fora do comum e experiências novas são os destaques da Islândia
Em Vík, os penhascos de Dyrholaey são margeados pelas areias de uma das mais lindas praias pretas no mundo

 

Locomoção

Faça as contas (sempre faça as contas) de quantos passeios você faria e quanto você pagaria para se locomover até cada um ANTES de desistir de alugar um carro. Ou seja, pelas minhas contas, vale muito alugar um carro e circular com o Waze ou o Google Maps do seu smartphone (com um SIM card local). O país tem muitas planícies e o sinal do celular funciona superbem no meio do absoluto nada, o que é uma maravilha. A capital, Reykjavík, é pequena se comparada ao tamanho de metrópoles pelo mundo e você pode se locomover por ali de bike ou a pé. Mas vai precisar de um carro para viajar distâncias de duas horas, mais ou menos, em média, para ir até as principais atrações da natureza – e, lembre-se, as principais atrações são as da natureza. Alugue, alugue um carro. E, se eu fosse você, alugaria um carro da SADCars porque é uma das empresas mais baratas.

Alugar um carro para viajar distâncias maiores é a melhor opção para não perder nenhum aspecto da natureza, a estrela do local
As fendas são profundas e se concentram em grande quantidade no Parque Nacional de Thingvellir

 

Quando chegar

Se você optar, afinal, pelo aluguel do carro, faça isso com antecedência porque, assim, pode acertar de a empresa ir buscá-lo(a) no Aeroporto Internacional de Keflavík. Se você deixou isso para a última hora, só tem um jeito de sair de lá: de táxi ou de ônibus fretado. Como tudo na Islândia custa muito caro para o bolso do turista (até os ingleses, que têm a forte libra ao favor deles, reclamam dos preços!), sugiro o ônibus fretado. Existem apenas duas companhias, com valores bem parecidos, que fazem o percurso.

O idioma

A Islândia é surpreendente em muitos aspectos. Dentre elas, o idioma estranhíssimo, com uma profusão de fonemas que parecem vir de várias partes do planeta. Mas não se espante se todos – todos mesmo – os habitantes conseguirem se comunicar com você em inglês. Com um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) altíssimo, ocupando o 13° lugar, faz sentido que a população seja bilíngue.

 

Se você sabe falar inglês não terá problemas em se comunicar com os habitantes da Islândia
A planície com montinhos de pedras, o Althingi, é o parlamento nacional mais antigo da história

 

O que comer

Uma das coisas que se aprende logo a respeito da Islândia é o quanto ela é cara. “Mas cara quanto?”, você perguntaria. Cara tipo R$ 70 para um cheeseburguer básico com batata frita rústica, sem bebida. Como me avisou um amigo muito querido, comer vegetais, por exemplo, só pagando o olho da cara e, ainda assim, tem de ser no supermercado Bonus. O blog I Heart Reykyavik explora mais sobre o universo da comida na Islândia, em inglês, no post The Ultimate Guide to Food Shopping in Iceland, e menciona o Bonus.

Mas se você for do tipo que aluga casa em sites como o AirBnB, então vai poder economizar muito se for cozinhar. Não deixe de comprar salmão no supermercado, ou atum, bacalhau ou qualquer outro peixe. Tudo que vem do mar é muito saboroso e fresco. E não se assuste com algumas peças estranhas que podem parecer estragadas: na realidade, elas estão estragadas, mas são iguarias, como carne de tubarão podre.

Tem ainda os carrinhos (tipo food trucks) que vendem hot dogs, ou pylsur, em islandês. É a opção mais barata que você vai encontrar para matar a fome rápido. Uma das receitas clássicas que dizem por aí é que a salsicha é cozida com coca-cola – eu provei alguns e em barracas diferentes e jamais teria adivinhado, porque, para o meu paladar, não fez nenhuma diferença. Tem gente que exalta a mostarda islandesa, mas, de novo, não achei nada de mais. Existe a lenda de que a Islândia faz o melhor cachorro-quente do mundo. De verdade? Discordo. Mas vai do gosto.

O meu amigo, esse que me deu várias dicas da Islândia, diz o seguinte: apesar de isolada, a Islândia é um país de primeiro mundo, então, tem de tudo. Relaxa.

Hospedagem

Há muitas opções de acomodação que, pelo visual, parecem bem legais para alugar no AirBnB, se você é do tipo que prefere alugar um quarto ou uma casa inteira só para você (e sua turma ou acompanhante). Da minha experiência, recomendo essa aqui, do Tolli, onde meus amigos e eu ficamos – uma localização bem central na cidade de Reykyavík. Além de ser uma casa bem bacana, tem decoração escandinava sem nenhuma pretensão.

Mas também conhecemos o Reykjavik Bus Hostel por acaso, quando fomos alugar nosso carro. A recepção da SADCars fica no mesmo estabelecimento que o hostel e foi ali que fomos apresentados ao Ricardo, um brasileiro do sul do Brasil, morador na Islândia há três anos e disposto a nos ajudar com dicas que só quem vive no país conhece. A recepção do hostel é muito bem decorada, com um despojamento muito peculiar à cultura hipster, mas isso é tudo o que sei a respeito do lugar, não testei. A impressão foi a melhor possível.

 

Os hostels são uma boa opção para os turistas que não querem gastar muito com hospedagem
Cafés charmosos estão concentrados em uma das ruas de Reykjavík, a Laugavegur

 

Imagens: Evelin Fomin

 

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5 lugares imperdíveis para comer em Buenos Aires

Carne, tango e doce de leite. Se essas fossem as únicas palavras para uma charada de destino de viagem, aposto que você diria “Buenos Aires, óbvio!”. Exatamente. “Óbvio”, bem óbvio. Nas sugestões a seguir, não pense que a proposta é fugir dessas delícias portenhas. A ideia é seguir para cantinhos que fogem do circuito turistão e explorar uma gastronomia tão local quanto saborosa.

1. Desnível
Se você não se programar para ir até o Desnível quando estiver passeando pela região de San Telmo, vai por mim: ele vai passar despercebido. A não ser que você tenha o olhar além do alcance e perceba que, por trás da fachada poluída existe uma das carnes mais macias e suculentas que você poderá experimentar na vida. O que era um lugar para almoço somente dos locais, com porções muito bem servidas e no ponto certo para o gosto dos argentinos, já há algum tempo se tornou um ponto disputado e bastante lotado. Se você é do tipo engomadinho, deixe a frescura de lado e entregue-se para o charme desse restaurante pé-sujo de preços amigáveis. E se você for do tipo de turista que não quer topar com turista, chegou tarde, o lugar acabou sendo ‘descoberto’. Não implica, vai. Dica: muitos pratos são bem servidos e, se a fome não for de leão, divida!

2. Dadá Bistrô
Um casal de amigos muito queridos – e exigentes – foi quem me soprou esse lugar. “O Dadá fica em uma ruela estreita do centro comercial, a poucas quadras da praça San Martin. Tem decoração de inspiração francesa e dadaísta. É bem descolado, mas pequeno, por isso, é legal reservar antes.” E foi com essa descrição que passei uma noite de ventinho frio de agosto na companhia de duas amigas, além de algumas garrafas de vinho e o ‘lomo Dadá’ (um medalhão com gratin de batatas). Algum tempo depois, descobri que esse lugar é citado regularmente como um dos preferidos dos portenhos. Faz todo o sentido.

3. Il Ballo del Mattone
Essa trattoria conseguiu um feito: unir em um único espaço o aconchego da nonna sem espantar jovens modernos. Em outras palavras, o Il Ballo conseguiu fazer de uma cantina um espaço em que o kitsch e a cafonice se transformassem em sinônimos para pop e cool. Tudo isso sem deixar cair a bola, em nenhum momento, da boa comida italiana de pegada caseira. Ok, mas você pode estar pensando: “Estou farto de hipsters e não estou nem aí para ambientes moderninhos. Quero apenas ir a um lugar tranquilo comer uma bela macarronada ou uma pizza bem-feita”. Pronto. É por isso que eu gostei tanto dessa cantina, porque, não se esqueça, em coração de mamma italiana cabe todo tipo de gente (e bolso!). Vai lá.

Il Ballo del Mattone é uma animada cantina italiana
Il Ballo del Mattone é uma animada cantina italiana

 

4. Milion
Não vou me esquecer jamais da noite em que passamos sentadas no balcão do bar, provando tantas e diversas invenções do bartender – algumas por conta da casa. O antigo casarão transformado em bar e restaurante é desses lugares que estimulam os sentidos, sobretudo, a visão e o paladar. O casarão lindo-de-morrer tem muitos ângulos para fotos incríveis – tente fazer uma do caracol (bem, o formato é mais quadrangular) da escada, uma selfie no bar com o quadro emblemático ao fundo ou ainda uma da escadaria de mármore que dá para o quintal, onde fica o fumódromo ao ar livre. Para todo o lado, o que se vê é beleza arquitetônica do passado e um ar de luxúria aos sortudos que estão ali. No primeiro andar, desfrute de uma cozinha internacional argentina, especialmente quando você já estiver cansado dos cortes de carne da cidade; e, no segundo, delicie-se com seja lá o que o bartender da ocasião sugerir. Você não vai se arrepender.

5. Oui Oui
Palermo é um dos meus bairros favoritos e tem um aspecto familiar para mim quando penso em lugares como Vila Madalena, em São Paulo, ou Marais, em Paris. Tomar um café da manhã ou um brunch no começo da tarde são boas opções para se ter essa experiência portenha nesse café meio boulangerie de inspiração francesa (na foto), seja na companhia de amigos ou de um livro. As omeletes com saladas são deliciosas, sem contar as sobremesas e pães de todos os tipos. Eu acho inspirador, charmoso e um desses lugares em que dá até para você ficar trabalhando no computador, tomando um suco ou um café. Experimente.

Seguiu o roteiro? Conte-nos o que achou!

 Imagens: Divulgação